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Veja como o dinheiro e a falta dele afetam a felicidade, resolvendo problemas ou causando vergonha

Pesquisas recentes demonstram como as pessoas lidam com estresse dependendo da renda

O Liberal

A máxima diz que dinheiro não traz felicidade (há quem diga que manda buscar), mas um professor da Harvard Business School afirma que sim. Mas quanta felicidade você pode comprar depende de como você gasta seu dinheiro. As informações são da CNN Business e Harvard Business School.

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"Estamos realmente gastando pouco nas coisas que nos deixam mais felizes", diz Michael Norton, professor da Harvard Business School, que pesquisou a ciência dos gastos.

O estudo afirma que as pessoas geralmente ficam mais felizes gastando dinheiro em experiências do que em coisas. Isso mesmo que as experiências sejam temporárias – jantar com um amigo ou férias – enquanto coisas como TVs, computadores e smartphones duram mais.

"Parece estranho que as coisas que desaparecem possam torná-lo mais feliz do que as coisas que duram", disse Norton na conferência do New York Times Dealbook.

Estudos mais recentes reforçam um outro aspecto da influência positiva do dinheiro na vida das pessoas (sabemos que você não precisa ser convencido disso, mas pode entender melhor continuando a ler), e a negativa pela falta dele.

O dinheiro pode fornecer tranquilidade e controle, permitindo superar obstáculos no cotidiano, seja um pequeno incômodo, como evitar uma tempestade pedindo um Uber, ou uma preocupação maior, como lidar com uma conta hospitalar inesperada, diz Jon Jachimowicz, professor da Harvard Business School.

“Se focarmos apenas na felicidade que o dinheiro pode trazer, acho que estamos deixando passar alguma coisa”, diz Jachimowicz, professor-assistente de administração de empresas na Unidade de Comportamento Organizacional da HBS. “Também precisamos pensar em todas as preocupações das quais isso pode nos libertar.”

Mais dinheiro, menos estresse

A ideia de que o dinheiro pode reduzir o estresse na vida cotidiana e tornar as pessoas mais felizes afeta não apenas os pobres, mas também os americanos mais ricos que vivem no limite de seus meios em uma economia instável. De fato, em 2019, um em cada quatro americanos enfrentou escassez financeira, de acordo com o Conselho de Governadores do Federal Reserve System. As descobertas são particularmente importantes agora, pois a inflação afeta a capacidade de muitos americanos de atender às necessidades básicas, como alimentos e gás, e a covid-19 continua a atrapalhar o mercado de trabalho. O mesmo pode ser dito no Brasil, com uma classe média pressionada e muita gente sem poder ao menos acender da classe D para a C.

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Conselhos do pai

A inspiração para pesquisar como o dinheiro alivia as dificuldades veio de conselhos dados pelo pai de Jachimowicz. Depois de anos vivendo como estudante de pós-graduação em dificuldades, Jachimowicz recebeu a nomeação na HBS e a estabilidade financeira foi junto.

“Meu pai me disse: 'Você vai ter que aprender a gastar dinheiro para resolver problemas'.” A ideia ficou com Jachimowicz, fazendo com que ele pensasse de forma diferente até mesmo sobre os infortúnios diários que todos enfrentamos.

Para testar a relação entre dinheiro e satisfação com a vida, Jachimowicz e seus colegas da Universidade do Sul da Califórnia, da Universidade de Groningen e da Columbia Business School conduziram uma série de experimentos, descritos em um artigo publicado na revista Social Psychological and Personality Science, Os picos agudos da pobreza: a escassez financeira está relacionada a níveis mais altos de intensidade de angústia na vida diária.

Pobres e ricos têm a mesma quantidade de estresse?

Em um estudo, 522 participantes mantiveram um diário por 30 dias, rastreando eventos diários e suas respostas emocionais a eles. A renda dos participantes no ano anterior variou de menos de US$ 10.000 a US$ 150.000 ou mais. Eles encontraram:

O dinheiro reduz o estresse intenso: não houve diferença significativa na frequência com que os participantes experimentaram eventos angustiantes – independentemente de sua renda, eles registraram um número semelhante de frustrações diárias. Mas aqueles com renda mais alta experimentaram menos intensidade negativa desses eventos.

