​Pará ainda tem fila de espera para comprar carro​s

​Apesar da melhora no setor, que teve sua pior fase na pandemia, consumidores ainda podem enfrentar demora

Elisa Vaz

A falta de componentes impactou a indústria automobilística nos últimos anos e se tornou um problema mundial, o que fez clientes esperarem meses para receber o veículo comprado porque toda a cadeia passou por dificuldades na compra de materiais para construir os automóveis. No Pará, embora o cenário já esteja melhor e em plena recuperação, em alguns casos ainda existe uma longa demora, chegando a quase um ano, dependendo do carro escolhido. 

Integrante da diretoria do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Pará e Amapá (Sincodiv-PA/AP), André Santiago explica que toda a indústria sofreu com a falta de componentes, principalmente os semicondutores, uma classe de materiais capazes de conduzir correntes elétricas. Hoje, no entanto, essa escassez atinge mais os veículos de alto giro, o que gera a necessidade de produção em maior escala, mas trata-se de algo "muito pontual".

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"A falta aconteceu, em grande parte, no período da pandemia, pois a matriz produtiva ficou um tempo parada e depois foi se adequando às políticas sanitárias, com um retorno gradativo. Nessa época as filas duravam mais de seis meses em diversos produtos", comenta. Embora o período de escassez tenha prejudicado as vendas no Estado, porque muitos clientes mais imediatistas deram prioridade a fabricantes que possuíam o veículo na hora, André afirma que o cenário está melhor: "Hoje estamos com o mercado quase normalizado, com a fila quase toda sanada, então é o momento mais propício desde o fim da pandemia". 

Em uma concessionária de Belém, a pronta entrega já está disponível novamente para vários modelos de veículos. No momento mais crítico, os impactos ocorreram, principalmente, na modalidade de vendas diretas de fábrica, segundo o gerente-geral da empresa, Emerson Rodrigues. De acordo com ele, isso ocorreu pela falta de componentes no mundo, a exemplo dos semicondutores, concordando com André, representante do setor. Emerson conta que muitos clientes não quiseram aguardar o tempo de espera e optaram por comprar automóveis seminovos, o que prejudicou o emplacamento na concessionária.

"Foi principalmente em carros com diversas tecnologias e também devido à grande procura pelos modelos da marca. A concessionária está conseguindo atender aos clientes com carros a pronta entrega e, em casos de vendas diretas de fábrica, está normalizando o tempo de entrega, sempre pensando em buscar a satisfação conforme a necessidade dos nossos clientes. O cenário já está normalizando e, dependendo do modelo do veículo, a média de espera é de dois meses", informa.

O diretor de marcas de outra concessionária de Belém, Vander Moreira, afirma que, hoje, a espera máxima é de dois meses, mas apenas para modelos importados, e a maioria tem pronta entrega. Na época mais crítica da pandemia da covid-19, no entanto, a demora era constante. "Não estamos mais com esse problema na empresa. Na pandemia a espera foi maior e agora podemos dizer que o cenário está mais normalizado", ressalta. Vander ainda diz que, nos casos em que o cliente precisa esperar até dois meses para receber o veículo comprado, o principal motivo é que ainda faltam peças no mercado, um reflexo da pandemia.

A escassez afetou o economista Lucas Conde, de 31 anos. Na época em que comprou o veículo de sua preferência foi informado pela empresa de que levaria cerca de quatro a cinco meses para que o carro chegasse. Ao longo do período, o consumidor teve "dores de cabeça" e já chega perto de nove meses de espera atualmente. Embora já soubesse da possibilidade de atraso, Lucas se sente prejudicado.

"Foi um prazo dado pela concessionária, não esperava que chegasse a isso. Os cálculos que foram feitos mostraram que daria para ficar um bom tempo com meu outro carro usado, o que não aconteceu porque eu fiquei com medo de perder a oportunidade de mercado e, como houve uma inflação muito grande dos carros usados devido à demora do zero, fiz a venda. Passei o que era para ser cinco meses para quase nove rodando de outras formas, com carros que eu aluguei, contratos com concessionárias e até aplicativos e por aí vai", relata. De acordo com o motorista, o carro comprado tem um certo luxo e "mordomias".

Economia
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