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Período da pandemia alavanca mercado místico em Belém

Muita gente iniciou um processo de autoconhecimento e a busca mais intensa por energias positivas

Eduardo Laviano / O Liberal

Muitas pessoas se voltaram para si mesmas ao longo da pandemia de covid-19, em busca de paz, bem-estar e um pouco mais de espiritualidade durante tempos difíceis. Um mercado específico tem ganhado cada vez mais adeptos, especialmente nas redes sociais: o chamado mercado "místico", que pode englobar desde atendimentos virtuais com tarólogos e astrólogos até a venda de velas aromáticas e cristais.

A empresária Victoria Machado acredita que a palavra misticismo demanda cautela no uso. "Misticismo por definição é a crença em energias superiores, no universo, e a busca por contato com Deus, com o divino. Existe de certa forma misticismo em todas as religiões, e em vários momentos do nosso dia a dia. Mas acredito que a palavra tem sido muito associada ao charlatanismo, ou à busca por respostas fáceis e maravilhosas para curar angústias e sentimentos que não são tão fáceis de digerir assim", avalia ela.

Mercado bilionário

Vendendo cristais de todos os tamanhos, cores, formatos e propósitos, Victoria faz parte, desde o final de 2020, de uma indústria que movimentou um bilhão de dólares no último ano, segundo estudo da Bloomberg. Quando ela era pequena, passava férias em cidades do interior de Minas Gerais e Goiás para visitar a avó e sempre ouvia ela e a mãe falando sobre para que cada pedra servia. As memórias afetivas de uma infância cheia, da garota curiosa e interessada pelo tema, a inspiraram para abrir a loja de cristais que ela comanda.

"Atualmente, uma pessoa me ajuda com as redes sociais, mas o resto continuo tocando sozinha. Tento tirar dois dias da semana inteiros para confeccionar os produtos e o resto da semana dedico ao financeiro, atendimento personalizado, visitas de reposição aos pontos de venda etc. Tenho fornecedores locais e outros fora do Estado. Com o tempo e com o aumento da minha consciência sobre o impacto do meu negócio no meio ambiente, priorizo sempre fornecedores com práticas sustentáveis e justas; isso encarece um pouco o produto, mas é importante a preocupação com a origem", afirma.

Victoria avalia que a maior parte das pessoas que chegam até a loja dela em busca de cristais está em uma jornada de autoconhecimento e equilíbrio - pessoas que "acreditam em algo maior", como ela define. O perfil dos clientes é diverso, englobando desde compradores que buscam um amuleto, até os que procuram presentear alguém com kits especiais.

"Cada pedrinha carrega um significado que se transforma em desejos e sentimentos enviados para as pessoas queridas", diz.

Críticos e fãs

Como toda indústria bilionária, o mercado de cristais conta com muitos críticos. Foi o caso da cantora e compositora neozelandesa Lorde, que provocou debate com o clipe da canção “Mood Ring” em agosto, no qual ela buscou refletir sobre o excesso de positividade e rituais místicos ao longo da pandemia de covid-19.

Por outro lado, a cultura pop também conta com apoiadores de peso quando o assunto são os cristais que emanam energia, daquele tipo que toda indústria sonha em ter: a atriz Kate Hudson faz sucesso no Instagram com suas ametistas de propriedade curativa e o mesmo ocorre com a colega de trabalho dela Gwyneth Paltrow e a cantora e compositora britânica Adele.

"O uso de cristais não vai de encontro a nenhuma crença religiosa ou prática espiritual. Na verdade, você é livre para acreditar ou não neles, e ainda assim eles vão continuar emanando energia. Hoje fazem parte inclusive da composição de grande parte dos nossos aparelhos eletrônicos, por sua faculdade de conduzir energia. São parte da natureza e carregam a energia da terra. São símbolos de poder, nobreza, proteção e intuição desde a antiguidade. Você pode usar eles só como adorno e acessório, ou como amuleto, você decide", observa Victoria.

Momento decisivo

Já Isabela Menezes é sócio do irmão em um empreendimento do mesmo ramo. Ela conheceu os cristais em um momento difícil, quando enfrentou um princípio de depressão no final de 2019. Ela começou a se aprofundar nas terapias holísticas até encontrar uma especialista em cristalterapia. O resultado foi tão bom que ela começou a pesquisar sobre todas as pedras e as especialidades delas.

"Ao ver a eficácia deles, procurei lojas em Belém para que eu pudesse comprar e me deparei com os preços exorbitantes. Entretanto, como queria muito, gastei na minha primeira compra, com sete pedras pequenas, dos sete chacras, mais de 200 reais. Nesse período, meu irmão e sócio sugeriu que investíssemos em algo para renda extra. A minha condição foi investir em algo que de fato acreditássemos e quando as coisas ficassem difíceis não desistíssemos daquilo. Então decidimos em conjunto pelo que estava nos beneficiando, que eram os cristais", afirma ela.

Importados

Os irmãos então começaram a importar os cristais em grandes quantidades para conseguirem preços menores e evitar pagar vários fretes, para que possam vendê-los por valores mais acessíveis em Belém. A loja deles tem um ano e três meses de existência.

"Nossos fornecedores são do Sudeste. Alternamos o atendimento via WhatsApp, de acordo com nossas obrigações, com peças entregues de forma segura na casa do cliente, e no momento estamos ampliando para a execução de venda via site. Predominantemente, ele realiza os atendimentos, enquanto eu fico com a parte do marketing", conta.

Palavras-chave

Economia
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