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Com mudanças no mercado, saúde mental é preocupação de millennials e nascidos na geração Z

Aumento de ansiedade entre os mais jovens pode ser efeito das mudanças causadas pela pandemia da covid 19

Elisa Vaz

A aceleração tecnológica e comportamental vivenciada hoje no mercado de trabalho é capaz de provocar ansiedade nos trabalhadores que não têm tanta experiência, como os mais jovens, e até outras condições de saúde mental. Uma pesquisa realizada pela Deloitte mostra que a geração Z, nome dado às pessoas nascidas entre 1995 e 2003, e os millennials, nascidos entre 1983 e 1994, se sentem profundamente preocupados com o próprio futuro, segundo. O estudo mostra que a ansiedade aumenta entre a geração Z e diminui entre os millennials, mas a síndrome de Burnout está presente nas duas gerações.

Graduado e mestre em psicologia, Alex Miranda, que é também coordenador de curso na Faculdade Uninassau Belém, diz que a millennials entraram no mercado de trabalho neste século, ao passo que a geração Z começou toda a sua percepção de mundo agora. A forma como as duas gerações introjetam uma concepção de mundo vai ser bastante diferente por conta disso, segundo ele: enquanto os millenials tiveram que se adaptar ao uso dos meios digitais para o trabalho e para a vida, os nascidos mais recentemente praticamente cresceram nos meios digitais.

“Esse aumento de ansiedade entre os millenials pode se dar pelo fato de que uma mudança muito brusca aconteceu no mundo por conta da pandemia da covid 19. Essa inserção no tempo real e digital é mais ‘natural’ para os da geração Z, por isso essa adaptação menos dolorosa diante de um fenômeno de mudança global como esse. Mesmo com essas facilidades de se adaptarem a essas mudanças bruscas, fica o sentimento entre os mais jovens de que um planejamento de vida que foi, se não barrado, freado por causa da pandemia, o que fica mais difícil de se adaptar dado o imediatismo dos jovens, o que acaba por colocá-los na situação de sofrimento psíquico com grau de ansiedade aumentada”, explica.

O estudo mostra que os níveis de estresse e ansiedade aumentaram um pouco para a geração Z no Brasil, mas caíram para os millennials, sendo que as mulheres das duas gerações responderam que se sentem mais ansiosas, o tempo todo ou na maior parte do tempo. As preocupações com a saúde mental estão entre os principais fatores que geram estresse e ansiedade, mostra a pesquisa. Com certeza, na opinião de Alex, a pandemia contribuiu para essa mudança. Afinal, retirar uma certeza e um comportamento que era natural insere a pessoa em um processo de estresse dada as incertezas que isso acarreta.

Cuidados

Para que o trabalhador, de qualquer idade, não se deixe levar pelo estresse e pelas preocupações do trabalho é preciso saber cuidar da saúde mental. O primeiro passo, de acordo com Alex, é delimitar o que é trabalho e o que é a vida privada. Conseguindo fazer essas separações, o especialista diz que a pessoa pode administrar sua vida privada de forma a criar um contraponto ao estresse do trabalho.

“Ela deve cuidar da saúde mental vivenciando sua privacidade em ambiente além do trabalho, fazendo com que essa vida particular possa ser algo que lhe traga satisfação, responsabilidade ou mesmo outros estresses. Parece paradoxal, mas ter estresse fora do trabalho aponta para o fato de que há uma vida fora dele e que ela deve ser cuidada. É preciso criar um enquadre em que o espaço com a família, com os amigos e com os queridos seja mantido. Criando esses espaços, haverá um lugar para ‘recarregar a bateria’, por se saber que há possibilidade de lazer e bem-estar e não somente uma realidade com estresse”, comenta.

Ainda de acordo com a pesquisa, os níveis de burnout são significativamente mais altos no Brasil do que a média global: aqui, 59% dos entrevistados da geração Z e 58% dos millennials dizem se sentir esgotados por causa da intensidade e das demandas do trabalho. As médias globais são de 46% e 45%, respectivamente. O mestre em psicologia diz que o colaborador deve ficar atento quando os problemas do trabalho começam a atrapalhar sua vida geral de forma muito intensa e constante.

Passar por um período de estresse no trabalho por conta de um determinado procedimento laboral que deve ser feito em um espaço de tempo estabelecido é algo que pode estar dentro do enquadre do trabalho. Mas, se for algo constante, é hora de ligar o alerta e começar a observar se as atividades na vida geral estão sendo feitas de forma aquém do que era antes; se as atividades do trabalho estão prejudicando de forma constante as outras esferas de vida; se o nível de satisfação com o modo de vida está trazendo desconforto ou atrapalhando as atividades cotidianas; e mais. Caso isso esteja acontecendo, então o colaborador deve procurar ajuda de um psicólogo.

Outro estudo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que 43% dos entrevistados dizem que estão com sobrecarga de trabalho e 31% sofrem pressão por resultados e metas. Para resolver o problema, a terapia foi escolhida por 82% das pessoas entrevistadas, mudar de emprego foi apontado por 32%, redução das horas de trabalho, por 24%, e pedido de demissão, mesmo sem ter trabalho novo, por 21%.

Na avaliação do especialista, algumas dessas soluções podem ser eficazes, como é o caso da psicoterapia, pois possibilita à pessoa o autoconhecimento e, com isso, entender o processo em que está inserido e se posicionar de forma ativa diante dele. “Ela pode, com isso, assumir o lugar de ‘ator principal’ de sua vida e não de mero ‘espectador’”, avalia. A demissão é o último recurso, na opinião dele, pois o trabalhador poderá “trocar seis por meia dúzia” e continuar na situação de sofrimento psíquico em outro endereço laboral.

Por outro lado, a redução da jornada de trabalho já é uma realidade em países com índices de desenvolvimento humano mais elevados, diz Alex. “As empresas precisam pensar que, diante da impossibilidade da redução dessa jornada, devem procurar formas de fazer com que o trabalho se torne um ambiente não necessariamente hostil. Ações de valorização de colaboradores que os oportunizem lazer, segurança psíquica e bem-estar devem ser valorizadas”, pontua. O psicólogo completa dizendo que, uma vez que o colaborador se sinta integrado e seguro em seu bem-estar, ele tende a ficar com menos estresse e ansiedade no trabalho.

Outras ações que podem ser adotadas pelas empresas para a redução do estresse é a criação de uma cultura da escuta, em que os colaboradores possam ter um espaço com um profissional que acolham suas falas de ansiedade. Criar um clima lúdico em alguns momentos do dia ou da semana também pode ajudar na interação entre os colaboradores, “muito importante” para que uns possam ter confiança nos outros e saibam, inclusive, pedir ajuda em situações que geram ansiedade.

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Economia
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