Pará tem segunda maior taxa de informalidade do país e desemprego sobe no início de 2026
Com 56,5% dos trabalhadores na informalidade e renda abaixo da média regional, estado concentra alguns dos piores indicadores do mercado de trabalho nacional, aponta IBGE
O mercado de trabalho no Pará começou 2026 com alta na taxa de desemprego. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação no estado cresceu 7% entre janeiro e março deste ano. No ano passado o percentual foi de 5,8%. O aumento, no entanto, segue um padrão sazonal conhecido: o início de ano costuma concentrar demissões após o período de festas e compras natalinas, quando o comércio e outros setores reduzem o quadro de pessoal.
O dado mais relevante para avaliar a tendência de médio prazo é a comparação entre o último trimestre de um ano e o primeiro do seguinte. No primeiro trimestre de 2025, por exemplo, o percentual de desocupados era de 8,7%, uma queda de 1,5 pontos percentuais, em comparação ao último trimestre de 2024, com 7,2%.
O comportamento do desemprego no Pará acompanhou o movimento nacional. No Brasil, a taxa subiu de 5,1% para 6,1% entre o fim de 2025 e o começo de 2026. Na Região Norte, o aumento foi idêntico ao do estado paraense: de 5,8% para 7%. O IBGE registrou crescimento da desocupação em todas as unidades da federação entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, com intensidades variadas. O Pará ficou acima da média brasileira e das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, mas abaixo do Nordeste.
Além do desemprego convencional, a pesquisa mede a subutilização da força de trabalho, indicador mais amplo que inclui também quem trabalha menos horas do que gostaria e quem está disponível para trabalhar, mas não buscou emprego ativamente. No Pará, essa taxa chegou a 21,7% no primeiro trimestre de 2026, acima da média nacional de 14,3% e da própria Região Norte, de 17,9%, aproximando-se dos índices registrados no Nordeste. Entre os estados, o Piauí liderou o indicador, com 30,3%, enquanto Santa Catarina registrou o menor índice do país, 4,7%.
A renda dos trabalhadores paraenses também apresentou comportamento desfavorável. O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos no estado foi de R$ 2.528 no primeiro trimestre de 2026, valor estável em relação ao trimestre anterior (R$ 2.609) e ao mesmo período de 2025 (R$ 2.567), dentro da margem de variação estatística. O número, porém, é inferior à média da Região Norte, que ficou em R$ 2.849, e bastante abaixo da média nacional de R$ 3.722.
O Pará foi o único estado da região Norte a não registrar crescimento de renda na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. Apesar do recuo recente, uma perspectiva de prazo mais longo mostra algum avanço: desde o início de 2023, o rendimento médio real no estado acumulou alta de 7,5%, o que representa ganho concreto, ainda que modesto, para as famílias paraenses.
Informais
O retrato mais crítico do mercado de trabalho no estado, contudo, está na informalidade. Com taxa de 56,5% no primeiro trimestre de 2026, o Pará tem a segunda maior proporção de trabalhadores informais do Brasil, atrás apenas do Maranhão, que registrou 57,6%. O percentual paraense equivale a mais de 2 milhões de pessoas sem carteira assinada, sem CNPJ ou sem qualquer vínculo formal de trabalho, mais de 19 pontos acima da média nacional de 37,3% e acima também da Região Norte na totalidade, onde o índice foi de 50,9%. São considerados informais os empregados do setor privado e domésticos sem carteira, os trabalhadores por conta própria e empregadores sem CNPJ, além dos auxiliares familiares.
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