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Com orçamento reduzido, Paysandu aposta na base e em reforços de perfil Série C

Reformulação do elenco para 2026 reflete impacto do rebaixamento e exige paciência por resultados, avaliam analistas

O Liberal

Rebaixado da Série B e com orçamento mais modesto para 2026, o Paysandu iniciou a montagem do novo elenco condicionado por limitações financeiras e pela necessidade de adequação à Série C. O cenário explica a reformulação profunda, marcada por poucas contratações, forte presença de atletas das categorias de base e a manutenção de apenas dois remanescentes do grupo anterior.

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Para o jornalista e colunista de O Liberal, Pio Netto, a mudança não nasceu de uma convicção técnica. “Rebaixamento, cofre vazio e desgaste em um mercado da bola concorrido formaram uma combinação explosiva, com efeitos diretos na montagem do novo elenco”, analisa.

O jornalista e radialista Mathaus Pauxis segue a mesma linha de raciocínio, ao acreditar que o clube inicia o ano com um elenco fortemente apoiado na base. “Se isso é um plano, ele foi muito facilitado pela falta de recursos. O Paysandu não fez 20 ou 25 contratações como em outros anos. Agora, está chegando à décima”, observa.

Até o momento, os reforços anunciados incluem o goleiro Jean Drosny; os defensores Castro e JP Galvão; os meio-campistas Caio Melo, Henrico e Marcinho; e os atacantes Danilo Peu, Ítalo Carvalho e Kleiton Pego. Além disso, o clube renovou com peças importantes, como o zagueiro Yeferson Quintana, e mantém mais de 12 atletas oriundos da base no elenco principal.

Pauxis entende que, apesar do número reduzido, o perfil das contratações é coerente com a realidade da Série C. “São contratações com cara de Série C. Jean Drosny, Castro, Quintana, Marcinho, Ítalo Carvalho e Cleiton Pego são jogadores que facilmente podem iniciar a competição como titulares”, avalia. Para ele, Jean Drosny chega como titular no gol, enquanto Castro e Quintana despontam como possíveis parceiros de zaga. JP Galvão gera mais dúvidas: “Ele chega como lateral-direito, mas pode ser utilizado como volante e até perder espaço”.

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Entre os jovens, Henrico é tratado como aposta, assim como Danilo Peu no ataque. Já Marcinho recebe destaque especial. “Para mim, é a melhor contratação do Paysandu até agora”, afirma Pauxis. Cleiton Pego também é visto como nome com potencial de titularidade absoluta na Série C, enquanto Ítalo Carvalho é considerado uma boa contratação se conseguir repetir o desempenho que já teve na divisão.

Apesar de avaliar que o clube acertou mais do que errou no mercado, Pauxis faz um alerta semelhante ao de Pio Netto sobre a profundidade do elenco. “Se perde um Ítalo, quem é o reserva? Um garoto da base no primeiro ano de profissional?”, questiona. A lateral esquerda é apontada como carência, já que hoje apenas Cauã, da base, está à disposição, enquanto Reverson ainda não tem situação clínica definida.

Em resumo, Pio Netto acredita que a resposta bicolor em campo corre o risco de não ser necessariamente aquela que o torcedor espera, mas não por desleixo, e sim pelo longo processo de reestruturação, que muitas vezes, sobretudo no futebol, cobra um preço alto. "O futebol depende de vários fatores para alcançar consistência. Não acredito que, em curto prazo, o Papão possa apagar a péssima impressão que ficou da temporada 2025 com o elenco que até agora apresentou", conclui. 

Com negociações em andamento para novas peças, especialmente um lateral-esquerdo, o Paysandu segue ajustando o elenco. O desafio, no entanto, será equilibrar a urgência por resultados com a realidade financeira e a necessidade de dar resposta dentro de um projeto claramente limitado, que terá seu teste inicial no próximo dia 25, quando o time enfrenta o São Raimundo, pela primeira rodada do Campeonato Paraense.