Implanon: implante contraceptivo é ofertado gratuitamente para mulheres pelo SUS no Pará
O implante é uma pequena haste hormonal colocada sob a pele do braço e tem duração de até três anos
Mulheres do Pará já podem ter acesso gratuito ao implante contraceptivo ‘Implanon’ na rede pública de saúde. A oferta do método pelo SUS foi incorporada à atenção primária pelo Ministério da Saúde e está sendo ampliada gradualmente no estado. Considerada uma das mais eficazes alternativas de controle da natalidade, o implante é uma pequena haste hormonal colocada sob a pele do braço e tem duração de até três anos.
Ao todo, o Pará recebeu 21 mil unidades do dispositivo, que serão distribuídas conforme critérios populacionais. A médica Brenda Diniz Rodrigues, ginecologista do Hospital da Mulher do Pará, explica que o Implanon é um método contraceptivo classificado como LARC, que são reversíveis de longa duração.
“A principal ação dele é inibir a ovulação. Por isso, ele é considerado hoje o método contraceptivo mais eficaz. Dentro da pirâmide de eficácia, ele está no topo. Se comparado com uma laqueadura, ele é mais eficaz. Ele dura até três anos e é totalmente reversível. Pode ser retirado a qualquer momento, se a mulher desejar engravidar antes desse prazo”, garante.
Segundo a médica, o implante da haste hormonal é depositado abaixo da pele do braço e não no útero, como muitas pessoas imaginam. “É um procedimento super simples, feito no consultório. Dura cerca de cinco minutos. A paciente recebe anestesia local no braço, então não sente dor durante a inserção. Depois, é feito um curativo e ela é liberada”, detalha.
De acordo com a ginecologista, a taxa de falha é extremamente baixa. Após a implantação, o efeito do contraceptivo inicia a partir de uma semana. “A taxa de falha gira em torno de 0,2%. Isso significa algo entre duas a cinco falhas a cada 10 mil mulheres. É um índice muito pequeno, por isso ele é considerado o método mais eficaz disponível”, afirma.
Critérios
Brenda Diniz Rodrigues destaca que a maioria das mulheres pode utilizar o método, mas há contraindicações específicas. “As contraindicações são raras, mas existem. Pacientes com trombose ativa, doenças hepáticas graves, sangramento vaginal de causa desconhecida, câncer de mama ou alergia comprovada ao etonogestrel não podem utilizar. E, claro, não pode estar gestante ou com suspeita de gestação”, esclarece.
A médica também informa que adolescentes a partir de 14 anos podem utilizar o método, conforme indicação em bula, e que mulheres no pós-parto ou em fase de amamentação estão aptas a receber o implante. “Ele é composto por progesterona e não interfere na amamentação. Pode ser usado nesse período com segurança”, pontua.
Caso a mulher deseje engravidar antes dos três anos, a fertilidade retorna rapidamente após a retirada. “Retirou o implante, a fertilidade volta imediatamente. Não existe efeito prolongado que impeça a gestação”, garante Brenda Diniz.
Cuidados
Sobre os efeitos no ciclo menstrual, a ginecologista explica que podem ocorrer alterações. “Como é um método hormonal, ele pode modificar o padrão menstrual. Muitas pacientes têm benefícios, como redução do fluxo, diminuição da TPM e das cólicas. Porém, é necessário entender que pode haver um período de adaptação, com o surgimento de acne ou irregularidade, mas a tendência é o corpo se ajustar. Algumas mulheres podem até deixar de menstruar”, diz.
A médica reforça que o implante não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (IST). “O único método que protege contra ISTs é a camisinha. O Implanon é voltado para prevenir gravidez não planejada”, ressalta.
Distribuição
A diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, Ana Paula Oliva, explica que a distribuição começou após a incorporação do método pelo Ministério da Saúde.
“No final do ano passado, o Ministério incorporou o implante subdérmico à atenção primária e distribuiu aos municípios com mais de 50 mil habitantes, em um quantitativo equivalente a cerca de 1% da população feminina em idade fértil. No Pará, 43 municípios foram contemplados nessa primeira etapa”, afirma.
Ela explica que, para os municípios que não atingem esse critério populacional, o acesso ocorre por meio de unidades de referência. “Para as cidades que não foram contempladas, a mulher deve procurar a unidade básica de saúde. Lá, ela será avaliada e, se houver indicação, será encaminhada via regulação para o Hospital da Mulher ou para a Santa Casa”, detalha.
Público-alvo
Ana Paula destaca que a meta é ampliar a cobertura a partir de abril. “A partir de abril, todos os municípios do estado estarão contemplados nas unidades de referência. Estamos falando de um público de 14 a 49 anos, que é considerado idade fértil”, informa.
Segundo ela, o método faz parte de uma estratégia estruturante de planejamento reprodutivo. “Consideramos uma estratégia extremamente importante para o planejamento familiar. Ele amplia o acesso a métodos de alta eficácia, fortalece a autonomia da mulher e contribui para a redução da gravidez não planejada, da gravidez na adolescência e da mortalidade materna”, afirma.
Ana Paula reforça que a escolha do método ocorre após avaliação clínica. “Durante a consulta, o profissional apresenta todos os métodos disponíveis. A unidade básica oferece preservativos, pílulas, injetáveis, DIU e o Implanon. Havendo aptidão clínica, a mulher tem o direito de escolher o método que deseja utilizar”, conclui Ana Paula.
Para ter acesso ao implante, a orientação é procurar a unidade básica de saúde mais próxima e agendar consulta para avaliação. O procedimento é realizado por profissionais capacitados, como médicos ou enfermeiros certificados.
Experiência
A jovem Jéssia Damasceno foi uma das mulheres que já aderiram ao método e relata que buscava uma alternativa mais eficaz de contracepção. “Logo quando surgiu, eu procurei pesquisar porque já estava em busca de um método mais eficaz, além da injeção. Acho que a injeção é muito complicada para a gente, mulher. Pesquisei e vi que o Implanon era um dos métodos mais eficazes atualmente. Olhando pelo lado do posto de saúde, muita gente não tem acesso nem condições financeiras para colocar um, já que é absurdamente caro. Então, a chegada dele no posto de saúde é necessária e importante para a gente. Achei mais simples do que eu imaginava. Não é nada complicado nem doloroso. Foi bem rápido”, relata.
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