Preço do feijão sobe mais de 18% e pressão sobre o custo da alimentação aumenta no Pará
Entre os 12 itens que compõem a cesta básica, o feijão foi o principal responsável pelo aumento entre janeiro e fevereiro
Levantamento do DIEESE/PA divulgado nesta quinta (19) aponta que o preço do feijão registrou forte elevação em fevereiro de 2026, contribuindo diretamente para o aumento do custo da cesta básica no Pará. No período, o valor médio da cesta em Belém chegou a R$ 674,12, alta de 0,08% em relação a janeiro, marcando o segundo avanço consecutivo no ano. Apesar da variação mensal modesta, o resultado mantém a pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente as de menor renda.
Entre os 12 itens que compõem a cesta básica, o feijão foi o principal responsável pelo aumento, refletindo seu peso na alimentação dos paraenses. O produto é considerado essencial e tem impacto significativo na composição das despesas com alimentação.
O DIEESE/PA realiza monitoramento semanal dos preços em supermercados da capital, o que permite acompanhar a evolução do produto com maior precisão. Os dados mostram que, em fevereiro de 2025, o quilo do feijão custava, em média, R$ 5,73. Em dezembro do mesmo ano, houve leve recuo para R$ 5,50. No entanto, em 2026, os preços voltaram a subir: o valor passou para R$ 5,69 em janeiro e alcançou R$ 6,75 em fevereiro.
Com isso, o feijão apresentou alta de 18,63% apenas no mês de fevereiro, na comparação com janeiro. No acumulado do primeiro bimestre de 2026, o aumento chega a 22,75%. Já na comparação dos últimos 12 meses, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, a elevação é de 17,80%, índice superior ao dobro da inflação oficial de 3,81%, medida pelo IPCA.
De acordo com o DIEESE/PA, o avanço nos preços está relacionado a fatores como quebra de safra em regiões produtoras, redução dos estoques internos e condições climáticas desfavoráveis, que afetaram a produtividade e a qualidade do grão. Também pesam no cenário o aumento dos custos de produção, incluindo insumos e transporte, além de entraves logísticos.
A entidade avalia que a tendência de alta pode persistir nas próximas semanas. Entre os fatores de risco estão possíveis oscilações nos preços dos combustíveis, que impactam toda a cadeia de produção e distribuição, podendo resultar em novos reajustes ao consumidor final.
Custo da cesta básica em Belém volta a subir em fevereiro de 2026
O custo da cesta básica em Belém registrou nova alta no mês de fevereiro de 2026, segundo levantamento do DIEESE/PA em parceria com a Conab. O valor médio dos alimentos essenciais chegou a R$ 674,12, o que representa um aumento de 0,08% em relação a janeiro, quando a cesta custava R$ 673,55. Apesar da variação discreta, os preços permanecem em nível elevado.
Dos 12 produtos que compõem a cesta básica, cinco apresentaram aumento de preço no período. As maiores altas foram observadas no feijão carioca (18,63%), manteiga (0,81%), banana (0,73%), carne bovina de primeira (0,56%) e açúcar cristal (0,53%). Por outro lado, sete itens registraram queda, com destaque para o óleo de soja (-6,67%), tomate (-3,32%), leite integral (-2,58%), farinha de mandioca (-1,97%), pão francês (-0,59%), arroz agulhinha (-0,46%) e café em pó (-0,20%).
Com esse cenário, o trabalhador paraense precisou comprometer cerca de 44,96% do salário mínimo para adquirir os produtos básicos, o equivalente a aproximadamente 91 horas e 29 minutos de trabalho, considerando uma jornada mensal de 220 horas. O impacto também é significativo no orçamento familiar: para uma família padrão de dois adultos e duas crianças, o gasto estimado com alimentação básica alcançou R$ 2.022,36, o que corresponde a cerca de 1,24 salários mínimos, tomando como base o valor vigente de R$ 1.621,00.
No balanço dos dois primeiros meses de 2026, o custo da cesta básica em Belém acumula alta de 1,13%. Entre os produtos que mais encareceram no período estão o feijão carioca (22,75%), tomate (8,40%), banana (3,07%), carne bovina de primeira (1,94%) e pão francês (0,36%). Já as principais quedas foram registradas na farinha de mandioca (-20,58%), óleo de soja (-9,86%), arroz agulhinha (-5,63%), leite integral (-3,82%), manteiga (-2,22%), açúcar cristal (-2,06%) e café em pó (-1,83%).
Capitais brasileiras registram variações distintas
No cenário nacional, o custo da cesta básica aumentou em 14 capitais e diminuiu em outras 13 entre janeiro e fevereiro de 2026. As maiores altas ocorreram em Natal (3,52%), João Pessoa (2,03%), Recife (1,98%), Maceió (1,87%), Aracaju (1,85%), Vitória (1,79%), Rio de Janeiro (1,15%) e Teresina (1,07%).
Entre as capitais com maior custo da cesta básica em fevereiro, São Paulo lidera o ranking, com R$ 852,87, seguida por Rio de Janeiro (R$ 826,98), Florianópolis (R$ 797,53) e Cuiabá (R$ 793,77). Já os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 562,88), Porto Velho (R$ 601,69), Maceió (R$ 603,92) e Recife (R$ 611,98), considerando as diferenças na composição da cesta nas regiões Norte e Nordeste.
No acumulado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, 25 capitais apresentaram aumento no custo da cesta básica, enquanto duas registraram queda. As maiores elevações foram verificadas no Rio de Janeiro (4,41%), Aracaju (4,34%) e Vitória (3,98%). Já Florianópolis (-0,47%) e Brasília (-0,30%) tiveram redução no período.
Na comparação entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, considerando 17 capitais com série histórica completa, o custo da cesta básica subiu em cinco cidades e caiu em 12. As maiores altas ocorreram em Porto Alegre (2,22%), Rio de Janeiro (1,48%) e Vitória (1,43%), enquanto as quedas mais expressivas foram observadas em Brasília (-7,80%) e Natal (-4,89%).
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