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Conselho Regional de Psicologia Pará e Amapá critica limite do número de sessões de psicoterapia por ano

É que o desenvolvimento de uma pessoa durante o processo terapêutico não tem um prazo

Dilson Pimentel

As sessões de psicoterapia oferecidas pelos planos de saúde devem ter cobertura mínima obrigatória de 18 sessões por ano de contrato, de acordo com Resolução Normativa (RN) nº 465/2021, da Agência Nacional de Saúde (ANS). Dessa forma, os convênios podem limitar a cobertura dessa modalidade de atendimento. Para a presidenta do Conselho Regional de Psicologia do Pará e Amapá (CRP-10), Jureuda Duarte Guerra, a resolução é ruim e prejudica a qualidade do trabalho do profissional psicólogo e, também, o atendimento do paciente. Ela afirmou que não é possível colocar um teto de 18 sessões ao ano. “O desenvolvimento de uma pessoa durante o processo terapêutico, o reconhecimento daquilo que lhe aflige, não tem um prazo. Nenhuma abordagem terapêutica, das que a gente conhece, pode definir o tempo que vou durar no meu processo terapêutico”, disse. “Não posso entrar no processo terapêutico, começar a ser atendido e combinar uma sessão por mês. Isso não resolve o problema”, afirmou.

Dezoito sessões ao ano, divididas por 12 meses, seriam três a cada dois meses. “Ou uma sessão a cada 20 dias.  É plausível? Eu diria risível”, completou. Mestra em Psicologia Social e Clínica pela Universidade Federal do Pará e especialista em Saúde Mental pela Fiocruz,  Jureuda Duarte Guerra disse que, após a pandemia, as pessoas passaram a procurar o atendimento terapêutico e psicoterápico, até porque a pandemia deixou sequelas cujos efeitos ainda estão sendo estudados pelos especialistas. Segundo ela, foi construído no imaginário popular que a pessoa que procura psicólogo é insegura e não sabe resolver seus problemas. “Com a pandemia, todo mundo ficou extremamente fragilizado, homens, mulheres, ricos e pobres. Atingiu muito mais a categoria classe pobre, mas apresenta o sofrimento de forma transversal. Passa por todas as pessoas”, disse.

No primeiro atendimento, é elaborada toda uma escuta do paciente, que não pode ser menor que uma hora de atendimento. Só que os planos de saúde pagam, para o profissional de Psicologia, um valor irrisório. E, com isso, o profissional de Psicologia começa a fazer um atendimento no atacado. “Começar a atender a cada meia hora, não fazendo, portanto, uma escuta adequada. E, assim, vai recair sobre o psicólogo a imagem de que ele não é bom. Nunca o usuário vai reconhecer que isso é um problema do plano de saúde dele, que não está agindo de forma correta, humana, empática, para aquele sofrimento que ele está apresentando”, afirmou.

É extremamente ineficaz para qualquer tratamento psicológico limitar 18 sessões, diz bacharel em Direito

“É extremamente pouco e ineficaz para qualquer tratamento psicológico limitar 18 sessões em 12 meses”, disse a bacharel em Direito Beatriz Aviz, de 26 anos. Ela tem plano de saúde. E, há uns oito anos, uma única vez conseguiu uma psicóloga pelo plano. E essa profissional a informou sobre a limitação das sessões. Há cinco anos, Beatriz teve depressão e, por causa dessa situação do plano, precisou contratar uma psicóloga particular, com quem seguiu pelos quatro anos seguintes.

“Dezoito sessões em um período de 12 meses (que é o limite que eles impõem) dá basicamente duas sessões a cada mês durante seis meses, e uma por mês pelos próximos seis meses. Quando eu procurei a psicóloga pela primeira vez, foi meu primeiro diagnóstico de ansiedade. Eu não entendi muito bem como funcionava o tratamento. Quando tive depressão, precisei de duas sessões por semana. Quando melhorei, a psicóloga informou que eu poderia ficar apenas uma vez por semana - quando sai da crise da depressão, e precisava de tratamento apenas para ansiedade. Um ano tem 52 semanas”, disse. Ela acrescentou: “Daí a gente já consegue entender porque existem tão poucos profissionais que atendem pelo plano. É uma conta que não fecha nunca. Já cheguei a questionar minha psicóloga sobre a questão do atendimento pelo plano, e ela me explicou que o plano paga pouco. Por isso, os profissionais não querem atender pelo plano”.

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Pará
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