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Seguro de automóveis no Pará: gasto ou investimento? Entenda

Diretor do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado do Pará, José Lucas Neto explica os motivos para se contratar um seguro veicular no Brasil

Daleth Oliveira

Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revelou que 85,9% dos brasileiros se veem obrigados a ajustar o orçamento doméstico por conta da crise econômica. Por isso, proprietários de automóveis têm avaliado se ter um seguro é um gasto ou um investimento.

Para José Lucas Neto, corretor e diretor do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado do Pará, no Brasil, contratar um seguro é um necessário, devido aos altos índices de roubos, furtos e acidentes de veículos.

“Seguro de automóveis é um investimento. Primeiro, que o brasileiro, diferentemente de muitos povos, tem o automóvel como um patrimônio, tanto que a primeira pergunta que você faz quando se compra um carro é quanto vale a revenda. Isso é muito importante para o brasileiro. Além disso, o risco de roubo e batida desse carro é muito alto, e isso reflete em outros dois riscos: o risco de você perder o carro e o risco de você causar esse mesmo problema a uma terceira pessoa. Então você precisa ter uma cobertura para esses momentos”, avalia.

Mais de um milhão de extravio no Brasil

De 2019 e 2021 o Brasil teve ao menos 1.032.731 veículos levados por criminosos. Isso significa que todos os dias, 943 veículos são roubados ou furtados no país e por hora, pelo menos 39. O levantamento foi feito pela HelloSafe Brasil com dados fornecidos por meio da Lei de Acesso à Informação e pelas Secretarias Estaduais de Segurança.

No Pará, foram mais de 20 mil roubos e furtos de carro entre janeiro de 2019 e junho de 2022. Quanto aos acidentes de trânsito, em 2021 foram registradas 840 ocorrências no Estado, sendo 119 a menos que em 2020, quando foram registradas 959 ocorrências, segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Apesar dos altos índices, apenas 30% dos carros que circulam no Brasil contam com seguro, de acordo com Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg). José Lucas alega que não ter um seguro é viver exposto aos riscos e depois, pagar sozinho pelas consequências.

“Hoje não existe mais carro barato. A média do carro de entrada é R$ 60 mil, então você dispor desse valor em um momento de urgência é complicado. Sem falar que as peças de automóveis também acompanharam esse aumento de preço. Hoje, qualquer farol custa R$ 1500. Então, se você tem um patrimônio e está exposto a um risco, o seguro nunca vai ser uma despesa, sempre um investimento”, considera.

Como se calcula o valor do seguro?

O corretor explica que não existe preço tabelado de seguros, pois ele varia de tipo de cobertura, veículo, perfil do contratante e até mesmo onde o segurado mora. Entretanto, a média para um carro popular, é R$ 2000.

“Às vezes o preço varia entre pessoas que têm o mesmo carro. Porque quando o veículo é dirigido por um alguém de 18 anos, ele tem um preço. Se esse mesmo veículo é dirigido por uma pessoa de 47, ele tem outro preço. Esses valores também variam de acordo com o tipo de seguro, onde se tem várias modalidades como o seguro de moto, que antigamente não se fazia, mas muitas pessoas já estão fazendo porque algumas seguradoras entraram no mercado para fazer o seguro só para roubo, que é o maior risco da moto. Mas existem os seguros completos. Tem também por demanda, que é aquele que você só paga pelos dias que usar o veículo”, descreve.

No entanto, a única certeza é: mulheres pagam mais barato. Isso porque, estatisticamente, as seguradoras gastam menos com as seguradas em relação ao gasto com os segurados do sexo masculino.

“A mulher até bate mais o carro que o homem, porém quando o homem bate, ele acaba o carro. Minhas clientes costumam bater na ponta do retrovisor, parachoque, capô, etc. O homem sofre menos, mas quando ele bate, ele já chega dizendo que bateu cinco carros e matou dois. Então, logicamente, se a mulher gera danos menores, ela paga menos”, explica Neto.

Segurados

O administrador de empresas em Belém Orlando Albuquerque nasceu de novo em 2018, quando sofreu um acidente de carro voltando de Salinas. O veículo que ele dirigia e outro atingido tiveram perda total. Um caminhão precisou passar por reparos. O seguro cobriu as despesas de todos os envolvidos.

“Só meu carro foi R$ 60 mil. Do segundo veículo, R$ 30 mil, fora o conserto do caminhão. Se não fosse seguro, teria tido um prejuízo muito grande. Mas ao contrário, em uma semana já estava com o valor do meu carro”, contou Orlando.

Ele diz que após esse episódio passou a ver o seguro veicular com outros olhos. “Antes eu pensava que era melhor usar o dinheiro para outra coisa. Porque o seguro é algo que tu não vê, mas reza para nunca precisar usar. Mas desde o acidente, essa ideia saiu da minha cabeça. Hoje eu penso que não dá para viver sem seguro, pois com os valores dos carros, ninguém está preparado para ter uma perda total”, relatou o administrador.

A professora Edinalva Lima também é outra que não abre mão de um seguro. Ela é assegurada há quase 10 anos e já acionou o seguro diversas vezes. “Nunca sofri algo grave, mas já usei várias vezes em batidas pequenas. Para mim, o seguro é algo que a gente paga para não querer nunca usar, mas se um dia precisar, você vai torcer para ter um”, argumenta.

“Quando eu comprei meu primeiro carro, vi que o modelo era o mais roubado do ano anterior, um Punto. Por medo disso acontecer comigo e ficar sem carro pagando as parcelas, fiz um seguro imediatamente. Desde então, anualmente renovo o contrato. Já cheguei a ficar um tempo sem e é um medo sair de casa, sabendo que se algo acontecer, eu terei que arcar com as despesas sozinha”, finaliza

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