Higienização correta de alimentos evita intoxicação por agrotóxicos

Pimentão é o vegetal com maior teor de resíduos de agrotóxicos. Especialista dá dicas para higienização

Caio Oliveira
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O pimentão é o vegetal que mais apresenta traços de agrotóxicos quando chega para ser comercializado nas feiras, de acordo com a análise dos dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicados no relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, com resultados de testes feitos em frutas e legumes entre 2017 e 2018. De acordo com o estudo, oito em cada dez pimentões tinham resíduos de agrotóxicos proibidos ou acima do nível permitido, o que representa 82%. Em seguida, vem a goiaba, que apresentou 42% das amostras testadas com doses acima do recomendado ou agrotóxicos proibidos, a cenoura com 39% e o tomate, com 35%.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) são registradas 20 mil mortes por ano devido ao consumo de agrotóxicos e, em tempos de coronavírus, o paraense desenvolveu o hábito de prestar mais atenção aos seus hábitos de higienização dos alimentos que traz da rua para casa, mas cada um tem uma técnica diferente para fazer esse asseio, com produtos e processos que variam de um consumidor para o outro. “Eu lavo tudinho! Ponho de molho no vinagre e deixo tudo limpinho”, diz Zilma da Silva, frequentadora da Feira do Guamá. “É importante porque todo mundo vem, aqui na feira, e pega [nos legumes], e nessa pandemia que a gente está agora, a gente tem que ter cuidado; não só fora, mas como dentro da nossa casa”, explica a freguesa, que tem uma técnica de limpeza diferente do vendedor Fábio Saldanha.

“Para higienizar, em casa, eu tenho um preparado com cloro e água. Deixo uns minutinhos lá para fazer a higienização dos alimentos e, logo em seguida, a gente consome. É importante para a nossa saúde, consumir o alimento limpo”, diz o cliente, que diz que faz as compras no Guamá por encontrar preços mais acessíveis e que se preocupa muito com o que consome.

“A exposição aos agrotóxicos pode causar uma série de doenças, dependendo do produto que foi utilizado, do tempo de exposição e da quantidade absorvida pelo organismo”, explica Carol Paraense, veterinária e consultora em Segurança de Alimentos. “Os efeitos podem ser agudos, como irritações de pele e nos olhos, alergias, ardências, coriza, vômitos, náuseas e diarréia; ou crônicos, causados por contaminação prolongada, como dificuldade para dormir, esquecimento, aborto, impotência, alteração do funcionamento de fígado e rins, além de problemas respiratórios graves e na produção de hormônios”, diz a especialista.

Para Carol, o processo útil para higienizar diversos tipos de alimentos é simples e envolve poucas etapas. Primeiro, deve-se lavar o alimento em água corrente, para eliminar resíduos como terra. Depois, é necessário deixar a fruta ou legume de molho em um litro de água onde foi diluída uma colher de sopa de água sanitária (teor de cloro de 2,0% a 2,5 %). Após deixar o alimento de molho por dez minutos, é só lavar bem de novo em água corrente, secar bem e guardar. “É importante que se faça uma boa higienização das frutas, legumes e verduras antes de se consumir, porque se houver agrotóxicos ali na casca, a gente consegue eliminar com uma boa higienização”, elabora a especialista.

 

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