Impacto da crise climática pode custar R$ 70 bilhões ao futebol; Remo e Paysandu estão em alerta
Estimativa é de uma perda entre R$ 50 milhões e R$ 55 milhões em valor de mercado devido a eventos climáticos extremos
A bola rola pela segunda rodada do Parazão 2026 neste final de semana, mas o foco vai além das quatro linhas. Em uma iniciativa inédita, a Federação Paraense de Futebol (FPF) e o Terra FC lançaram a campanha “Parada pelo Clima”, utilizando o tempo técnico de hidratação dos atletas para conscientizar torcedores e clubes sobre um prejuízo bilionário que ameaça o futuro do esporte.
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Um levantamento exclusivo realizado pelo Terra FC, em parceria com a consultoria ERM, revela números alarmantes: os efeitos climáticos extremos podem causar uma desvalorização de quase R$ 70 bilhões no valor de mercado dos clubes das Séries A, B e C do futebol brasileiro nos próximos 25 anos.
No cenário paraense, o impacto atinge diretamente o coração das maiores torcidas do estado: Remo e Paysandu. A estimativa é de uma perda entre R$ 50 milhões e R$ 55 milhões em valor de mercado devido a eventos climáticos extremos. Essa redução representa um golpe significativo no patrimônio esportivo e financeiro das agremiações.
Belém na rota de risco
A escolha de Belém como palco dessa conscientização não é por acaso. A capital paraense enfrenta desafios geográficos críticos, com alto risco de inundações fluviais e costeiras, além de ameaças crescentes de ondas de calor e incêndios florestais.
O que antes era exceção virou rotina. O calendário esportivo já sofre com a transferência de jogos para o período noturno para evitar o calor, além de interrupções por chuvas intensas, gramados alagados e riscos à segurança das torcidas e à infraestrutura dos estádios.
“O futebol sente primeiro aquilo que afeta a sociedade. Usar o campeonato como plataforma de conscientização é uma responsabilidade institucional”, afirma Ricardo Gluck-Paul, presidente da FPF.
Laura Moraes, diretora do Terra FC, reforça que o objetivo não é causar pânico, mas sim mobilização. “Os dados indicam que ainda há tempo de agir, de se adaptar e de reduzir riscos”.