Quase 60 mil prédios foram danificados pelos terremotos na Venezuela
Estimativa baseada em imagens de satélite indica destruição muito maior do que a divulgada pelo governo; EUA anunciam novo pacote de ajuda humanitária
Um levantamento realizado por pesquisadores das universidades Estadual do Oregon e da Cidade de Nova York aponta que 58.870 prédios e estruturas foram danificados ou destruídos pelos terremotos que atingiram a Venezuela na última semana. A estimativa foi feita com base em imagens de satélite captadas um dia após os tremores, que chegaram a 7,5 de magnitude. A maior parte dos danos foi registrada em La Guaira, cidade que concentra o maior número de vítimas e desaparecidos.
O número contrasta com os dados divulgados pelo governo venezuelano, que fala em "centenas" de edificações atingidas. Segundo os pesquisadores, a projeção também não considera os mais de 430 tremores secundários registrados desde o desastre, o que pode elevar ainda mais o total de estruturas afetadas.
Até o momento, o governo da Venezuela confirma 1.450 mortes. No entanto, especialistas avaliam que o número real de vítimas pode ser significativamente maior, já que milhares de pessoas continuam desaparecidas sob os escombros.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 50 mil pessoas seguem desaparecidas. Especialistas afirmam que a confirmação do número total de mortos pode levar semanas ou até meses devido às dificuldades nas operações de busca.
A infraestrutura do país também tem dificultado os trabalhos de resgate. Após anos de crise econômica, há escassez de máquinas pesadas e equipamentos essenciais para remover os escombros. Além disso, hospitais operam acima da capacidade, enquanto diversas unidades de saúde ficaram inutilizadas após os terremotos.
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 680 mil crianças precisam de assistência humanitária, e mais de 400 escolas foram destruídas.
Nesta segunda-feira (29), o governo dos Estados Unidos anunciou um novo pacote de ajuda humanitária de US$ 150 milhões para apoiar a resposta à tragédia. Com o novo aporte, o total da assistência americana ao país dobrou desde o desastre.
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