Ex-Remo abre caixão, encontra corpo desconhecido e descobre erro médico: 'Minha avó está viva'

Maria Conceição Silva de Oliveira, de 69 anos, foi dada como morta, mas continua viva e internada no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos

Carlos Fellip

Um susto macabro! O ex-zagueiro de Remo, Tuna e Castanhal, Bruno Oliveira, levou a vó, Maria Conceição Silva de Oliveira, de 69 anos, para ser atendida no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Icoaraci, distrito de Belém. Um dia depois, recebeu a notícia de que a idosa que o criou como mãe teria morrido. Um corpo foi enviado em caixão fechado para ser velado na sala da casa da família. Inconformado, Bruno abriu o caixão e descobriu que o cadáver era de outra pessoa. A avó do ex-defensor está viva.

ATENDIMENTO

"Na quinta-feira, entramos com a minha avó no Hospital Abelardo Santos e ela estava bem conversando com a gente. Só a levamos porque estava se alimentando mal e sentindo dor no corpo. Entramos com ela às 19h, com a senha 350. O atendimento foi às 22h, com um médico cubano, que pediu exame do pulmão e a internou porque ela estava amarela. Ficamos sem informação sobre o estado de saúde dela. Na sexta, voltamos às 9h e não achavam nem o cadastro da minha avó. Já às 14h30, uma enfermeira pegou a identidade dela e voltou dizendo que ela tinha morrido", relatou.

A notícia sobre a morte de Maria Conceição foi rapidamente espalhada pela família, que se organizou para realizar o velório dentro de casa, em meio ao trauma de - até então - ter perdido a matriarca.

Atestado de óbito de Maria Conceição Silva de Oliveira foi emitido às 3h10 de sexta-feira, mas a família teria deixado o hospital às 3h30 com informação de que a idosa estava viva (Arquivo pessoal)

"Cheguei em casa e todos estavam chorando. Minha esposa e meu tio voltaram para o hospital para pegar o atestado de óbito e mandaram um corpo. A funerária colocou o caixão na sala de casa. Muitas pessoas chorando, uma tia minha passou mal e eu estava sem acreditar que minha avó tinha morrido, porque eu que fui deixá-la no hospital. Ela estava bem", reforçou.

SONHO E REVELAÇÃO

Em meio às idas e vindas e à tristeza, Bruno Oliveira dormiu brevemente e sonhou com a avó viva no hospital. "Acordei certo de que minha avó não estava dentro daquele caixão. Eu fui tentar abri-lo, mas os funcionários da funerária disseram que não podia tocar nele por conta do risco de contaminação. Tinham passado um produto forte no caixão. Mas não me conformei. Pedi luvas, minha esposa levou pra mim e, com a ajuda de um tio, retiramos a tampa. Foi quando vimos outra senhora lá dentro. Uma tia desmaiou por conta do susto", relembrou.

A polícia foi acionada pela família e o corpo enviado de forma errada levado novamente pela funerária para o hospital. Até este domingo (3), Bruno disse que não se tem informação sobre a identidade da tal idosa. "Perguntamos e nenhum familiar dela apareceu pelo hospital", disse.

VERIFICAÇÃO DE CORPOS

"Voltamos para o hospital junto com o carro da funerária na sexta-feira e demoraram a acreditar no que tinha acontecido. Depois que admitiram o erro humano, me levaram para dentro de uma sala com 25 corpos. Eu dizia que minha avó estava viva, mas não acreditavam em mim. Tive que vestir uma roupa especial e ver corpo por corpo", contou ainda em tom de revolta.

Depois de constatar que Maria Conceição não integrava o grupo de mortos, Bruno foi levado a outra sala que tinha mais dez cadáveres e, após nova verificação, implorou aos gritos para ser levado aos leitos do pacientes. "Um médico ainda disse assim: 'Meu filho, são 125 leitos'. Eu respondi: 'Não tenho pressa, doutor'".

No entanto, o mesmo médico lembrou que alguns corpos tinham sido encaminhados momento antes para o CPC (Centro de Perícias Científicas) Renato Chaves. "Viram a lista dos mortos e viram que tinha duas idosas. Queriam me mandar para ver corpo de novo. Eu recusei e me desesperei. Foi quando uma enfermeira se sensibilizou e me levou a uma sala para verificação dos leitos", disse.

REENCONTRO COM A AVÓ

Dentro de uma sala que tinha contato com todos os leitos do hospital, a enfermeira conseguiu encontrar o registro de internação de Maria Conceição no sistema interno do hospital. A avó de Bruno Oliveira tinha sido colocada no leito 602, localizado no sexto andar.

"Achei impressionante como, depois de verem que tinham errado, conseguiram encontrar o nome da minha avó tao rápido. A enfermeira ligou para o andar e confirmou o leito estava ocupado por uma senhora. Ela me levou ao local e eu já tinha certeza que era a minha avó. Quando chegamos lá, a encontrei dormindo, calma e tranquila", falou emocionado.

Após vários pedidos de desculpa de todos os envolvidos no caso, Bruno Oliveira e a família deixaram o local. Neste domingo (3), retornaram para acompanhar o estado de saúde da idosa.

"Ela está bem. Foi colocada numa ala de pediatria, tomando medicação para aliviar o pulmão de um trauma que ela sofreu no exame que foi feito lá dentro do hospital mesmo e já está se alimentando melhor. Só que segue no soro para se manter forte. Temos fé que logo, logo ela receberá alta", exclamou.

BRUNO OLIVEIRA

Aos 30 anos, Bruno Oliveira conta que segue sem sintomas após a exposição a qual foi submetido na abertura do caixão e na verificação de corpos de vítimas da covid-19. Apesar da idade, o ex-zagueiro está aposentado há cinco anos e conta que a decisão de parar precocemente foi por conta de dificuldades financeiras.

Bruno Oliveira [quarto jogador em pé da esquerda para a direita] em ação pelo Remo (Arquivo pessoal)

"Parei aos 25 anos porque tinha que alimentar esposa e filho e convivia com muitos salários atrasados. Precisava colocar comida em casa, então larguei o futebol e fui trabalhar na área de serviços gerais em uma empresa que prestava atendimento ao Tribunal de Contas do Estado", relatou.

Por conta da pandemia, porém, a empresa demitiu vários funcionários, inclusive Bruno, que fez um apelo: "Tenho consciência da minha idade, mas tenho certeza que ainda tenho condições para o futebol. Neste momento, estou desempregado e preciso sustentar minha família. Estou em busca de uma oportunidade".

Bruno Oliveira [primeiro jogador em pé da esquerda para a direita] foi peça importante na Tuna (Arquivo pessoal)

Cria das categorias de base do Remo, Bruno foi profissionalizado em 2008 e ficou no clube até o ano seguinte. Em 2010, foi titular na campanha do acesso da Tuna no estadual e peregrinou por clubes como Castanhal, Vila Rica, Ananindeua, Princesa dos Solimões (AM), Oratório (AP), Santos (AP), Ypiranga (AP) e, por último, em 2015, jogou pelo Tapajós. 

OUTRO LADO

A reportagem da Redação Integrada de O Liberal solicitou nota de posicionamento à Sespa (Secretaria de Estado de Saúde) sobre o caso ocorrido no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos e aguarda retorno.

Remo
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