Dia dos Namorados: Sauim ameaçado de extinção espera encontrar amor no Pará
Amendoim, morador do BioParque Vale Amazônia, em Carajás, aguarda a chegada de uma fêmea para ajudar na preservação de uma das espécies mais ameaçadas do planeta
Enquanto muitos casais celebram o Dia dos Namorados nesta quinta-feira (12), um morador especial do BioParque Vale Amazônia, em Carajás, no sudeste do Pará, também espera viver uma história de amor. Amendoim, um macho de sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), aguarda a chegada de uma companheira que poderá ajudá-lo em uma missão ainda mais importante: contribuir para a conservação de uma das espécies de primatas mais ameaçadas do mundo.
A expectativa é que uma fêmea da mesma espécie chegue ao BioParque ainda neste segundo semestre. O pareamento faz parte de um trabalho coordenado por instituições brasileiras e internacionais voltado à preservação genética do sauim-de-coleira, espécie endêmica do Brasil e classificada como ameaçada de extinção.
O BioParque Vale Amazônia integra a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e atua em parceria com instituições como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em ações de conservação fora do ambiente natural, conhecidas como conservação ex-situ.
Espécie enfrenta risco de desaparecer
De acordo com o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), do ICMBio, o sauim-de-coleira está atualmente classificado como espécie em perigo de extinção.
A distribuição do primata ocorre apenas no estado do Amazonas, onde enfrenta ameaças relacionadas ao avanço urbano e à perda de habitat. Segundo estimativas do sistema, a população da espécie pode sofrer redução de pelo menos 50% nos próximos 18 anos, o equivalente a três gerações.
Para Mara Cristina Marques, presidente da AZAB, o trabalho conjunto entre zoológicos e centros de conservação é fundamental para ampliar as chances de sobrevivência das espécies ameaçadas.
"Os zoológicos e aquários atuam como centros de conservação, pesquisa e educação, desempenhando um papel estratégico na proteção da biodiversidade. Por meio da articulação coordenada pela AZAB e seus parceiros, compartilhamos informações técnicas, genéticas e demográficas que permitem identificar indivíduos compatíveis para formação de casais e manejo reprodutivo", destaca.
Quem é Amendoim?
Amendoim chegou ao BioParque Vale Amazônia em dezembro de 2022. O animal foi encaminhado pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Manaus, após sobreviver a um ataque de cachorro que matou o animal adulto que o acompanhava, possivelmente seu pai.
O sauim-de-coleira é um primata de pequeno porte, medindo entre 30 e 42 centímetros e pesando de 450 a 600 gramas. A principal característica da espécie é a pelagem branca que cobre a cabeça, o pescoço e o peito, formando uma espécie de "coleira" que inspirou seu nome popular.
Segundo o veterinário do BioParque Vale Amazônia, Nereston de Camargo, a chegada de uma parceira pode representar um avanço importante para os esforços de conservação da espécie.
"Localizando uma fêmea, a proposta é viabilizar o pareamento dos indivíduos, buscando ampliar as chances de reprodução. Essa formação de casais e o acompanhamento reprodutivo permitem contribuir com a sobrevivência da espécie", explica.
Como ajudar na preservação da fauna amazônica
Além das ações desenvolvidas por instituições especializadas, a população também pode contribuir para a conservação da biodiversidade.
Entre as atitudes recomendadas estão:
- Evitar queimadas e denunciar práticas ilegais contra o meio ambiente;
- Não comprar animais silvestres para combater o tráfico de fauna;
- Reduzir o descarte inadequado de resíduos na natureza;
- Redobrar a atenção em rodovias com presença de animais silvestres;
- Apoiar iniciativas de conservação e educação ambiental.
Especialistas destacam que ações como essas ajudam a proteger não apenas o sauim-de-coleira, mas diversas espécies da fauna amazônica que enfrentam ameaças provocadas pela degradação ambiental e pela pressão humana sobre os habitats naturais.
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