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Brasileiros nos EUA equilibram rotina de trabalho com a paixão pela Seleção na Copa do Mundo

Imigrantes e turistas do Pará compartilham histórias de adaptação na terra do "soccer", os contrastes culturais do Texas e o planejamento familiar para acompanhar a Seleção Brasileira

Felipe Campos

Divididos em cinquenta estados e um Distrito Federal, os Estados Unidos concentram os projetos de melhoria de vida de inúmeras famílias de imigrantes. Ao longo da cobertura da Copa do Mundo da FIFA, a convivência com a comunidade brasileira residente no país evidenciou que a busca por estabilidade e o acolhimento familiar andam lado a lado com a nostalgia de casa.

No sul do país, na região conhecida pela forte presença da indústria aeroespacial, o paraense Daniel Galvão atua como professor de jiu-jitsu e já reside na América do Norte há 15 anos. Houston, cidade onde ele vive, será a próxima sede da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da FIFA, no confronto contra o Japão pela fase de pré-oitavas de final. Situada no Texas, a cidade apresenta um clima quente e úmido muito semelhante ao de Belém, antecipando uma partida sob altas temperaturas na próxima segunda-feira (29).

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"A temperatura em Houston está muito quente, agora está fazendo 34 °C, mas com a sensação muito maior. Eu sempre comparo bastante com Belém, pois é um quente bastante úmido também. Agora, acredito que não vá chover este final de semana e nem no jogo. A parte boa é que o estádio tem ar-condicionado e não vai ficar ruim quando estivermos lá dentro", afirmou Daniel.

Além da forte associação com a indústria aeroespacial e a NASA, Houston, a exemplo de todo o estado do Texas, é amplamente reconhecida pela cultura ligada à música country e ao universo dos rodeios. O futebol (soccer), por outro lado, ainda ocupa um espaço de desenvolvimento gradual na preferência esportiva da região.

"O soccer, nosso futebol, apesar dos investimentos na liga, aqui é o quarto esporte em Houston. O beisebol é o primeiro, com os Astros. Depois tem o futebol americano, o basquete e por último vem o soccer", completou o professor de jiu-jitsu.

Se a paixão local não está consolidada dentro do estado, ela pode ser importada diretamente do Pará. A quilômetros de distância do Texas, o também paraense Fahelliton Joadson vai realizar o sonho do pai dele e levá-lo a um jogo de Copa do Mundo.

"Meu pai sempre sonhou em acompanhar uma Copa, mas queríamos ver um jogo decisivo. Fizemos todo o planejamento para o Brasil classificar em primeiro e assistir a essa partida em Houston. Que bom que deu tudo certo. Agora estamos chegando aos Estados Unidos para aproveitar esse momento juntos", contou.

Essa mesma busca por novos caminhos em solo americano se repete na Flórida. No estado litorâneo, brasileiros se dividem em diferentes frentes de trabalho. É o caso do paulistano e palmeirense Leonardo Lins, que atualmente trabalha como recepcionista de um hotel em Fort Lauderdale e planeja os próximos passos de sua trajetória com o objetivo de ingressar nas Forças Armadas norte-americanas.

"Eu vim para cá a fim de melhorar de vida. Meu sonho sempre foi ser do Exército", ele disse. "Sobre futebol, sinto falta de ver o Palmeiras no Palestra Itália, nunca fui ao Allianz Parque. O esporte só melhorou aqui depois da chegada do Messi, mas ainda não consegui vê-lo no estádio", concluiu.