Cinco pontos que explicam a crise do Flamengo neste início de temporada Estadão Conteúdo 27.02.26 12h48 O início de 2026 tem sido turbulento para o Flamengo. Em 14 partidas disputadas, o time já soma sete derrotas - mais da metade do total de tropeços de toda a temporada passada, quando perdeu 11 vezes ao longo do ano inteiro. Entre resultados ruins, desempenho instável e sinais claros de desgaste, a equipe de Filipe Luís ainda busca respostas para reencontrar o caminho da competitividade. A sequência irregular não é fruto de um único problema, mas de um conjunto de fatores que se acumulam desde os primeiros jogos do ano. O Flamengo sente o peso físico de uma temporada anterior extenuante, convive com peças caras longe do rendimento esperado, perdeu a solidez defensiva que sustentava resultados e passou a transformar volume ofensivo em poucos gols. Sem a pressão alta que definia seu modelo de jogo, a equipe se tornou previsível, abusando de cruzamentos e encontrando dificuldade para furar defesas organizadas. Juntos, esses cinco pontos ajudam a entender por que um elenco caro e competitivo atravessa uma crise tão cedo em 2026. 1º - DESGASTE FÍSICO A base do elenco iniciou 2026 praticamente sem tempo para respirar. O Flamengo veio de um ano em que disputou todos os títulos possíveis, venceu competições importantes e só não levantou o troféu mundial. A carga física acumulada pesa, e isso já foi reconhecido internamente. "Ficou muito evidente que ainda falta muito da parte física dos jogadores. Como eles não estão bem fisicamente ainda, da forma que eu espero que estejam e que eles estão acostumados a jogar, estão chegando um metro tarde, chegando na pressão um pouco de forma atrasada, a bola está escapando um pouco do pé. E isso também vai ligado com o mental, com decisões erradas. Então a parte física, você cansa mais, você pensa pior, você toma decisões erradas, os jogadores ainda estão pegando, pelo que eu conheço deles, ainda vai levar um pouquinho, mas a gente vai voltar", avaliou Filipe Luís no início de fevereiro. A consequência dessa falta de ritmo e condicionamento físico aparece em campo: perda de explosão, menor capacidade de pressionar alto e queda no ritmo coletivo, sobretudo nos segundos tempos. 2º - INVESTIMENTO ALTO, RETORNO ABAIXO DO ESPERADO O Flamengo montou um elenco caro, mas parte das principais apostas ainda não entregou o retorno imaginado. Nomes como Paquetá, De la Cruz e Samuel Lino lidam com problemas físicos ou oscilações de desempenho. Pedro, peça-chave do ataque, também passou períodos fora ou longe da melhor forma. O resultado é um time pesado financeiramente, mas que nem sempre consegue transformar investimento em rendimento esportivo, o que pressiona o planejamento e reduz margem para erros ao longo da temporada. 3º - DEFESA PERDEU SOLIDEZ E DEIXOU DE SER DIFERENCIAL Em 2025, o Flamengo construiu sua campanha com base em uma defesa muito sólida: foram apenas 27 gols sofridos em todo o Brasileirão. Esse pilar ruiu em 2026. Hoje, o time mostra lentidão nas coberturas, dificuldade para defender em profundidade e falhas recorrentes em transições defensivas. Mesmo em jogos de controle territorial - como na derrota para o Lanús - o sistema não consegue proteger a área quando perde a bola. O que antes compensava dias ruins do ataque já não existe. A estatística de gols sofridos nesta temporada ajuda a ilustrar esse desempenho defensivo abaixo do esperado: em 14 partidas disputadas, a equipe rubro-negra teve sua meta vazada 20 vezes - média de quase 1,5 gol sofrido por jogo. 4º - VOLUME SEM EFETIVIDADE Os números mostram domínio, mas o placar não acompanha. Contra o Lanús, no segundo jogo da final da Recopa, por exemplo, o Flamengo teve mais de 70% de posse de bola, trocou mais que o triplo de passes em relação ao adversário e finalizou mais do que o dobro. Ainda assim, marcou apenas dois gols e sofreu três. O padrão se repete no Brasileirão: posse alta, presença ofensiva constante, mas baixa conversão em chances claras. A equipe cria muito em quantidade, pouco em qualidade, e acaba pagando caro por erros pontuais. 5º - PREVISIBILIDADE OFENSIVA Talvez o ponto mais preocupante. Sem a pressão alta que marcou o DNA recente do time - responsável por grande parte dos gols em recuperações rápidas - o Flamengo passou a depender quase exclusivamente da construção lenta e dos cruzamentos. Apenas contra o Lanús, nesta quinta-feira, foram 44 cruzamentos. Essa estatística também surpreende em partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro - 74 bolas colocadas na área em apenas três rodadas - e ajudam a explicar a falta de criatividade e repertório do Flamengo neste início de temporada. A posse de bola é alta, mas o jogo se torna previsível, especialmente contra blocos baixos. Sem exercer a pressão na saída adversária, a equipe encontra enorme dificuldade para criar por dentro, infiltrar ou quebrar linhas com combinação curta. O resultado é um ataque facilmente neutralizado, mesmo com volume. UM TIME EM ALERTA Os números da temporada escancaram o problema: em 14 jogos, o Flamengo tem cinco vitórias, dois empates e sete derrotas, com saldo mínimo de gols (22 a 20). Além disso, a equipe já soma dois vice-campeonatos: o da Supercopa, quando foi derrotado pelo Corinthians, e o da Recopa, com o Lanús levando a melhor. Em 2025, o time carioca vencia jogos apertados porque defendia melhor e pressionava com eficiência. Em 2026, a pressão não tem surtido efeito, a defesa tem se mostrado frágil e o ataque perdeu contundência. A classificação encaminhada no Campeonato Carioca alivia momentaneamente o ambiente, mas não mascara o alerta. Para evitar repetir um ano sem títulos, como em 2023, o Flamengo precisará recuperar intensidade, variar soluções ofensivas e reconstruir a identidade que marcou positivamente o trabalho de Filipe Luís. Caso contrário, a crise tende a se aprofundar. Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave futebol Recopa Sul-Americana Flamengo crise COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Esportes . Desculpe pela interrupção. 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