Venda de automóveis deve aquecer em 2023; veja dados de pesquisa sobre mercado de automóveis

Estudo evidencia relação dos brasileiros com os carros e maior busca por seminovos

Fabrício Queiroz
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Mais da metade dos proprietários de veículos no Brasil pretende vender o automóvel ao longo do ano e trocar por outro. Já na região Norte, 44% dos proprietários projetam a venda do veículo nos próximos 12 meses. Esse é um dos dados revelados pela pesquisa “A Relação do Brasileiro com o Automóvel”, elaborada pela Serasa em parceria com a Opinion Box e divulgada nesta quinta-feira, 19. O levantamento buscou ampliar o conhecimento sobre a forma como o brasileiro lida com esse patrimônio, seus hábitos de uso, o impacto financeiro que um veículo traz para o orçamento familiar e as tendências para o mercado influenciadas pelo comportamento do consumidor.

Essa foi a primeira edição do estudo e contou com a participação de 2.067 entrevistados, sendo 48% homens e 52% mulheres, dos quais 7% são moradores da região Norte. Entre eles, três em cada cinco afirmaram que utilizam o carro diariamente e 98% ao menos uma vez por semana.

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Na visão dos proprietários, as principais funções de um veículo estão relacionadas às facilidades que o bem proporciona em diferentes atividades, como passeios de finais de semana, realizar tarefas, se locomover para o trabalho ou estudo ou fazer viagens de turismo. Porém, quando questionados sobre os reais motivos que os levaram a adquirir um veículo, grande parte listou atividades mais urgentes do cotidiano. Para 26% o principal motivo da compra foi o deslocamento para trabalho ou estudo e 22% citou as tarefas do dia a dia, como realização de compras.

Mercado de seminovos 

A pesquisa mostra ainda que cerca de seis em cada 10 veículos comprados são seminovos, sendo apenas 38% do tipo 0 Km adquirido em concessionaria. Na avaliação de Callebe Mendes, CEO Zapay, que é uma plataforma de pagamento de débitos veiculares, essa é um segmento que tende a se fortalecer nos próximos anos.

“Esse mercado de seminovos vai crescer bastante porque o Brasil está entre os cinco países mais caros para se ter um carro e as pessoas não possuem o capital para ter um 0 Km. A gente enxerga que é um mercado em ascensão e que deve ser olhado com bastante atenção nos próximos anos”, disse ele, que complementou: “A tendência que observamos é de que os clientes busquem um veículo novo, mas não novo no sentido 0 Km, mas sim um seminovo”.

Venda de automóveis para aquisição de um modelo mais novo

Essa percepção é atestada pelo levantamento que aponta que 52% dos brasileiros pretendem vender o carro atual nos próximos 12 meses, sendo que destes 65% querem trocar por um modelo melhor ou mais novo. Nesse cenário, a expectativa é que as formas de aquisição que demandam crédito sejam mais acionadas para este objetivo, visto que entre os proprietários de veículos 38% recorreu ao financiamento, 11% a consórcios, 10% a empréstimos, 6% utilizou o cartão de crédito, 5% fez empréstimo com familiares ou amigos, 3% optou por leasing e 1% adquiriu via leilão. Segundo a pesquisa, 39% dos carros foram comprados à vista.

A opção por essas outras formas de compra também se deve ao alto custo dos veículos, que envolve também os gastos com manutenção, impostos e outras obrigações, que fazem o automóvel ter um grande peso no orçamento de muitas famílias. Um exemplo disso é que 63% dos entrevistados afirmou que o automóvel figura entre os maiores gastos anuais, 45% disse que o carro compromete até 29% da sua renda anual e 56% recorrem ao parcelamento no cartão de credito para arcar com custos como troca de pneu e consertos mecânicos.

Além disso, no Norte, 19% dos proprietários ainda não se planejaram para pagar o IPVA 2023 e os impactos nos custos são sentidos em 53% dos lares. Para 34% é complexo fazer os cálculos para manter um veículo e 33% admitem que gastam mais que o planejado com o carro.

Sonho do carro novo 

Mesmo assim, as projeções são otimistas porque se percebe que o carro ainda é visto como um dos sonhos dos brasileiros. “58% dos entrevistados consideram que vale a pena ter um carro, entre outras razões porque ele é considerado um patrimônio e ser algo que vai ajudar no dia a dia”, comenta Felipe Schepers, diretor de operações e co-fundador da Opinion Box.

“É um mercado que se mantem aquecido, se manteve antes com os novos e depois com seminovos. Inclusive, a pesquisa mostra que muitos foram comprados nos últimos três anos. Eu entendo que esse indicativo de que as pessoas vão vender seu carro e comprar outro vai movimentar um mercado que hoje não está mais concentrado nas concessionárias, pois há também o online e vários canais disponíveis”, avalia Schepers.

Economia
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