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Pará já recebeu mais de R$ 819 milhões em investimentos com geração própria de energia solar

Dos 144 municípios do Estado, apenas nove não têm acesso à tecnologia, sendo sete deles no Marajó

Elisa Vaz / O Liberal

Em quase dez anos, desde 2012, o Pará já recebeu mais de R$ 819 milhões em investimentos a partir da geração própria de energia solar, além de ter criado mais de 4,9 mil empregos e ter arrecadado mais de R$ 209 milhões aos cofres públicos, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Ele ocupa o 13º lugar no ranking de Estados brasileiros com a maior potência instalada de energia solar na geração própria, somando 164,5 megawatts (MW) em operação nas residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos.

Além disso, a entidade aponta que o território paraense responde sozinho por 2,3% de todo o parque brasileiro de energia solar distribuída. No total, o Pará possui 14.859 conexões de energia solar, com cerca de 18.118 consumidores de energia elétrica que já contam com reduções na conta de luz e maior autonomia e segurança elétrica.

De todos os municípios paraenses, 93,8% já possuem conexões operacionais de energia solar em telhados e pequenos terrenos. Entre as 144 cidades do Estado, apenas nove ainda não contam com o sistema, das quais sete estão localizadas na região do Marajó: Afuá, Anajás, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Melgaço e Santa Cruz do Arari. Fora do território marajoara, também não têm energia solar os municípios de Aveiro, no sudoeste paraense, e Mojuí dos Campos, no oeste.

Coordenador estadual da Absolar no Pará, Daniel de Oliveira Sobrinho diz que o Estado é, atualmente, um importante centro de desenvolvimento da energia solar. “A tecnologia fotovoltaica representa um enorme potencial de desenvolvimento sustentável, econômico e social para os paraenses, com geração de emprego e renda, atração de investimentos privados e colaboração no combate às mudanças climáticas”, comenta.

Entenda o sistema

O pesquisador Bruno Albuquerque, que faz parte do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon) e desenvolve trabalhos no campo das energias renováveis, eficiência energética e qualidade de energia, explica que os sistemas fotovoltaicos, ou popularmente conhecidos como sistemas solares, se dividem em duas partes. A primeira é formada pelas placas solares que ficam expostas ao sol nos telhados, lajes e estacionamento, responsáveis por fazer a conversão da energia do sol em energia elétrica. E a segunda inclui os inversores, que podem ficar embaixo das placas ou fixos na parede, responsáveis por injetar a energia produzida na rede elétrica.

“Essa energia gerada a partir do sol pode ser utilizada imediatamente no local onde o sistema está instalado, pelos equipamentos elétricos ligados à tomada. Outra opção é ‘emprestar’ a energia para a distribuidora elétrica da região em troca de créditos, que são utilizados para descontar no consumo das próximas faturas. Esses créditos são válidos por 60 meses. Eles podem ainda ser utilizados por outras unidades consumidoras atendidas pela distribuidora local, de forma que o sistema fica instalado em um local como uma casa de praia e os créditos podem beneficiar a residência do proprietário em Belém”, diz.

O principal critério para instalação desses sistemas, segundo ele, é que o local apresente um telhado, cobertura ou outra infraestrutura que suporte seu peso. É interessante, neste caso, que o local não sofra sombreamento por outras estruturas e árvores. A instalação de um sistema fotovoltaico residencial pequeno pode ser feita em dois ou três dias, no entanto, o processo burocrático até o aceite da distribuidora pode levar mais de um mês.
Uma grande vantagem do sistema, na avaliação de Bruno, é que a energia solar se apresenta como uma forma sustentável e econômica para as pessoas gerarem sua própria energia. Com sua utilização, os gastos com eletricidade podem ser reduzidos em até 95%, dependendo do caso, e o tempo médio de retorno do investimento é de quatro anos, podendo ser ainda menor para o consumidor residencial.

