Guerra na Ucrânia é insensata, mas acordo está distante, diz Rubio
O secretário fez referência ao impasse nas negociações mediadas pelos EUA
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo americano está pronto para ajudar a encerrar a guerra na Ucrânia. Ele ressaltou, contudo, que não há um caminho rápido para um acordo de paz. A diplomacia exige esforço contínuo e novas ideias.
Rubio, que se reuniu com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, enfatizou a necessidade de incentivos para Moscou e Kiev. O objetivo é finalizar um conflito que tem devastado ambos os lados. As negociações mediadas pelos EUA foram classificadas como "malsucedidas ou, pelo menos, improdutivas" até o momento.
Mesmo assim, o presidente americano, Donald Trump, mantém seu compromisso com os esforços diplomáticos. Esta postura prevalece "se as condições e os fatores tiverem mudado a ponto de tornar isso possível", conforme Rubio. Ele disse que o desafio é "chegar a um desfecho que ambos os lados possam aceitar".
Diplomacia complexa e focos internacionais
"Nós tentamos e continuaremos tentando encontrar um meio-termo que torne isso possível. E estamos preparados para desempenhar esse papel, se surgir a oportunidade", declarou Rubio a jornalistas. O secretário se reuniu com Lavrov e diversos outros líderes, incluindo o ministro das Relações Exteriores da China.
Estes encontros ocorreram à margem da reunião anual dos chanceleres da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Manila. Rubio afirmou que Washington continua concentrado na Ásia. Isso ocorre mesmo enquanto intensifica o confronto com o Irã e busca solução para a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Os três dias de reuniões a portas fechadas focaram na escalada da guerra no Oriente Médio e nas tensões no Mar do Sul da China. "Sempre haverá a preocupação de que os EUA estejam tão concentrados em um lugar que não consigam dar atenção a outro", disse Rubio. Ele garantiu, porém, o engajamento diário dos EUA na Ásia.
Posições divergentes entre Rússia e EUA
Após a reunião com Rubio, Lavrov ignorou as perguntas dos jornalistas. Em Moscou, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que o chanceler enfatizou a Rubio "a inaceitabilidade de um novo fornecimento de armas" à Ucrânia. A pasta também acusou países europeus de buscarem a "derrota estratégica" russa.
Segundo o ministério, Lavrov reiterou a disposição da Rússia para uma "solução política e diplomática para o conflito". Ele também reafirmou o compromisso com acordos firmados durante a cúpula entre o presidente russo, Vladimir Putin, e Trump, realizada no Alasca no ano anterior.
Rubio, por sua vez, afirmou que será necessário apresentar "novas propostas e novas ideias" aceitáveis para ambos os lados. O objetivo é viabilizar um acordo de paz para a Ucrânia. Ele acrescentou que o apoio militar de Washington ao país não sofreu mudanças.
As armas continuam sendo compradas por aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e transferidas para a Ucrânia. Este fornecimento é crucial para o país devastado pela guerra, segundo o secretário americano.
Guerra com o Irã ofusca esforços de paz
Os esforços dos EUA para intermediar o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia foram ofuscados pelo início da guerra com o Irã. O conflito com Teerã começou no início deste ano e tem visto ataques se intensificarem após o colapso de um cessar-fogo provisório.
"O preço continuará aumentando a cada noite até que eles recuperem o bom senso", disse Rubio sobre o Irã. Segundo ele, Teerã está "implorando" por negociações. No entanto, Trump não vê utilidade em responder, pois o Irã "não está pronto para fechar um acordo".
Trump advertiu o Irã de que os EUA destruirão uma ponte ou uma usina de energia iraniana a cada ataque no Estreito de Ormuz. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a doutrina de defesa segue o princípio de "olho por olho".
"A política do presidente é cabeça por olho", disse Rubio. Ele enfatizou que "eles pagarão um preço muito alto pelo que estão fazendo", referindo-se às ações do Irã.
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