Mais dinheiro traz maior controle: aqueles com renda mais alta sentiram que tinham mais controle sobre eventos negativos e esse controle reduziu seu estresse. As pessoas com rendas amplas sentiam-se mais livres para lidar com quaisquer aborrecimentos que pudessem surgir.

Rendas mais altas levam a uma maior satisfação com a vida: pessoas com renda mais alta geralmente estavam mais satisfeitas com a vida.

“Não é que as pessoas ricas não tenham problemas”, diz Jachimowicz, “mas ter dinheiro permite que você resolva problemas e os resolva mais rapidamente”.

Por que o dinheiro é importante?

Em outro estudo, os pesquisadores apresentaram a cerca de 400 participantes dilemas diários, como encontrar tempo para cozinhar as refeições, locomover-se em uma área com transporte público precário ou trabalhar em casa com crianças em espaços apertados. Eles então perguntaram como os participantes resolveriam o problema, usando dinheiro para resolvê-lo ou pedindo ajuda a amigos e familiares. Os resultados mostraram:

As pessoas confiam na família e nos amigos independentemente da renda: Jachimowicz e seus colegas descobriram que não havia diferença na frequência com que as pessoas sugeriam pedir ajuda a amigos e familiares – por exemplo, pedindo carona a um amigo ou pedindo ajuda a um membro da família com creche ou jantar.

Dinheiro é a resposta para quem tem dinheiro: quanto maior a renda de uma pessoa, maior a probabilidade de sugerir dinheiro como solução para um aborrecimento, por exemplo, chamando um Uber ou pedindo comida.

Não é novidade, mas abre caminhos

Embora tais resultados possam ser esperados, diz Jachimowicz, as pessoas podem não considerar até que ponto os problemas diários que todos enfrentamos criam mais estresse para indivíduos sem dinheiro – ou a maneira como a falta de dinheiro pode sobrecarregar as relações sociais se as pessoas estão sempre pedindo à família e amigos para obter ajuda, em vez de usar seu próprio dinheiro para resolver um problema.

“A questão é, quando os problemas surgem em seu caminho, até que ponto você sente que pode lidar com eles, que pode caminhar pela vida e saber que tudo vai ficar bem”, diz Jachimowicz.

Quebrando a “espiral da vergonha”

Em outro artigo recente, Jachimowicz e colegas descobriram que as pessoas que passam por dificuldades financeiras sentem vergonha, o que as leva a evitar lidar com seus problemas e muitas vezes os agrava. Essas “espirais de vergonha” decorrem de uma percepção de que as pessoas são culpadas por sua própria falta de dinheiro, e não por fatores ambientais e sociais externos, diz a equipe de pesquisa.

Normalizamos essa ideia de que quando você é pobre, a culpa é sua e, portanto, você deveria se envergonhar disso”, diz Jachimowicz. “Ao mesmo tempo, estruturamos a sociedade de uma maneira que torna muito difícil para as pessoas pobres.”

Por exemplo, diz Jachimowicz, o transporte público é muitas vezes inacessível e caro, o que afeta pessoas que não podem comprar carros, e as políticas de atraso no trabalho muitas vezes penalizam as pessoas na extremidade mais baixa da escala salarial. Mudar essas estruturas profundamente arraigadas – e a maneira como muitos de nós pensamos sobre as dificuldades financeiras – é crucial.

Afinal, a sociedade pode sentir os efeitos em cascata das dificuldades financeiras que algumas pessoas enfrentam, uma vez que a tensão financeira está ligada a um menor desempenho no trabalho, problemas com a tomada de decisões de longo prazo e dificuldade com relacionamentos significativos, diz a pesquisa. Em última análise, Jachimowicz espera que seu trabalho possa levar a pensar sobre mudanças sistêmicas.

“As pessoas que são pobres devem sentir que também têm algum controle sobre suas vidas. Por que isso é um luxo que só damos a pessoas ricas?”, diz Jachimowicz. “Temos que estruturar organizações e instituições para capacitar a todos.”

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