“Vale ressaltar que o tempo de vida de uma placa solar ultrapassa os 25 anos, então é um investimento de longo prazo e curto tempo de retorno. Além disso, as pessoas que adotam a energia solar estão menos expostas aos aumentos no preço da energia, e passam a ter menos sustos com as variações na fatura, uma vez que apenas uma parcela menor da fatura é impactada por esses aumentos. Mas é importante alertar que o sistema é projetado para atender o consumo de energia médio da unidade consumidora, e extrapolar esse consumo, mesmo tendo o sistema instalado, vai aumentar a conta no final do mês”, alerta o professor.

Outra vantagem para quem busca essa tecnologia é que o Pará é um Estado extremamente indicado para os sistemas fotovoltaicos, por ter disponibilidade do recurso solar. Mas ainda há algumas barreiras a serem superadas na região. Devido ao valor inicial do investimento, em locais onde o poder aquisitivo da população é mais baixo, há uma dificuldade da adesão a essa tecnologia, segundo Bruno. Por isso, incentivos públicos são importantes.

“Atualmente, certas barreiras têm sido quebradas, permitindo que a população tenha acesso a linhas de financiamento com taxas cada vez mais atrativas. No entanto, isso ainda não é o suficiente para atingir algumas camada da sociedade. No caso de municípios do Marajó, há ainda a questão do acesso logístico, que pode ser uma barreira, além da necessidade da presença de mais empresas nessa região para a divulgação da tecnologia e aquisição desses equipamentos por parte da população”, avalia o integrante do Ceamazon.

Procura

Os recentes aumentos na fatura de energia elétrica resultaram na alta procura pela energia solar, de acordo com o empresário Félix Negrão Júnior, sócio-proprietário da Efiquali Serviços Elétricos Ltda. Apesar dos recentes aumentos nos custos dos equipamentos por questões relacionadas ao dólar e à logística internacional, ele diz que o investimento ainda é viável do ponto de vista econômico e tem retorno garantido.

Na avaliação dele, que é também engenheiro eletricista, a adesão ao sistema de energia solar é uma tendência local e também nacional. “O Pará associa dois elementos que tornam a energia solar muito atraente. O primeiro é o índice da radiação solar, que está entre os melhores do Brasil, e o segundo é a elevadíssima tarifa de energia elétrica aplicada no Estado – segunda maior do país. Quando você junta esses dois fatores, a alternativa de investir em energia solar fica muito atrativa e economicamente viável”, aponta.

Entre as vantagens da adesão ao sistema de energia solar, Félix destaca a parte financeira e também a ambiental. “Essa questão do meio ambiente é importantíssima e deve começar a fazer parte do cotidiano das pessoas se quisermos deixar um mundo melhor para as próximas gerações. Também podemos citar como benefícios a baixa manutenção, o fato de o sol ser uma fonte de energia inesgotável e já se fala até na valorização imobiliária”, ressalta.

Outro empresário que atua no setor é Andrey Russo, gerente de vendas na Russo Energia Solar. Para ele, esse tipo de conexão é o futuro, por ser uma energia limpa e renovável, proveniente do sol. As maiores vantagens, na avaliação do especialista, são a já mencionada redução de até 95% na conta de energia; valorização de 20% a 30% do imóvel; baixo custo de instalação e manutenção; energia 100% renovável; entre outros.

“Como costumamos dizer, a energia solar não é um gasto, é investimento. A redução da conta de energia é enorme. A maioria dos clientes faz um financiamento de cerca de cinco anos. Acabado o financiamento, o custo que fica é a taxa de disponibilidade do medidor e iluminação pública. E no âmbito ambiental, a energia solar é limpa e gera pouquíssimo impacto, não polui como as termelétricas e hidrelétricas. Essa não é só uma tendência no nosso Estado, mas também no Brasil e no mundo. Hoje as pessoas estão mais conscientes em relação à sustentabilidade do planeta”, avalia.

