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Transporte por aplicativo encareceu 62,56% nos últimos doze meses

Dado nacional atesta o que motoristas de Belém já sabiam. Segundo eles, preço da gasolina é o culpado

O Liberal

O preço das corridas em transportes por aplicativo aumentou 62,56% em junho de 2022 na comparação com o mesmo mês de 2021. 

O dado, colhido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, coloca o serviço na décima posição na lista dos maiores reajustes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

E os motoristas são unânimes ao apontarem a disparada no preço dos combustíveis como o vilão da equação.

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O motorista Bruno Souza conta que pelo menos 35% dos ganhos ficam no posto de gasolina onde ele abastece todos os dias. Ele está há dois anos no ramo e conta que, independente dos altos e baixos, é preciso trabalhar muito para gerar lucros.

"Passamos por uma crise feia com a gasolina e muita gente deixou de trabalhar com isso. Mas acho que agora está tendo uma rentabilidade melhor. Isso varia de plataforma por plataforma. A Uber, por exemplo, cobra uma taxa maior do que as outras, então os motoristas vão migrando para outras. Todos reclamam das taxas. Isso pesa", diz. 

Bruno tem uma filha e também é designer gráfico, o que ajuda a complementar a renda mensal. Mas ele já está se planejando para largar o transporte por aplicativo até o final do ano.

"Esse mês de julho é bem mais complicado, abaixou a demanda. Mas pelo menos teve a redução do ICMS (Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços). Foi bem positivo porque antes eu abastecia o carro com R$240. Agora com R$180 eu encho o tanque", afirma.

Bruno conta que agora está enchendo o tanque com R$180. Antes, gastava R$240 (Ivan Duarte/O Liberal)

De férias do trabalho, o músico Francisco Lameira decidiu fazer uma renda extra com os aplicativos e também comemora a redução do ICMS.

Ele acredita que nos próximos meses as corridas devem ficar mais baratas por conta da diminuição nos custos da gasolina, mas lembra que esses não são os únicos gastos preocupantes do Brasil de 2022.

"Essa parte da inflação tem impactado tudo na nossa vida, como o consumo de energia, que ainda não teve a redução prometida. Já houve no combustível e estamos esperando o diesel também, que vai impactar nosso lado consumidor por conta do frete. Se não houver redução... Tudo o que a gente ganha não dá para cobrir as despesas, ainda mais que pago aluguel também", avalia.

Lameira tem outros dois irmãos que trabalham como motoristas de aplicativo e conta que a estratégia é trabalhar com corridas curtas. Ele fica boa parte do expediente em Ananindeua, onde a gasolina é mais barata, mas lamenta que os aplicativos não tenham tomado alguma atitude para ajudar os motoristas diante da crise econômica.

"Quando teve o aumento dos combustíveis, achei que os aplicativos iam aumentar os preços, mas isso não ocorreu. O que sustenta a gente são as promoções, com as premiações que eles dão. Os clientes não reclamam do preço", compara. 

Já o enfermeiro Allan Farias anda com saudade de quando a gasolina custava R$3,40 por litro, um Brasil que foi ficando pequeno no retrovisor após a dolarização da política de preços da Petrobras, da pandemia de covid-19 e da Guerra da Ucrânia. Ele conta que precisa fazer R$300 diários para lucrar R$150 e concorda que os aplicativos ficam com uma fatia muito grande dos pagamentos feitos pelos clientes. Segundo ele, 25% dos ganhos vão para a manutenção periódica do carro e outros 25% para o combustível.

"Eu tento não rodar com o ar-condicionado ligado, nem ficar rodando atrás do cliente. Fico parado na esquina esperando corrida, em lugares como universidades, supermercados e hospitais, pois tem mais demanda. Se eu faço uma corrida de R$10, R$3 fica para o aplicativo. Então se tiver uma corrida de três quilômetros eu não busco. Vou no máximo até dois quilômetros, para ver se compensa os gastos", recomenda. 

Na opinião da universitária Carolina Franco, os preços, de fato, aumentaram recentemente, mas não o suficiente para ela deixar de utilizar o serviço para ir e voltar das aulas.

"Você tem muita dificuldade de pegar ônibus em Belém. É tudo incerto, sem horário, lotado. Você não consegue planejar seu dia direito. Às vezes vejo aumentos maiores nos horários de pico, mas fora disso acho que as corridas ficaram uns R$2 mais caras. Acho que vale a pena pelo conforto e segurança", conta. 

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