Paysandu aposta em gestão responsável para voltar ao topo do futebol brasileiro
Reorganização administrativa, valorização da base e equilíbrio financeiro marcam o início da reconstrução bicolor após temporada difícil
A chegada do advogado Márcio Tuma à presidência do Paysandu Sport Club, em dezembro de 2025, marcou o início de um processo que o clube trata como reconstrução. Ele assumiu o comando bicolor após a renúncia de Roger Aguilera, de quem era vice-presidente. Em pouco mais de dois meses à frente do clube, Tuma já conquistou o título de campeão paraense, resultado que ajudou a recuperar a confiança da torcida após uma temporada difícil.
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Para o dirigente, o momento vivido pelo Paysandu é fruto de uma mudança de mentalidade dentro da instituição, com foco em responsabilidade administrativa e planejamento de longo prazo. Mesmo estando à frente do clube há cerca de três meses, Tuma avalia positivamente o trabalho desenvolvido até o momento.
“Eu faço um balanço positivo em razão de termos conseguido reconquistar a confiança da torcida, muito trabalho demonstrado até agora, com a oportunidade que a gente deu para os jovens talentos da nossa base e com o lema que vem sempre em primeiro lugar de responsabilidade administrativa e financeira para fazermos o Paysandu crescer de forma sustentável e equilibrada, para que ele possa avançar rumo à elite do futebol brasileiro, da qual ele nunca deveria ter saído.”
O presidente observa, no entanto, que a temporada passada, embora caótica dentro de campo, deixou lições importantes para o clube. Segundo ele, o desempenho abaixo do esperado acabou expondo problemas estruturais que precisavam ser enfrentados.
“O ano passado foi um ano muito traumático, mas também foi um ano de aprendizado. Sem dúvida a gente aprende mais nas derrotas do que nas vitórias. As vitórias também podem acobertar problemas internos, e quando você tem um período de derrotas, toda a sua sistemática interna fica exposta.”
A partir desse diagnóstico, a atual gestão decidiu implantar um modelo administrativo baseado em equilíbrio financeiro, valorização da base e investimentos graduais na estrutura do clube.
“O que estou fazendo aqui é implantar um modelo de gestão em que eu acredito. Independentemente da situação financeira do Paysandu, seria esse o modelo proposto: um modelo sustentável, em que receitas e despesas precisam se equilibrar e em que a base tenha oportunidade. Esses atletas podem nos ajudar no desempenho esportivo e também se tornar ativos importantes para o clube.”
Para Tuma, a recuperação administrativa e o rendimento dentro de campo caminham juntos. Na visão do dirigente, não existe separação entre as duas áreas.
“Na minha percepção, o Paysandu não vive duas recuperações. Uma está interligada com a outra. Quando a bola entra no gol do adversário, é porque a retaguarda também está dando todo o suporte. O equilíbrio das finanças é parte necessária da recuperação do clube dentro dos gramados.”
O caso da recuperação judicial, vale lembrar, tem sido um dos maiores — senão o maior — desafios da história recente do clube, ao escancarar anos de gestões amadoras, reflexo de um modelo de administração que marcou o futebol paraense por muito tempo. Hoje, o Papão tem débitos que ultrapassam os R$ 75 milhões e dispõe de um prazo de 180 dias para apresentar um plano de pagamento.
Sobre o processo, Tuma afirmou anteriormente que a recuperação judicial foi uma medida necessária para que o clube tivesse fôlego financeiro enquanto organiza suas dívidas, sem pôr em risco o andamento do futebol. Esse equilíbrio administrativo, segundo ele, é fruto de um trabalho coletivo, feito a várias mãos.
“Os resultados que colhemos até agora são fruto de um trabalho de grupo. É uma união de propósitos feita por mim, pelos vice-presidentes, pela diretoria, pela comissão técnica, pelos atletas e por todos os empregados do clube. Essa soma de esforços possibilitou colher frutos de maneira tão precoce.”
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Parte desse processo também passa pela valorização das categorias de base, que vêm ganhando espaço cada vez maior no elenco profissional. A atual comissão técnica tem papel fundamental nessa estratégia, já que compartilha da mesma filosofia de trabalho implantada pela diretoria.
“A comissão técnica que nós temos é qualificada e comprometida com os propósitos da presidência. Se hoje estamos dando oportunidades para atletas da base, é porque todos acreditam no projeto.”
Embora o momento seja positivo, Tuma reconhece que o time ainda precisará de alguns ajustes para a sequência da temporada, especialmente pensando na disputa do Campeonato Brasileiro Série C.
“Precisamos de reforços pontuais, porque sabemos que a Série C é uma competição longa. Algumas contratações devem ser feitas, mas nada que faça o elenco crescer muito, até porque precisamos equilibrar a necessidade de novos atletas com aquilo que o clube pode efetivamente pagar.”
Outro foco da atual gestão está na melhoria da infraestrutura do clube. Entre as metas está a conclusão da primeira etapa do centro de treinamento até o fim do ano, além de intervenções no Estádio da Curuzu, tradicional casa dos bicolores.
“A expectativa é concluir pelo menos a primeira etapa do CT até o final do ano. Na Curuzu também estamos fazendo melhorias pontuais para o torcedor. Sabemos que é um estádio centenário e que precisa de intervenções maiores, mas vamos avançando dentro das possibilidades. Vamos inaugurar mais três bares na Curuzu até o final do ano e continuar trazendo melhorias para o torcedor. Enquanto não pudermos transformar o estádio em uma arena esportiva, seguimos fazendo ajustes e melhorias possíveis.”
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