Câmara deve aprovar impeachment de Trump nesta quarta-feira

No segundo impeachment que enfrentará, Trump será acusado de "incitar a insurreição"

Redação, O Estado de S.Paulo - AE

Após o vice-presidente americano, Mike Pence, ignorar o prazo dado pelos democratas para invocar a 25.ª Emenda da Constituição para afastar Donald Trump do cargo, os Estados Unidos caminham hoje para um inédito segundo processo de impeachment contra um presidente. O processo deve ser aprovado.

O pedido dos democratas era uma forma de pressionar Pence a afastar o presidente de forma menos burocrática. Seria uma resolução mais rápida do que enfrentar todos os prazos e trâmites do Congresso logo no início do mandado de Joe Biden. Certo de que seus aliados não cederiam, Trump afirmou ontem no Texas - onde visitou um trecho do muro na fronteira com o México - que a chance de invocarem a 25.ª Emenda contra ele era "zero".

Segundo o presidente, a possibilidade de um segundo impeachment era "absolutamente ridícula" e uma "caça às bruxas". Trump não mostrou arrependimento por instigar a multidão que invadiu o Capitólio dizendo que seus comentários em um comício pouco antes do ataque eram "totalmente apropriados" (mais informações nesta página).

No segundo impeachment que enfrentará, Trump será acusado de "incitar a insurreição". Na Câmara, uma maioria simples de 218 votos é suficiente para aprovar o pedido - ou menos, se houver ausências no plenário. Os democratas contam com 222 cadeiras. No entanto, mesmo que a Câmara aprove o impeachment, a Constituição dos EUA diz que o processo para tirar o presidente do cargo também deve ser votado pelo Senado.

Para afastar Trump da Casa Branca é preciso o voto de dois terços dos senadores. Para tanto, seria necessário que 17 senadores republicanos votem a favor da remoção. De acordo com o New York Times, os líderes republicanos da Câmara decidiram não fazer lobby para derrubar o pedido de impeachment. Para analistas, trata-se de um sinal de ruptura com o presidente, que luta para obter apoio em suas fileiras para a votação de hoje.

Embora o deputado Kevin McCarthy da Califórnia, o líder da minoria na Câmara, tenha dito que se oporia ao impeachment e buscaria orientar os republicanos em uma direção diferente, sua decisão de não exigir que os demais votem contra a medida constituiu uma mudança de comportamento com relação ao primeiro processo de destituição contra Trump, que não passou pelo Senado em 2019. Da primeira vez, McCarthy e os líderes da Câmara pressionaram os republicanos para apoiar o presidente em quase todas as questões.

No Senado, um grande aliado do presidente até a semana passada, o senador Mitch McConnell, líder republicano na Casa, também se recusou a defender Trump contra o impeachment. Segundo o New York Times, que cita conversa com assessores próximos aos congressistas, pelo menos 12 senadores republicanos estariam pensando em apoiar o processo de destituição.

No entanto, segundo reportagem do site The Hill, parte dos legisladores republicanos ainda teme que um voto pelo impeachment possa prejudicar seus planos em futuras eleições primárias - a ação não seria bem vista pelos eleitores do presidente -, mesmo achando que Trump tem culpa pelo motim no Capitólio.

Aliados do republicano, conforme The Hill, reconhecem que seu poder político diminuiu, mas avaliam que um Trump enfraquecido ainda mantém uma enorme influência sobre os conservadores fora de Washington, com muitos acreditando nas mentiras divulgadas por ele de que a eleição foi roubada.

O site Politico noticiou ontem que a organização de republicanos Defending Democracy Together, que engloba grupos que fizeram campanha contra o presidente, prometeu arrecadar US$ 50 milhões (R$ 266 milhões) para ajudar legisladores do partido que votarem a favor do impeachment. A quantia, segundo eles, será usada em futuras campanhas que eles queiram participar. "Nós queremos dizer a qualquer republicano que votar pelo impeachment ou remoção de Donald Trump: Você não estará sozinho", disse Bill Kristol, um líder conservador crítico de Trump.

Ontem, o Estado-Maior Conjunto, órgão do Pentágono formado pelos principais líderes militares, emitiu comunicado para todo o Exército dos EUA, condenando o ataque ao Capitólio e afirmando que Biden se tornará o "46.º comandante-chefe das Forças Armadas em 20 de janeiro". No documento, o grupo disse que os militares permanecem comprometidos em proteger e defender a Constituição "contra todos os inimigos estrangeiros e domésticos".

Em sua primeira declaração pública após a invasão do Capitólio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem que o processo de impeachment instaurado contra ele na Câmara é "ridículo" e afirmou que a medida despertou "uma raiva tremenda" nos EUA. "Esta é realmente a continuação da maior caça às bruxas da história. É ridículo, é absolutamente ridículo. Este impeachment está causando uma raiva tremenda."

O presidente republicano disse que seu discurso a apoiadores antes do ataque à sede do Congresso foi "apropriado". "As pessoas acharam que o que eu disse era totalmente apropriado", disse Trump, na Base Andrews, a caminho de Alamo, no Texas, onde visitou o muro da fronteira com o México. 

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