Setor de serviços no Pará cai 7,3% em dezembro e turismo acende alerta
No acumulado do ano, o saldo paraense ainda é positivo em 1,1%
O setor de serviços no Pará encerrou o mês de dezembro de 2025 com uma retração de 7,3% no volume de atividades em comparação a novembro, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados nesta quinta (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado coloca o estado como um dos destaques negativos do país no período, puxado principalmente pelo tombo de -7,9% nas atividades turísticas, o recuo mais relevante do Brasil para o segmento no mês. Apesar do desempenho ruim no apagar das luzes de 2025, o estado fechou o acumulado do ano com crescimento de 1,1%, ritmo inferior à média nacional, que foi de 2,8%.
"O recuo no mês de dezembro a princípio gera preocupação e acende um alerta sobre a fragilidade da recuperação local. Sobretudo dezembro, que costuma ser um mês de alta no turismo nacional, mas no Pará houve retração, o que sugere problemas de logística, conectividade aérea e oferta de serviços", avaliou o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará (Fecomércio-PA), Sebastião Campos. Para ele, o resultado reflete uma dependência de grandes eventos, já que o crescimento em 2025 esteve muito atrelado à realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) em Belém, ocorrida em novembro.
Impacto do turismo pós-evento
A queda acentuada em dezembro é explicada, em parte, pela base de comparação elevada do mês anterior. Em novembro, o Pará havia registrado a maior expansão turística do país (24,4%) devido ao fluxo global da conferência climática.
"O recuo em dezembro também chama atenção para a dependência que o setor tem em relação a grandes eventos. Sem eventos de porte similar, o fluxo de visitantes não se sustentou, gerando fortes impactos negativos para setores como hotelaria, restaurantes e transporte aéreo", complementou Campos.
O economista Mário Ribeiro, docente da Universidade Federal do Pará (UFPA), reforça que a estrutura econômica regional também influencia a diferença entre o ritmo do Pará e o do Brasil.
"Estados com maior peso em serviços intensivos em tecnologia e finanças tendem a apresentar maior dinamismo. No Pará, o setor está mais concentrado em comércio, transporte e atividades associadas ao complexo extrativo, cuja dinâmica depende mais do ciclo de renda local", explicou.
Ribeiro ressalta que oscilações mensais são comuns e que o legado da COP deve ser analisado em séries de tempo mais longas.
Expectativas para o mercado de trabalho
O desempenho negativo no fim do ano já reflete na confiança do empresariado para o início de 2026. Segundo a Fecomércio-PA, o Indicador de Contratação de Funcionários (IC) registrou queda de 3,3% em janeiro. O setor de serviços é o maior empregador do estado, e a retração de dezembro funciona como um freio para novas admissões.
"O resultado reforça a cautela das empresas, que preferem aguardar sinais mais consistentes de retomada antes de ampliar suas contratações. Essa retração também reflete um padrão sazonal, com desligamentos comuns após o fim dos contratos temporários de fim de ano", afirmou o presidente da Federação.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Turismo (Setur) para comentar os dados, mas não obteve retorno até o momento.
Desempenho do Pará em números
- Variação mensal (dez/nov 2025): -7,3% no Pará contra -0,4% no Brasil
- Atividades turísticas (dez/nov 2025): -7,9% no Pará (maior queda do país)
- Acumulado do ano (2025): +1,1% no Pará e +2,8% no Brasil
- Participação no mercado: o Pará detém 1,09% do volume total de serviços nacional
Fonte: Pesquisa Mensal de Serviços (dez/2025) - IBGE
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA