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Pará entra na corrente dos carros elétricos

Frota cresce a cada ano e já há até cooperativa de carros com essa matriz energética

Abílio Dantas / O Liberal

O mercado de veículos elétricos vem crescendo rapidamente ao longo dos últimos anos. Segundo levantamento feito pela empresa Neocharge, especialista em carregadores para carros e veículos elétricos e infraestrutura para mobilidade elétrica sustentável, a frota de automóveis elétricos no Pará saiu de 37, em 2015, para 813 em 2021, número que inclui veículos híbridos, movidos por energia elétrica e motor a combustão, e representa 1,32% do total de veículos do estado.

Em 2020, a venda de carros elétricos no mundo atingiu a marca de três milhões de veículos, um crescimento de 41%, de acordo com o relatório Global EV Outlook 2021, publicado pela Agência Internacional de Energia (AIE). O total representa uma participação de 4,6% das vendas globais de automóveis. Atualmente, são cerca de 10 milhões de carros elétricos em uso no planeta. Pela primeira vez, a Europa ultrapassou a China e se tornou o maior mercado de veículos elétricos do Planeta. No Pará, para que o mercado seja consolidado, dois fatores são apontados como fundamentais: a redução do preço dos veículos e a implantação de eletropostos, os postos de abastecimento de veículos elétricos.

UFPA

Dois ônibus elétricos circulam na Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 2019, período em que foram colocados também cinco eletropostos na Grande Belém; quatro no Campus Belém da universidade e um em Castanhal. As estruturas e os veículos foram resultados de um projeto do Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), da UFPA, em parceria com o Parque Tecnológico do Guamá, e financiamento da Eletrobrás. O sistema utilizado está em conformidade com as normas e os padrões de funcionamento e desempenho de distribuição de energia elétrica no País, estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O projeto, que está em andamento, ainda contará com barco elétrico equipado com painéis fotovoltaicos e um sistema elétrico capaz de garantir à embarcação uma autonomia de até seis horas. Será um “catamarã solar”, projetado pela Fenav/UFPA, com capacidade de receber até 20 passageiros e portar baterias que possam ser carregadas pelas placas fotovoltaicas instaladas neste transporte e por carregador elétrico.

A professora e pesquisadora Maria Emília Tostes, coordenadora do Ceamazon, destaca que o principal objetivo do centro é desenvolver estudos voltados para a diminuição de desperdícios de energia elétrica. Especificamente sobre a popularização do uso de carros elétricos, ela afirma que não basta que sejam “limpos”, que não emitam gás carbônico (CO2) para a atmosfera, se o sistema energético utilizado para carregar as baterias também não for ecologicamente responsável. “Não adianta nada você ter carros elétricos, que são movidos a eletricidade e, portanto, não poluem, mas você utilizar eletropostos que carregam as baterias por meio de combustão, por exemplo. O sistema da UFPA é totalmente limpo, porque construímos duas usinas fotovoltaicas para os eletropostos”, explica.

Danos ambientais

Com o custo em torno de R$ 1,5 milhão por unidade, os ônibus elétricos ainda são muito caros, o que representa um obstáculo para a difusão mais rápida do veículo, diz a professora. “Também destaco o problema do descarte das baterias, já que é preciso encontrar um meio de diminuir os danos que podem causar. Há diferente tipos, mas elas podem durar de 10 a 20 anos”, informa a especialista.

Carros elétricos são alternativa a motores de combustão (Márcio Nagano / O Liberal)

O professor Everton Ruggeri, coordenador do curso de engenharia mecânica da Universidade da Amazônia (Unama), explica que a principal diferença entre os carros elétricos e os tradicionais é o tipo de energia utilizada para que o veículo possa entrar em movimento. “No motor de combustão interna, o combustível, a partir da energia calorífica, é revertido em energia mecânica pelos componentes móveis do motor. Já no caso do veículo elétrico é necessária uma bateria que será carregada, e que funciona por corrente contínua. A corrente elétrica será direcionada a um inversor, que irá convertê-la em corrente alternada e, depois, ao motor embutido elétrico que será, de fato, atribuído de forma direta ao eixo motriz”, ensina.

Alternativa

Quando os aplicativos de transporte chegaram a Belém, em 2015, o taxista Isaac Nunes refletiu sobre a necessidade de encontrar uma alternativa para baixar os custos de seu carro para que pudesse oferecer preços mais competitivos aos clientes, e assim poder concorrer com os baixos valores oferecidos pelo novo segmento. Após tentar experiências com hidrogênio como fonte de energia, mas sem sucesso, ele entrou em contato com iniciativas em São Paulo como veículos elétricos e criou a Cooperativa de Transporte de Profissionais Autônomos em Mobilidade Elétrica do Estado do Pará (Comep).

Táxi do futuro

O objetivo da cooperativa é fazer com que os modelos elétricos possam ser utilizados por frotas de táxi, e contribuir para a diminuição dos gastos dos motoristas, ao mesmo tempo em que atuam também como redutores de emissão de gases poluentes no Pará. “Eu trouxe o projeto do táxi elétrico para o Pará não apenas por interesse próprio, mas pensando que o gás carbônico é a principal causa do aquecimento global. Também queremos que o transporte em Belém seja mais organizado, para que as competições entre os motoristas sejam reguladas”, afirma.

Atualmente, a Comep possui mil inscritos e está em contato com uma concessionária para que seja firmada uma parceria. “Hoje, Belém do Pará é a sexta capital com o maior número de vendas de carros elétricos. Em 2030, todas as empresas automobilísticas terão que fabricar carros elétricos. Nós precisamos nos preparar”, conclui.

Economia
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