O preço do pescado nos mercados municipais de Belém registrou alta expressiva no fim de 2025, impulsionado pelo período de defeso e pelos efeitos do inverno amazônico. Um levantamento do Dieese/PA, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon/PMB), mostra que a maioria das espécies teve reajustes em dezembro. Os aumentos, tanto na comparação mensal quanto no acumulado do ano, superaram a inflação oficial, impactando diretamente o bolso do consumidor. A redução da oferta ocorre em um período de restrições ambientais à pesca, chuvas intensas e rios mais cheios, que dificultam a captura e o transporte.
Esses fatores impactam diretamente a disponibilidade de peixe fresco nos mercados da capital. Como o consumo de pescado é tradicionalmente elevado no Pará, qualquer oscilação na oferta reflete rapidamente nos preços do peixe.
Preço do peixe em Belém: veja os valores médios por quilo
Confira os valores médios praticados nos mercados municipais de Belém em dezembro de 2025:
Fonte: Dieese/PA e Sedcon/PMB
- Xaréu – R$ 11,61/kg
- Arraia – R$ 13,28/kg
- Bagre – R$ 14,50/kg
- Pescada gó – R$ 16,42/kg
- Piramutaba – R$ 17,33/kg
- Mapará – R$ 18,26/kg
- Pescada branca – R$ 18,66/kg
- Curimatã – R$ 19,61/kg
- Pratiqueira – R$ 20,16/kg
- Cação – R$ 20,58/kg
- Sarda – R$ 21,04/kg
- Tamuatã – R$ 21,94/kg
- Corvina – R$ 22,07/kg
- Tainha – R$ 25,90/kg
- Dourada – R$ 26,68/kg
- Gurijuba – R$ 27,82/kg
- Tucunaré – R$ 29,47/kg
- Pescada amarela – R$ 32,04/kg
- Filhote – R$ 33,70/kg
Peixes que mais encareceram em 2025
No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, algumas espécies registraram aumentos bem acima da inflação oficial, que foi de 4,26% no período:
- Piramutaba: +50,04%
- Traíra: +40,45%
- Pratiqueira: +25,45%
- Sarda: +23,11%
- Cação: +22,87%
- Mapará: +21,49%
O que explica a alta do preço do peixe?
De acordo com o Dieese/PA, dois fatores principais explicam o movimento de alta nos preços do pescado nos mercados de Belém:
- Defeso: Período legal de restrição à pesca, geralmente entre novembro e março, para garantir a reprodução das espécies.
- Inverno amazônico: Chuvas intensas e rios mais cheios dificultam a captura, reduzem os dias de pesca e elevam os custos operacionais.
Para os peixeiros da capital, a questão é sazonal. Daniel Leitão, que trabalha há 58 anos no ramo, revela que o ciclo se repete anualmente: "Os pescadores e as empresas tiram esse começo de ano de recesso, por isso não pescam nada e fica cada vez mais difícil conseguir peixe. Só vamos sentir melhora na oferta lá pelo dia 25".
A expectativa é que, com o avanço dos próximos meses e a recomposição gradual da oferta, os preços do pescado apresentem maior estabilidade ao longo do primeiro semestre.
.jpeg?f=default)