Soltura de cem quelônios marca os 193 anos de Cachoeira do Arari, no Marajó

Animais tinham entre seis meses e dois anos de idade e foram cuidadosamente preparados para a inserção ao ambiente natural

O Liberal
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Simbolizando o compromisso coletivo com a conservação da biodiversidade, 100 quelônios foram soltos nas margens do rio Arari em meio às celebrações pelo aniversário de 193 anos de Cachoeira do Arari, no arquipélago do Marajó. A ação ambiental, ocorrida no último sábado (9), reuniu instituições públicas, pesquisadores e a comunidade local em torno da preservação da fauna amazônica, e integrou uma programação especial promovida entre os dias 6 e 9 de maio.

A iniciativa foi realizada de forma conjunta pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), Parque Zoobotânico Mangal das Garças, Pará 2000, Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cachoeira do Arari. A ação integra as estratégias de educação ambiental e manejo sustentável desenvolvidas na Área de Proteção Ambiental (APA) do arquipélago do Marajó, que é uma das 29 unidades de conservação estaduais.

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Foram introduzidas na natureza exemplares de duas espécies típicas da Amazônia: tracajás (Podocnemis unifilis) e tartarugas-da-Amazônia (Podocnemis expansa). Os animais tinham entre seis meses e dois anos de idade e foram cuidadosamente preparados para a inserção ao ambiente natural. A participação popular também marcou a programação, reunindo moradores, estudantes e crianças em um momento de conscientização ambiental às margens do rio.

Ações

A programação ambiental alusiva ao aniversário do município incluiu ainda cursos de quintais produtivos, oficinas sobre compostagem doméstica e rural, além de um curso voltado à conservação dos quelônios amazônicos, ministrado pela UFPA. O Mangal das Garças também promoveu uma exposição educativa sobre os animais, aproximando a população da biologia e da importância ecológica dessas espécies.

Para o gerente da Região Administrativa do Marajó do Ideflor-Bio, Hugo Dias, unir preservação ambiental, educação e participação comunitária, nas atividades desenvolvidas em Cachoeira do Arari, reforçaram a importância da gestão integrada da APA do Marajó. “Mais do que celebrar o aniversário do município, a programação evidenciou o compromisso das instituições envolvidas com a construção de um futuro sustentável para a região, valorizando os recursos naturais e fortalecendo a relação das comunidades marajoaras com a conservação da Amazônia. Temos a missão de repovoar a fauna silvestre nativa na APA do Marajó e temos trabalhado fortemente para isso”, enfatizou.

image A programação ambiental alusiva ao aniversário do município incluiu ainda cursos de quintais produtivos, oficinas sobre compostagem doméstica e rural, além de um curso voltado à conservação dos quelônios amazônicos. (Foto: Divulgação)

Neste ano, as ações ganharam um reforço especial com atividades em escolas municipais, levando educação ambiental para crianças e adolescentes da cidade. A proposta foi despertar, desde cedo, o interesse pela conservação da natureza e apresentar aos estudantes informações sobre o ciclo de vida, os habitats e os desafios enfrentados pelos quelônios na Amazônia.

Parceria

Desde 2023, Mangal das Garças e Ideflor-Bio mantêm parceria para ações de introdução de quelônios no Arquipélago do Marajó. Todos os anos, mais de 100 animais são devolvidos à natureza. Os filhotes são provenientes do Parque Zoobotânico do Mangal das Garças, onde as matrizes recebem manejo especializado em condições adequadas de reprodução, incluindo alimentação balanceada, proteção dos ninhos e monitoramento constante dos ovos e filhotes até o momento da soltura.

O analista ambiental e biólogo do Mangal das Garças, Basílio Guerreiro, destacou que a ação vai além do simbolismo ambiental e representa uma medida concreta de conservação das espécies amazônicas. “Com a diminuição das populações de quelônios na Amazônia, principalmente pelas mudanças climáticas e caça predatória, então estas ações têm uma importância grande para a manutenção dos ecossistemas. Entretanto, temos a consciência que somente a soltura não é o suficiente, precisamos de um conjunto de ações como a diminuição de gases de efeito estufa e diminuição da poluição dos rios”, afirmou.

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