Paraenses enfrentam alta nos custos de transporte no Carnaval de 2026
Levantamento do Dieese/PA aponta aumento, enquanto consumidores relatam dificuldades com hospedagem e planejamento
Milhares de paraenses devem deixar Belém nos próximos dias em direção a municípios do interior, balneários e até outros estados para aproveitar o carnaval 2026. No entanto, quem pretende viajar neste período terá que preparar o bolso: levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) aponta que os gastos com transporte estão mais elevados em comparação ao ano passado, refletindo o aumento da demanda e o encarecimento generalizado dos custos de deslocamento.
O transporte rodoviário continua sendo o principal meio utilizado pelos passageiros, devido à ampla oferta de rotas e horários, além do custo relativamente mais acessível frente a outras opções. Ainda assim, os preços variam significativamente conforme o destino e a distância percorrida. Entre os trajetos intermunicipais com saída do Terminal Rodoviário de Belém, as passagens custam, por exemplo, R$ 14 para Castanhal, R$ 32,50 para Barcarena e R$ 38 para Abaetetuba. Para destinos turísticos bastante procurados durante o feriado, como Salinópolis e Marabá, os valores sobem para R$ 92,15 e R$ 195,50, respectivamente.
Os destinos turísticos tradicionais também apresentam preços elevados no transporte fluvial. Segundo o Dieese, as passagens com saída de Belém variam entre R$ 40 e mais de R$ 60 para localidades como Soure, Salvaterra e Ponta de Pedras. Já para viagens mais longas, como Santana, no Amapá, e Manaus, no Amazonas, os custos podem variar entre R$ 300 e R$ 450.
Para quem pretende aproveitar o Carnaval fora do Pará, o impacto no orçamento pode ser ainda maior. As passagens rodoviárias interestaduais saindo da capital paraense chegam a custar mais de R$ 220 para São Luís, cerca de R$ 663 para Fortaleza e R$ 670 para Brasília. Os valores atingem patamares ainda mais elevados para grandes centros urbanos, como São Paulo, com passagens em torno de R$ 950, e Rio de Janeiro, que podem alcançar R$ 1.000.
De acordo com a análise do Dieese, os reajustes das tarifas de transporte não foram uniformes, mas, em grande parte dos casos, registraram aumento ao longo dos últimos 12 meses, com variações que ultrapassam 15%. O cenário é agravado pelo encarecimento dos combustíveis, que impacta diretamente os custos operacionais das empresas e, consequentemente, o preço das passagens. Atualmente, o litro da gasolina custa em média R$ 6,25, alta de 1,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O diesel chega a R$ 6,00, com aumento de 0,8%, enquanto o etanol custa R$ 4,79, alta de 0,6%.
Além do transporte coletivo, viajar com veículo próprio também ficou mais caro. O Dieese aponta que, além do aumento nos combustíveis, as despesas com manutenção preventiva e corretiva registraram elevação, tornando o transporte individual uma opção mais onerosa neste Carnaval.
Para quem deseja economizar, Mosqueiro surge como uma alternativa mais acessível. A tarifa do transporte urbano para a ilha está fixada em R$ 4,60, e a política de gratuidade aos domingos e feriados permanece em vigor, o que contribui para reduzir os custos para parte da população, especialmente a de menor renda.
Passagens aéreas
O aumento dos custos também é percebido por quem se planeja com antecedência. O jornalista Fabrício Lopes, de 30 anos, afirma que o planejamento é fundamental para reduzir gastos, especialmente com passagens aéreas. “Costumo me planejar para viajar no Carnaval com, no mínimo, seis meses de antecedência. O primeiro passo é sempre comprar as passagens aéreas, pesquisando as ofertas diretamente nos sites das próprias companhias”, relata.
Ele conta que apesar de ter notado reajustes, o preço das passagens não foi o principal fator que impactou sua decisão de viagem neste ano. “Percebi um aumento sutil no valor das passagens, mas nada absurdo. Acredito que, hoje, o principal desafio para viajar não seja o preço das passagens, já que as companhias oferecem boas opções de pagamento e parcelamento”, afirma.
O maior obstáculo, de acordo com Fabrício, está nos custos de hospedagem, especialmente em cidades com carnavais mais tradicionais. “Meu plano inicial para este Carnaval era ir ao Rio de Janeiro e aproveitar os blocos de rua, mas os preços das hospedagens estavam impraticáveis, chegando a cerca de 10 mil reais por um fim de semana de Carnaval para um casal”, conta. Diante do cenário, ele decidiu mudar o destino. “Mudei de planos e decidi seguir para São Paulo, onde a cultura dos megablocos de rua está em plena expansão e os valores ainda não chegaram a níveis tão exorbitantes”, completa.
Os custos das passagens aéreas de ida e volta, conforme levantamento da reportagem, refletem a alta temporada, com Recife apresentando a média mais acessível entre R$ 1.600 e R$ 2.200, seguido por Salvador, que varia de R$ 1.800 a R$ 2.600 devido à necessidade frequente de conexões, e o Rio de Janeiro como o destino mais oneroso, podendo custar entre R$ 2.200 e R$ 3.500. Esses valores tendem a subir rapidamente dada a proximidade da data, sendo recomendável considerar voos com escalas para tentar reduzir o investimento ou ajustar as datas de retorno para após a quarta-feira de cinzas, visando encontrar tarifas menos agressivas.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA