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ADEUS

Corpo de Dona Coló será sepultado nesta quarta-feira, em cemitério de Marituba

Dona Coló estava internada há 15 dias no Hospital Abelardo Santos, em Belém, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC)

Fabyo Cruz

31 de dezembro de 2025 às 09:32

Dona Coló se tornou símbolo pelo conhecimento ancestral sobre plantas medicinais, a relação afetiva com a clientela e o papel essencial na preservação de práticas tradicionais

Dona Coló se tornou símbolo pelo conhecimento ancestral sobre plantas medicinais, a relação afetiva com a clientela e o papel essencial na preservação de práticas tradicionais ( Foto: Everaldo Nascimento/Arquivo O Liberal )

O sepultamento da erveira do Ver-o-Peso, Clotilde de Souza, conhecida como Dona Coló, ocorre nesta quarta-feira (31/12), em um cemitério também localizado em Marituba, na Região Metropolitana de Belém (RMB), às 15h. O velório será em um salão localizado na avenida João Batista, na mesma cidade - após liberação pelo hospital. A informação foi confirmada pelos familiares ao jornal O Liberal. Ela faleceu na terça-feira (30/12), aos 73 anos, em decorrência de uma parada cardíaca.

Referência da cultura popular e dos saberes tradicionais do Pará, Dona Coló estava internada há 15 dias no Hospital Abelardo Santos, em Belém, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Segundo a filha, Leila do Socorro, ela já havia enfrentado outros seis AVCs, sempre demonstrando força e vontade de viver. “Ela gostava muito de viver, falava do banho de cheiro dela e queria estar nele nessa época. Ela lutava. O que os médicos falavam e o que ela aparentava eram totalmente diferentes; ninguém diria que ela tinha tido todos aqueles AVCs”, relatou.

A família ainda mantinha esperança de recuperação, como acontecera em outras ocasiões. “Ontem eu ainda a visitei, e ela chegou a responder. Infelizmente, ela sofreu uma parada cardíaca e não resistiu”, contou Leila.

Reverenciada como uma das principais erveiras do Ver-o-Peso, Dona Coló se tornou símbolo pelo conhecimento ancestral sobre plantas medicinais, pela relação afetiva com a clientela e pelo papel essencial na preservação de práticas tradicionais que marcam a identidade do mercado e da capital paraense. “Minha mãe sempre gostou muito do Ver-o-Peso. Era a vida dela, e estamos procurando manter a tradição. Ela lutou tanto pelo reconhecimento das erveiras. Eu quero que a minha mãe seja lembrada como sempre foi: alegre, bondosa, cantando, dançando e vendendo as ervas dela”, disse a filha.

Autoridades também manifestaram pesar pela morte de Dona Coló. O prefeito de Belém, Igor Normando, lamentou a perda e prestou solidariedade à família. O governador do Pará, Helder Barbalho, destacou o legado cultural deixado pela erveira e afirmou que sua história faz parte da identidade do povo paraense. A primeira-dama do Estado, Daniela Barbalho, também homenageou Dona Coló, lembrando o reconhecimento nacional pelo trabalho com as ervas amazônicas e sua irreverência ao longo dos anos.