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Remo na Série A provoca disputa milionária nos bastidores da Libra

Contrato com a Globo não previa novo clube na elite, e Flamengo lidera pressão por reajuste nas cotas de transmissão

O Liberal

A ascensão do Clube do Remo à primeira divisão criou uma situação desconfortável para os membros da Libra, a Liga do Futebol Brasileiro, que negocia em bloco, em nome dos clubes participantes, os direitos de transmissão e as cotas de premiação. Conforme apuração do jornalista Rodrigo Mattos, da UOL, a entrada do clube paraense na Série A força a redução da cota estabelecida em contrato firmado entre a Liga e a detentora dos direitos de transmissão. Com isso, clubes como o Flamengo, que detém a maior fatia, contestam a diminuição dos valores.

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No total, o contrato entre a Libra e a Globo prevê a distribuição de R$ 1,170 bilhão entre os afiliados da primeira divisão, que até o ano passado eram nove clubes. O acesso azulino escancarou uma falha contratual, que não previa a entrada de um novo clube na elite, apenas a saída. Se o caminho fosse inverso e um clube fosse rebaixado da Série A para a Série B, o valor distribuído sofreria uma redução de 11%. A hipótese contrária, no entanto, acabou ignorada — e foi justamente o que aconteceu.

Diante do embaraço jurídico, os clubes da Libra (Palmeiras, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino, Flamengo, Bahia, Vitória, Grêmio e Atlético-MG, com exceção do Remo) bateram o pé e exigiram o aumento do valor total, por entenderem que a fatia do bolo será menor do que a prevista. Dono da maior cota, o Flamengo encabeçou a insatisfação e pediu um reajuste para R$ 1,3 bilhão, mais inflação, garantindo que ninguém saia no prejuízo — nem mesmo o Clube do Remo.

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Para fins de comparação, no ano passado, o Red Bull Bragantino foi um dos clubes com menor participação, recebendo algo em torno de R$ 95 milhões. Para que o Remo receba aproximadamente R$ 90 milhões, o clube paulista teria de perder cerca de R$ 10 milhões em suas receitas anuais, já que a audiência é um dos fatores determinantes para o valor final. Caso o Leão Azul surpreenda e alcance boas médias de audiência e uma colocação final relevante, essa redução ao Red Bull tende a ser ainda maior.

Um detalhe interessante é que, antes do “estouro da bomba”, o próprio Flamengo já havia antecipado preocupação com esse possível cenário, mas, em fevereiro de 2025, sequer foi ouvido. Após pressionar a cúpula da Libra, o Rubro-Negro carioca recebeu uma resposta que caiu como um balde de água fria: a Globo possui um contrato assinado que não a obriga a pagar mais. A partir daí, dois cenários passaram a movimentar os bastidores do futebol.

Um deles é a assinatura de um aditivo contratual incorporando o Clube do Remo ao grupo. Na outra ponta da corda estaria o Flamengo, que possivelmente se nega a assinar o aditivo, sob o argumento de que só o fará após a revisão dos valores de transmissão com a Globo. Atualmente, do montante destinado aos clubes da Série A, 40% são distribuídos de forma igualitária, 30% por performance esportiva e 30% com base no percentual de torcedores de cada clube cadastrados como assinantes.