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Pesquisa expõe desafios em saúde mental, bullying e desigualdades entre estudantes no Pará

Levantamento do IBGE revela vulnerabilidades emocionais, início precoce da vida sexual e diferenças entre redes de ensino

O Liberal
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A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quarta-feira (25), revela um panorama detalhado sobre o perfil, comportamento e condições de vida de estudantes de 13 a 17 anos no Pará. O levantamento estima que o estado possui cerca de 516 mil estudantes nessa faixa etária, com predominância na rede pública, que concentra 91,2% dos alunos.

Perfil e perspectivas dos estudantes

Os dados mostram que a maioria dos estudantes paraenses pretende conciliar estudo e trabalho no futuro. A intenção foi apontada por 50% dos alunos do ensino fundamental e por 57,7% do ensino médio, embora os índices estejam abaixo da média nacional.

No perfil demográfico, predomina a população parda, com 59,9%, seguida por brancos, com 21,6%, e pretos, com 12,7%. Já em relação à escolaridade materna, apenas 17,7% das mães têm ensino superior completo, percentual inferior ao nacional e que evidencia desigualdades educacionais.

Ambiente familiar

A pesquisa aponta que 52,6% dos estudantes vivem com pai e mãe, enquanto 9,6% não convivem com nenhum dos dois, um dos maiores percentuais do país. O acompanhamento familiar é considerado elevado, com 77,9% dos responsáveis afirmando saber o que os filhos fazem no tempo livre, embora o índice ainda esteja abaixo da média brasileira.

Saúde sexual e comportamento

No campo da saúde sexual, 30,4% dos estudantes já tiveram relação sexual, índice inferior ao nacional. Ainda assim, chama atenção o início precoce, já que 40,1% relataram a primeira experiência até os 13 anos.

O uso de preservativo é menor que a média do país, tanto na primeira relação, com 56,5%, quanto na última, com 55,5%. Além disso, apenas 45% dos estudantes receberam orientação sobre como obter preservativos gratuitamente, o menor percentual entre os estados.

Entre as adolescentes que já tiveram relação sexual, 10,7% relataram gravidez, com maior incidência na rede pública. O levantamento também aponta uso expressivo da pílula do dia seguinte, citado por 37,3% dos estudantes.

Saúde mental em alerta

Os indicadores de saúde mental revelam um cenário preocupante. Cerca de 28,2% dos estudantes relataram tristeza frequente e 36,7% disseram sentir irritação ou mau humor constante. Além disso, 33,2% afirmaram já ter tido vontade de se machucar, e o sentimento de abandono atinge aproximadamente 27% dos jovens.

Outro dado relevante mostra que 20% dos estudantes afirmaram que a vida não vale a pena ser vivida, percentual semelhante ao nacional. A pesquisa também indica que 5,9% dos estudantes não possuem amigos próximos, índice superior ao observado no país.

Em praticamente todos os indicadores, as meninas apresentam maior vulnerabilidade emocional, com percentuais significativamente superiores aos dos meninos.

Convivência escolar e violência

No ambiente escolar, 55,9% dos alunos afirmaram ser bem tratados pelos colegas, percentual inferior ao nacional, que é de 61,8%. Ainda assim, o cenário é considerado majoritariamente positivo.

Apesar disso, 24,4% relataram sofrer bullying de forma recorrente, enquanto 16,9% já vivenciaram episódios frequentes de exclusão social. O cyberbullying atinge 10,5% dos estudantes. A aparência física aparece como o principal motivo das agressões, seguida por fatores como cor ou raça e uso de roupas e objetos escolares.

Embora a maioria não se envolva em violência física, cerca de 85% afirmaram não ter sido agredidos por colegas. Entre os casos registrados, as meninas aparecem ligeiramente mais como vítimas, enquanto os meninos apresentam maior proporção entre os autores das agressões.

A prática de bullying também foi admitida por 13,6% dos estudantes. Parte significativa afirmou não haver motivo específico, o que sugere comportamentos impulsivos ou naturalizados no ambiente escolar.

Diferenças entre redes de ensino

A pesquisa evidencia diferenças entre as redes pública e privada. Estudantes da rede privada relatam melhores relações entre colegas, com 75%, enquanto na rede pública esse índice é de 57,4%. Também há maior ausência de vínculos sociais entre alunos da rede pública.

Retrato da realidade, diz IBGE

De acordo com o gerente de Planejamento e Gestão Administrativa do IBGE, Luiz Cláudio Martins, a PeNSE tem como principal objetivo mapear as condições de saúde dos estudantes brasileiros e orientar políticas públicas. “A PeNSE é uma pesquisa de âmbito nacional. Essa é uma pesquisa que busca retratar as condições de saúde dos estudantes da faixa etária dos 13 aos 17 anos, estudantes do sétimo ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio”, explicou.

Ele também destacou os temas abordados pelo levantamento​. “A pesquisa retrata vários aspectos relativos à saúde dos estudantes, relacionados às questões de violência, atividade física, uso de tabaco ou de outras drogas, situações em casa e na escola, saúde mental, uso de tecnologias e imagem corporal”, afirmou.

Ao comentar a metodologia, Luiz ressaltou o diferencial da pesquisa em relação a outros levantamentos do IBGE:​ “O diferencial dessa pesquisa é que ela é realizada nas escolas. No caso da PeNSE, não existe interlocução entre o entrevistador e o entrevistado. O próprio estudante preenche o questionário em dispositivos móveis de coleta, com interferência mínima da equipe do IBGE”, destacou.

Sobre os indicadores de saúde mental, o gerente chamou atenção para as desigualdades entre meninos e meninas​. “A PeNSE divulgou dados relativos a indicadores de saúde mental no Pará, que mostram diferenças por sexo e maior vulnerabilidade entre as meninas, da faixa etária dos 13 aos 17 anos”, disse.

Ele também apontou fragilidades nos vínculos sociais entre os adolescentes​. “No Pará, 5,9% dos estudantes declararam não possuir amigos próximos, percentual superior ao nacional”, comentou.

Além disso, destacou o sentimento de abandono entre os jovens​. “Em relação ao sentimento de abandono, 27% dos estudantes relataram sentir que ninguém se preocupa com eles”, frisou.

Convivência escolar e bullying

Ao analisar o ambiente escolar, Luiz reconheceu avanços, mas alertou para problemas persistentes​. “O Pará apresenta indicadores positivos de convivência escolar. Ainda assim, a exclusão e o bullying continuam afetando uma parcela importante dos estudantes”, afirmou.

Sobre a convivência entre colegas, ele detalhou​: “Em relação à convivência entre colegas, 55,9% dos estudantes relataram ser bem tratados, percentual inferior ao nacional”​.

O gerente também destacou a incidência do bullying no estado​. “O bullying atinge cerca de um quarto dos estudantes no estado. Já 24,4% relataram ter sido vítimas recorrentes”, disse.​

Ele ainda comentou os principais fatores associados às agressões​. “Os principais fatores apontados para o bullying estão relacionados à aparência física, além de questões ligadas à cor ou raça e ao uso de roupas e objetos escolares”, destacou.

Por fim, chamou atenção para a naturalização desse tipo de comportamento​. “Uma parcela significativa dos estudantes afirmou não identificar um motivo específico para o bullying”, concluiu.

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