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Quase 40% dos paraenses pretendem gastar até R$ 200 no Carnaval 2026

Inflação redefine o feriadão, com consumidores que optam por lazer próximo e gasto controlado; confira

Eva Pires | Especial para O Liberal
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Com inflação ainda pressionando o orçamento das famílias, 39,7% dos consumidores do Pará planejam desembolsar no máximo R$ 200 durante o Carnaval de 2026. O dado integra a pesquisa de intenção de consumo da Federação do Comércio de Bens, de Serviços e de Turismo do Estado do Pará (Fecomércio/PA) e revela um comportamento marcado pela cautela financeira, preferência por lazer local e escolhas de compra que priorizam liquidez imediata.

A leitura geral do levantamento indica um Carnaval mais doméstico e regionalizado. A maioria dos entrevistados pretende permanecer em casa (63,3%), evitando aglomerações, enquanto 26,6% planejam viagens curtas para praia, campo ou interior. A participação em festas de rua e blocos na própria cidade aparece com 7,9%. O movimento confirma a força do turismo de proximidade, impulsionado pelo encarecimento do transporte de longa distância e pela busca de experiências mais previsíveis do ponto de vista financeiro.

Consumo moderado e escolhas racionais 

Quando o assunto é dinheiro, o recorte é claro: 39,7% pretendem gastar até R$ 200 ao longo de todo o período do feriado. Outros 35,7% estimam desembolsar entre R$ 200 e R$ 500. As faixas superiores aparecem de forma mais residual: 12,5% entre R$ 500 e R$ 1.000; 4,4% entre R$ 1.000 e R$ 1.500; e 7,7% acima de R$ 1.500. O desenho evidencia um planejamento concentrado em consumo moderado, reflexo de uma gestão mais cautelosa da renda diante da inflação de serviços.

Essa racionalidade se materializa também nas categorias de gasto. Alimentos e bebidas para consumo próprio lideram, citados por 75,2% dos entrevistados. Passagens aéreas ou terrestres (11,7%) e hospedagem (10,6%) surgem em seguida, enquanto vestuário, fantasias, acessórios e maquiagem somam 8,8%. Serviços de beleza e estética aparecem com 5,1%. Há ainda uma fatia relevante de outros gastos (25,9%), o que sugere diversidade de pequenas despesas associadas ao período.

No principal item do orçamento, alimentação e bebidas, a estratégia predominante é reduzir custos operacionais. A compra antecipada em supermercados é a opção de 65,2% dos consumidores. Bares e restaurantes ficam com 16,5%, delivery com 12% e vendedores ambulantes com 6,4%. O comportamento favorece o varejo alimentar e reforça a importância de promoções por volume, combos e abastecimento eficiente nos dias que antecedem a folia.

Pagamentos, canais e expectativas 

A forma de pagar também revela prudência. A preferência é por liquidez imediata: Pix ou débito à vista concentram 41,9% das escolhas, seguidos do dinheiro (22,1%). O cartão de crédito parcelado aparece com 20,2%, enquanto o crédito em uma única parcela soma 15,4%. Há ainda 15,1% que não definiram o meio de pagamento e 3,3% que planejam usar reserva financeira ou poupança. O dado dialoga com o cenário de endividamento e com a intenção explícita de evitar compromissos pós-festa.

Na comparação com 2025, o sentimento majoritário é de retração ou estabilidade. Quase 40% (39,4%) pretendem reduzir gastos; 13,9% manterão o padrão; 15% planejam gastar mais; e 31,8% entram na conta como novos consumidores ou retornantes, por não terem gasto no Carnaval anterior. A leitura é consistente com o ambiente macroeconômico e com a percepção de preços elevados: 72,5% afirmam que os valores praticados estão mais altos do que no ano passado.

Os estabelecimentos físicos seguem fortes. Centros comerciais lideram as intenções (31,4%), muito próximos das lojas de rua (30,6%). O reaproveitamento e a produção artesanal própria aparecem com peso relevante (25,2%), sinalizando criatividade e economia. Shopping centers e lojas de departamento somam 21,9%, enquanto e-commerce e aplicativos representam 14%. As redes sociais influenciam diretamente apenas 3,7% das compras.

Na escolha de destinos e eventos, a decisão é guiada por vínculos e segurança. Proximidade de amigos e parentes lidera (54%), seguida por segurança e infraestrutura local (21,9%). Custo-benefício de pacotes e ingressos soma 17,7%, e atrações musicais e programação artística, 6,4%. O deslocamento privilegia meios individuais: veículo próprio (55,5%) e aplicativos ou táxi (17,4%). O transporte público fica com 10,6%, o aéreo com 4,5%, e 12,1% afirmam circular a pé, por permanecerem nas proximidades.

As recomendações pessoais continuam decisivas: 63,6% escolhem destinos e eventos a partir de indicações de amigos e conhecidos. Anúncios e perfis em redes sociais influenciam 20,3%, guias e portais de eventos 9,6%, e sites oficiais de prefeituras e órgãos de turismo, 6,5%. Já os formatos “all inclusive” encontram resistência: 46,5% têm baixo interesse e preferem pagar individualmente; 28,7% são indiferentes; 15,1% demonstram interesse médio; e apenas 9,7% alta aderência.

O conjunto dos resultados aponta para um Carnaval 2026 de celebração mais local, previsível e financeiramente controlada. Em linha com tendências observadas pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), em tempos de orçamento apertado, o consumidor prioriza liquidez, evita endividamento e concentra gastos em itens essenciais. 

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