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Do acesso histórico à frustração: Remo acumula tropeços e vê 2026 escapar do controle

Eliminação precoce, derrota no clássico e campanha frágil na Série A expõem limites de um elenco que ainda busca se encontrar

O Liberal

A temporada de 2026 do Clube do Remo caminha entre a compreensão e a frustração. De um lado, o contexto: retorno à Série A após 31 anos, orçamento inferior ao dos concorrentes e um calendário que não dá trégua. Do outro, os resultados: abaixo do esperado, mesmo considerando as limitações. O que se vê, até aqui, é um time que não conseguiu sustentar o embalo do acesso histórico de 2025.

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Os números ajudam a dimensionar o cenário. Em 26 partidas disputadas no ano, somando Supercopa Grão-Pará, Parazão, Copa Norte e Campeonato Brasileiro, o Remo venceu apenas seis vezes. Foram três vitórias no estadual, uma na Copa Norte, uma na Supercopa e apenas uma na Série A — desempenho que explica a presença na zona de rebaixamento, com cinco derrotas e cinco empates em 11 rodadas.

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O primeiro sinal de alerta veio ainda no Campeonato Paraense. Mesmo com campanha bem abaixo do esperado — três vitórias em dez jogos — o time chegou à final, mas não conseguiu competir em igualdade com o rival Paysandu, o que pode ser considerada a primeira grande decepção do ano. Nos clássicos decisivos, já com a equipe principal em campo, o Remo foi dominado por um adversário que disputa a Série C e utilizava, em grande parte, jogadores que até na temporada passada estavam na base bicolor. A perda do título, nesse contexto, ampliou a sensação de desequilíbrio.

Na sequência, a Copa Norte aprofundou a percepção de instabilidade. Tratada como secundária dentro do planejamento, a competição foi disputada com formações alternativas em boa parte dos jogos. Ainda assim, mesmo quando recorreu a jogadores do time principal, o desempenho não evoluiu, o que começou a frustrar o torcedor azulino novamente. O empate em casa com o Monte Roraima e a derrota de virada para o Águia de Marabá, que selou a eliminação antecipada, evidenciaram dificuldades que vão além da escolha de escalação.

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A leitura externa também mudou. Parte da torcida, que relativizava os resultados pelo contexto, passou a demonstrar impaciência. As vaias no intervalo do empate com o Vasco, no Mangueirão, indicam uma ruptura gradual entre expectativa e entrega em campo. Mesmo sendo poupados, os jogadores do time principal ficam devendo, no entendimento do torcedor. Internamente, surgem questionamentos sobre intensidade e competitividade, especialmente em jogos da Copa Norte, onde houve a percepção de menor mobilização.

No Campeonato Brasileiro, o desafio já era conhecido, mas se mostrou mais duro na prática. Com investimento pouco superior a R$ 10 milhões em reforços — um dos menores da elite —, o Remo enfrenta adversários com estruturas mais robustas. Ainda assim, a campanha não é irreversível. A equipe está inserida em um bloco de clubes próximos na tabela, onde uma sequência positiva pode alterar rapidamente o cenário.

As mudanças fora de campo também fazem parte da equação. A temporada foi marcada por trocas no comando executivo e na comissão técnica, fatores que impactam diretamente a construção de um padrão de jogo e de gestão esportiva.

Eliminado da Copa Norte e com o estadual já encerrado, o Remo passa a concentrar praticamente todas as atenções na Série A — além dos dois confrontos pontuais pela Copa do Brasil. Sem a divisão de foco, certamente a cobrança da torcida será maior e qualquer tropeço pode causar uma crise no Baenão.