Por conta dos benefícios, Andrey afirma que o mercado está aquecido – devido à busca pela economia em gerar sua própria energia e para fugir dos aumentos das tarifas e bandeiras que ao longo do tempo vêm crescendo. A expectativa do empresário é de que o mercado cresça ainda mais. “Nosso objetivo é esse: levar energia limpa, barata e acessível para que cada vez mais pessoas e empresas possam gerar sua própria energia e ajudar a sustentabilidade do meio ambiente”.

A fisioterapeuta Andreza Bocchio, de 36 anos, aderiu à energia solar há três meses por causa dos grandes e constantes aumentos em sua conta de energia elétrica; ela, então, viu uma oportunidade de pagar menos pela eletricidade, acreditando na evolução  tecnológica que o setor de energia solar vem apresentando e na vantajosidade em termos de garantias dos equipamentos e as diversas linhas de crédito  oferecidas  pelas instituições financeiras.

Antes do sistema ser instalado, Andreza pagava duas faturas: uma em Belém e outra em Mosqueiro, onde há agora energia solar. Desde que os equipamentos estão em funcionamento, a fisioterapeuta já notou uma economia de R$ 500 a R$ 600 por mês, e agora gasta cerca de R$ 130. “Tenho um sistema que gera, em média, 550 kwh por mês, que tem sido minha economia em reais, uma vez que o custo de 1 kwh é de, aproximadamente, R$ 1, já com os impostos. Levando em consideração que trato o meu sistema como um investimento e que paguei em torno de R$ 20 mil, ele me dá um retorno de 3% ao mês, livres de impostos”, relata.

Segundo Andreza, a mudança que ela teve foi maior liberdade no orçamento e menos preocupação com aumentos na conta de energia. A fisioterapeuta acredita que este é um movimento “inevitável”, pois, com o custo de vida cada vez mais alto, as pessoas tendem a se proteger e gerar economia como forma de tentar sobreviver neste cenário. “A energia solar hoje é o melhor investimento, e tem garantias boas para quem faz uso. Temos grande retorno no nosso orçamento”, finaliza a consumidora.

Linha de crédito

Quem promove a utilização de energias renováveis também tem benefícios nas instituições financeiras. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, tem linhas de crédito para empresas e pessoas físicas nesta área. No primeiro caso, há um financiamento para aquisição de maquinários que promovam a eficiência energética e produção mais limpa, em linha de crédito já disponível para contratação.

Com o MPE Ecoeficiência, o empresário pode adquirir máquinas e equipamentos que reduzem a geração de resíduos e emissões, aumentando a eficiência no uso de matérias-primas e insumos, em especial de água e energia. São financiáveis por esta modalidade de crédito máquinas e equipamentos novos com finalidade específica no processo produtivo da empresa, como sistema de minigeração de energia por fontes renováveis ou sistema de eficiência energética; sistema de aquecimento solar de água; sistema de redução de desperdício, reciclagem ou tratamento de insumos ou recursos naturais; controladores de filtragem de gases ou partículas; entre outros.

A linha de crédito financia até 100% do valor do bem adquirido que resulte no processo produtivo mais limpo, limitado à capacidade de pagamento da empresa. O cliente tem até seis meses de carência e até 54 meses de amortização, totalizando o prazo de até 60 meses para a liquidação do empréstimo. A taxa de juros básica é de 1,09% + TR ao mês. Para a segurança do investimento, é feita a alienação fiduciária dos próprios bens financiados, que devem ser segurados com apólices com cobertura total de danos físicos.

Já para pessoas físicas, o financiamento é para sistemas de geração de energia elétrica fotovoltaica e custos de instalação para residências, com taxas a partir de 1,17% e prazo de até 60 meses, com carência de até seis meses para o vencimento da primeira parcela. O novo produto estará disponível em breve nas agências do banco.

O financiamento poderá ser de até 100% do projeto, limitado à capacidade financeira do cliente. O desembolso para pagamento dos equipamentos ocorrerá diretamente ao fornecedor cliente Caixe. Esse crédito pessoal Caixa Energia Renovável será oferecido em duas modalidades: sem garantias ou com caução de aplicações financeiras de renda fixa.

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Economia
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