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Barco-hospital leva atendimento a ribeirinhos e resgata tradição histórica da saúde na Amazônia

Projeto Estrela da Manhã amplia acesso à assistência médica em comunidades isoladas de Barcarena e retoma legado iniciado por missionários adventistas na década de 1930

O Liberal
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O acesso à saúde ainda é um desafio para milhares de moradores de comunidades ribeirinhas da Amazônia. Em localidades cercadas por rios e distantes dos centros urbanos, o atendimento médico depende de longas viagens, horas de espera e custos que muitas famílias têm dificuldade de suportar. Em Barcarena, na Região Metropolitana de Belém, uma iniciativa pretende mudar essa realidade levando assistência diretamente às populações isoladas.

O projeto fluvial Estrela da Manhã foi lançado com a proposta de ampliar o acesso à saúde para comunidades ribeirinhas da região. A iniciativa utiliza a embarcação Luzeiro XXXIII como unidade de atendimento e resgata uma tradição histórica da assistência adventista na Amazônia, iniciada ainda na década de 1930.

Barco-hospital leva atendimento a ribeirinhos e resgata tradição histórica da saúde na Amazônia

Na ilha das Onças, o aposentado José dos Santos Prata, de 76 anos, conhece de perto as dificuldades enfrentadas por quem precisa de atendimento médico. Após um acidente que o deixou hospitalizado por três anos, as viagens até Belém se tornaram frequentes. Segundo ele, o deslocamento até a capital pode levar cerca de 50 minutos, enquanto o percurso até Barcarena ultrapassa uma hora. Além da distância, a espera pelo atendimento também pesa na rotina dos moradores.

A filha dele, Ariane, relata que até exames simples durante o pré-natal exigiam múltiplas viagens de barco. “Pra fazer exame, a gente sai da ilha, volta depois de uma semana pra buscar. Tem custo. É difícil”, afirmou.

Desenvolvido pelo Hospital Adventista Belém em parceria com o Instituto Camila, o projeto conta ainda com apoio da Igreja Adventista no Norte do Brasil, da Prefeitura de Barcarena e da Adventist Health Brasil. Segundo o presidente da rede, Gilnei de Abreu, a proposta surgiu da união de esforços voltados ao atendimento das populações mais vulneráveis.

A embarcação funcionará como ponto de atendimento ancorado no complexo portuário de Barcarena. A estrutura ofertará consultas em clínica geral e especialidades como pediatria, ginecologia, cardiologia, ortopedia e dermatologia, além da realização de exames como ultrassonografia, radiologia e eletrocardiograma. O projeto também prevê expedições para comunidades com maior dificuldade de acesso à assistência médica.

O diretor-geral dos Hospitais Adventistas Belém e Barcarena, Ilvo Coutinho, destacou que a iniciativa conecta passado e presente ao ampliar o atendimento especializado para comunidades historicamente afastadas dos serviços de saúde.

A origem desse trabalho remonta a 1931, quando os missionários Leo e Jessie Halliwell criaram a embarcação Luzeiro I para prestar assistência médica e social a populações isoladas da Amazônia. O projeto evoluiu ao longo das décadas e hoje integra uma rede de hospitais, clínicas e ações sociais ligadas à Igreja Adventista.

Além do atendimento médico, os organizadores afirmam que o Estrela da Manhã também pretende oferecer acolhimento e apoio espiritual às comunidades atendidas. Para o diretor espiritual do projeto, pastor Carlos Escopel, a proposta é promover uma assistência integral à população.

O lançamento do barco-hospital coincide com a celebração dos cinco anos do Hospital Adventista Barcarena. Desde a inauguração, a unidade já realizou mais de 183 mil atendimentos e conquistou, em 2024, a acreditação internacional Qmentum Gold, certificação que reconhece padrões de qualidade e segurança hospitalar.

A iniciativa também integra a expansão das Clínicas Adventistas na região, incluindo a nova Clínica Adventista Barcarena. As unidades atuam na atenção primária à saúde, com foco em prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo dos pacientes.

Para os organizadores, a proposta representa um novo modelo de cuidado na Amazônia, aproximando serviços de saúde de comunidades historicamente desassistidas e fortalecendo uma rede baseada em assistência médica, prevenção e compromisso social.

Com informações de Laina Sagica, dos Hospitais Adventistas Belém e Barcarena.

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