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Idosos paraenses viram exemplo de superação ao realizar sonhos após os 60 anos

Aos 72 anos, Francisco de Assis Reis Miranda emocionou a família ao passar no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Se formou como bacharel em direito em 2020 e se tornou exemplo de motivação

Saul Anjos

Aos 72 anos, Francisco de Assis Reis Miranda emocionou a família ao passar no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Formado como bacharel direito há dois anos atrás. Ele ficou conhecido como “Seu Miranda” entre os colegas de turma e acabou se tornou símbolo de inspiração para muitas outras pessoas. 

Ele veio de uma família muito humilde em Abaetetuba, região nordeste do Pará, e decidiu se mudar para a capital paraense para melhores condições de ensino. “Com 11 anos me mudei para Belém e estudei no Colégio Paes de Carvalho. Consegui completar o período que a gente chamava de ginásio, mas no ano que eu ia prestar vestibular acabei me casando. Constitui uma família e não continuei na vida escolar, por conta do tempo”, contou. 

Francisco Miranda (Arquivo pessoal)

A força de vontade era grande e, após mais de 50 anos, ele conseguiu conquistar o que sempre quis, a advocacia. Sem abaixar a cabeça, Miranda não desistiu e prestor vestibular em 2014 e se tornou um calouro de direito. 

“Sempre corri atrás de ser advogado. Tanto que eu tenho um casal de filhos formados em direito. Com 65 anos resolvi fazer um vestibular e entrar para faculdade. Consegui passar e me formei em 2020. Superei tudo. E nesse ano obtive a aprovação com louvor no Exame de Ordem da Ordem dos Advogados”, afirmou. 

Na última sexta-feira (17), Francisco adquiriu a carteira da OAB com a presença dos familiares. O momento foi de muita emoção. "Foi muito choro de alegria e emoção. Agradeço a meus filhos, irmãos, amigos, minha esposa. Amo todos. Sozinho seria impossível conseguir alcançar este desejo", respondeu ao ser perguntado sobre a emoção de participar de um momento assim.

Família de Francisco Miranda (Arquivo pessoal)

 

Motivo dos filhos na advocacia e orgulho do próprio pai

Dos quatros filhos, o mais velho, Miranda Junior, teve o encorajamento do próprio pai para seguir a carreira de advogado. Ele determinou, pela felicidade do pai, que seria bacharel em direito. 

“Meu filho, o Mirando Junior, queria ser engenheiro florestal. E foi que eu comecei a incentivar ele a ser a pensar mais sobre o curso de direito. Ele agora é advogado há mais de 25 anos. Foi uma das coisas que me fez muito realizado na vida. A formação do meu filho. São quatro filhos, mas apenas três se formaram em direito. A outra filha é contadora”, riu.  

Uso do termo idoso e o próximo sonho

Para Miranda, o termo idoso pode ocasionar algum tipo de preconceito. Ele acredita que essa expressão discrimina a pessoa acima de 60 anos. Miranda aproveitou para revelar o seu próximo sonho. 

“Ao chamar alguém de idoso, eu acho que deixa a pessoa discriminada. Você acaba vendo ela com fragilidade. A idade se atribuiu a uma pessoa que chegou a uma determinada fase da vida de decai. Isso não existe. O que eu quero fazer daqui para frente é ajudar as pessoas. Se eu já ajudava antes, quero ajudar mais agora. Nunca é tarde para vencer”, finalizou. 

Da OAB para a moda sustentável 

Graça Arruda, de 70 anos, é a criadora da marca Madame Floresta responsável pela produção de vestimentas que não degradam o meio ambiente, focada especialmente na composição de fibras vegetais com identidade amazônica. 

Depois de ter as duas filhas, decidiu investir dentro deste mercado, após a necessidade de ajudar a própria família. 

“Aos 18 anos comecei a trabalhar. Eu casei e tive duas filhas. Surgiu a necessidade de ajuda a minha família disse pra mim mesma que iria montar meu próprio negócio. Fazer o que eu sei e aquilo que gosto. Fui melhorando as minhas condições. Hoje estou no mercado há 23 anos.”, explicou a dona da loja. 

Graça Arruda (Arquivo pessoal)

O local de trabalho fica bem perto da própria casa, mas exige mais dedicação. Graça alegou que apesar da intensa correria na empresa e cuidar da família, o suporte dos parentes é essencial. “Minha empresa fica num prédio anexo a minha casa. O trabalho na empresa é muito intenso, tenho muitos compromissos com criações, clientes, desfile e exposições. Mas a família é o suporte de tudo”, frisou a empreendedora. 

A paraense conseguiu a formação acadêmica de designer de moda em 2010 e depois alcançou a pós-graduação em gestão de produtos de moda aos 54 anos. Para ela, o maior desafio foi voltar para sala de aula depois de tanto tempo fora. 
“O primeiro ano que o curso chegou em Belém, eu participei. Foi uma dificuldade muito grande estar muito tempo fora de sala de aula, mas foi gratificante aprender a técnica de construção de roupas. Tive experiências únicas na sala de aula. Mas mesmo assim, cerca de 60% da minha turma era acima de 50 anos”, assumiu. 

Das passarelas para a felicidade de entrar numa universidade

O quilombola Elias Gomes, de 54 anos, virou orgulho para a própria comunidade, localizada no município de Baião, região nordeste do Pará, ao passar no curso de engenharia elétrica na Universidade Federal do Pará (UFPA). Apesar de, ainda não ser considerado idoso, ele se destaca por continuar lutando pelos próprios objetivos, numa idade que as pessoas costumam se acomodar. 

O Estatuto do Idoso estipula que uma pessoa só poder ser considerada idosa a partir dos 60 anos de idade. 

Elias mora a cerca de 16 quilômetros da sala de aula e utiliza ônibus todos os dias para chegar na universidade. O trajeto tem duração de 1h. Ele relatou a felicidade de ter passado no curso. 

"Eu queria engenharia ambiental, mas como não tinha disponível no campus, optei em engenharia elétrica como segunda opção. Minha família e amigos ficaram super alegres. Demorou para eles acreditarem na façanha. É o sonho de toda criança. Me tornei inspiração e estímulo para nunca deixar de sonhar. Me sinto em casa na UFPA”. 

Elias Gomes (Arquivo pessoal)

 

 

 

 

 

 

 

 

Apenas 0,9% dos alunos da UFPA são quilombolas

Dados divulgados pela UFPA à redação integrada de O Liberal mostram que apenas em junho deste ano, apenas 0,9% dos alunos são entre 41 e 75 anos. No perfil étnico, o número sobe para 3,4% sobre a quantidades de alunos quilombola na universidade.

Ao ser questionado se pretende continua no curso, Elias concluiu a entrevista com uma mensagem de motivação. 
“Não posso desistir. Estou pronto a enfrentar 5 ou 6 anos no curso do que o resto da vida sem esperança de uma mudança significante. Sei que meus exemplos causarão impactos na vida das pessoas, quero que sejam positivos”.

Pará
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