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Plano de Recuperação Judicial do Paysandu propõe corte de 85% nas dívidas e pagamento em até 10 anos

Núcleo de Esportes de O Liberal teve acesso ao plano do Papão que foi apresentado à Justiça na semana passada.

Caio Maia e Luiz Guilherme Ramos
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O Paysandu apresentou à Justiça um plano de recuperação judicial que prevê cortes expressivos nas dívidas e prazos longos para pagamento dos credores. O documento, obtido pelo Núcleo de Esportes de O Liberal, foi protocolado na última quinta-feira (23), dentro do prazo legal após a abertura do processo, e propõe descontos que podem chegar a 85% do valor devido, com quitação em até dez anos.

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A estratégia adotada pelo clube tem foco no longo prazo e busca aliviar o caixa no momento mais crítico. Em alguns casos, o plano prevê carência de até três anos antes do início dos pagamentos, medida que indica a tentativa de criar fôlego financeiro para viabilizar a reestruturação administrativa e esportiva.

As condições variam conforme o tipo de credor. Para dívidas trabalhistas — que envolvem jogadores, ex-atletas e funcionários — o Paysandu propõe reduzir os débitos pela metade e quitá-los em até um ano. Já para credores sem garantia ou com garantia real, como fornecedores e instituições financeiras, a proposta é mais agressiva: desconto de até 85%, com início do pagamento apenas após o período de carência de três anos e parcelamento ao longo de uma década.

O plano também prevê a chamada “novação” das dívidas, mecanismo legal que substitui os débitos antigos por novas condições de pagamento após a eventual aprovação do documento. Na prática, todas as obrigações incluídas no processo passariam a seguir as regras estabelecidas no plano.

Na justificativa apresentada à Justiça, o clube atribui a crise a um desequilíbrio financeiro acumulado ao longo dos anos, agravado por oscilações esportivas e mudanças no modelo econômico do futebol brasileiro. O Paysandu reconhece que operou, em diversos momentos, com despesas superiores às receitas, muitas vezes sustentado por expectativas de ganhos futuros — como acessos de divisão — que não se concretizaram de forma consistente.

image Paysandu sustenta que há viabilidade econômica para a recuperação (Ronaldo Santos / Arquivo Paysandu)

O documento também destaca o impacto da recente queda para a Série C no orçamento, com redução de receitas provenientes de televisão, patrocínios e premiações. Paralelamente, o passivo seguiu em crescimento, incluindo dívidas trabalhistas, cíveis e fiscais, muitas já em fase de cobrança judicial.

Apesar do cenário, o clube sustenta que há viabilidade econômica para a recuperação. Entre os principais argumentos estão a força da torcida, considerada o maior ativo institucional, a manutenção de receitas operacionais e a adoção de medidas internas voltadas à redução de custos e à profissionalização da gestão.

O sucesso do plano, no entanto, depende da aprovação dos credores, que precisarão aceitar abrir mão de parte significativa dos valores devidos. Após a apresentação, há prazo para análise das condições e, em caso de objeções, poderá ser convocada uma assembleia para deliberação. Se aprovado, o plano passa a reger oficialmente o pagamento das dívidas.

Entenda o caso

A recuperação judicial do Paysandu foi decretada no dia 20 de fevereiro e prevê um período de 180 dias de suspensão das execuções de dívidas. Nesse intervalo, o clube deve estruturar e seguir o plano apresentado.

Ao todo, o passivo gira em torno de R$ 75 milhões. Desse montante, mais de R$ 15 milhões correspondem a dívidas trabalhistas. O restante inclui débitos com entes públicos — União, Estado e Município — além de obrigações comuns, sem garantia real, como aportes e doações. Um dos casos citados é o do ex-presidente Roger Aguilera, que investiu cerca de R$ 12 milhões no clube e já declarou não ter intenção de cobrar esses valores.

O processo não tramita em sigilo, o que permite o acompanhamento público por torcedores e interessados. Entre as exigências impostas pela Justiça, o Paysandu deverá apresentar relatórios financeiros mensais até o dia 15 de cada mês. Já os credores deverão formalizar habilitações ou divergências por meio de procedimentos específicos, conforme editais que ainda serão publicados com a relação oficial.

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