Oscar Rodrigues destaca expansão do varejo e aposta em crescimento com segurança no Grupo Líder

Em entrevista ao Grupo Liberal, empresário falou sobre desafios do setor, fidelização de clientes, logística, tecnologia e os próximos passos da empresa

Gabriel Pires

Com mais de 50 anos de atuação no varejo em Belém, o empresário Oscar Rodrigues, sócio-administrador do Grupo Líder, avalia que o Pará vive um momento de grande potencial para novos negócios e expansão do comércio. Em entrevista ao Grupo Liberal, ele destacou os desafios enfrentados pelo setor, a importância da proximidade com o consumidor e defendeu um modelo de crescimento baseado em planejamento e segurança. Para Rodrigues, o varejo paraense tem características próprias, principalmente pela relação de proximidade entre empresas e clientes.

Segundo ele, entender o comportamento do consumidor é um dos fatores que sustentam a permanência do Grupo Líder no mercado, que atualmente conta com 30 lojas e cerca de 18 mil funcionários. O empresário também falou sobre a estratégia de diversificação da empresa, que reúne supermercado, farmácia, magazine, home center, pet shop, entre outros serviços, além dos investimentos em logística, tecnologia e expansão. Para ele, apesar das transformações no setor, a presença das pessoas continua sendo essencial para o funcionamento do negócio.

O LIBERAL: Como o senhor enxerga hoje o cenário do empreendedorismo no Pará, especialmente no varejo, que é o setor em que o senhor atua há tantos anos? Quais são os principais desafios e oportunidades para os empresários paraenses?

OSCAR RODRIGUES: Estou em Belém há 53 anos. Crise, a gente já viveu muito tempo. E eu digo: não se deixe impressionar por esse pessoal que fala em crise. Toque para a frente, porque a gente já passou por tantas crises, por tantos momentos de luta. E agora a gente está vivendo outros. Tem falta de trabalho, muito jogo, o pessoal está estourando o dinheiro deles, e a gente não deve desistir disso.

O meu foco é motivar as pessoas a trabalhar. Eu vejo que o nosso mercado no Estado do Pará tem um potencial enorme. O Grupo Líder está com 18 mil funcionários e estamos somente no Estado do Pará. Ainda tem muito lugar para expandirmos.

OL: E como manter essa fidelidade com o cliente ao longo de anos?

O nosso foco é o consumidor final. Então, quando o consumidor final é atingido, e muitas coisas contribuem para isso, a gente sente. A gente não pode desistir. É preciso seguir as mudanças. Em 53 anos de trabalho, que o Grupo Líder está no mercado de varejo em Belém, muita coisa já mudou e vai continuar mudando.

Eu vejo o varejo muito atuante. Eu costumo dizer que o consumidor paraense é muito mimado. Ele gosta de ser bem cuidado, bem tratado, ele quer sorriso. Nós somos muito calorosos, isso faz parte da nossa naturalidade.

Algumas pessoas que vêm de fora estranham, porque em outros lugares não existe esse costume de ter empacotador de mercadoria como temos aqui. Aqui, uma pessoa entra, é bem atendida, passa no caixa, normalmente tem alguém para embalar as compras e levar até o carro.

Em São Paulo e em outros estados, muitas vezes não é assim. Então, algumas pessoas que vêm de fora estranham um pouco, porque nós somos, realmente, um povo acolhedor. O paraense é um consumidor exigente. Não tem nenhum supermercado em Belém, um comércio, por exemplo, que o consumidor tenha cafezinho gratuito.

OL: O Grupo Líder reúne supermercado, farmácia e magazine em um mesmo sistema, o que se tornou um dos grandes diferenciais da empresa. Como foi desenhada essa estratégia de diversificação dos serviços?

OR: Nós estamos no varejo há 53 anos. Eu poderia dizer, sem nenhuma vaidade, que conhecemos o que o nosso cliente quer. O nosso cliente quer chegar e encontrar tudo. E, no Grupo Líder, ele encontra tudo. Eu costumo dizer que, às vezes, as pessoas falam para mim que nós somos um grupo de supermercados. Não. Nós temos supermercado, mas somos muito mais do que isso.

O supermercado representa uma parte do negócio. Se você chegar a uma loja do Líder, vai encontrar lavanderia, pet shop, material de construção, farmácia, moda, eletrodomésticos, laboratório e consulta médica. Tem tudo o que você possa imaginar.

Eu não consigo entender ou me convencer de que oferecer menos serviços e menos produtos seja mais vantajoso do que oferecer um conjunto completo de opções. Claro que existe um ponto muito importante, que é o preço. Ninguém faz milagres. Nós vendemos por um preço justo.

Toda empresa, e você sabe disso, precisa ter lucro. Sem lucro, ela não sobrevive nem cresce. Eu não diria que tenho orgulho, porque essa é uma palavra muito pesada, mas tenho muita alegria pelo trabalho que a gente faz.

OL: Hoje, além de empresário, o senhor também se tornou um influenciador nas redes sociais. Como surgiu essa ideia de produzir conteúdo? E de que forma essa presença na internet aproximou o senhor dos clientes e do público?

OR: Essa coisa da internet foi algo fantástico que aconteceu. Eu leio todos os comentários que fazem, e eles me ajudam demais. A crítica é muito importante. Sempre que alguém faz uma crítica, eu tiro um print e encaminho imediatamente para o responsável, para que ele veja e corrija o problema. Isso nos ajuda muito e aproxima a empresa do cliente.

OL: Como o Grupo Líder estruturou sua cadeia de suprimentos para garantir o abastecimento constante das lojas e manter a competitividade de preços, considerando as grandes distâncias e as peculiaridades do mercado paraense?

OR: Trabalhar com varejo, com comércio, principalmente com alimentos em Belém, é um desafio. Porque o centro produtor está lá no Sudeste. De lá para cá, as cargas normalmente têm que vir por via rodoviária e levam oito dias para chegar.

A importância que a gente dá para a nossa logística é a mesma importância que a gente dá para os nossos clientes. A gente tem um foco no Grupo Líder: o nosso centro de distribuição não deixar que um caminhoneiro chegue e permaneça mais tempo do que o necessário para descarregar. Isso é prioridade. E prioridade também é não deixar que falte produto na loja. Não pode faltar. Para isso, a logística é muito importante. Além da frota própria, nós trabalhamos com muitos terceirizados.

Eles fazem o trabalho, fazem a distribuição, porque não é só abastecer a loja. Muitas vezes é preciso entregar, no caso do Home Center, no caso do Magazine, tem entrega própria da farmácia também. Nós temos entrega e precisamos de uma logística muito especial para isso. Eu quero dizer que nós damos uma importância enorme para a parte da logística.

OL: Falando de futuro, de que forma o senhor projeta o crescimento do varejo para os próximos anos?

OR: O nosso Estado do Pará, em geral, é um dos mais ricos da Federação. Ele ainda não foi desenvolvido, mas daqui a 50 anos, 100 anos, nós temos todas as vantagens. Porque nós estamos perto de tudo. Nós temos porto, temos o interior muito forte, temos um solo muito rico, riquíssimo. Então, as perspectivas para o Estado do Pará são as melhores.

Aqui você vê as cidades que nós temos e o desenvolvimento que elas estão tendo. Então, eu vejo com muito otimismo o futuro de todo o comércio, de todos os negócios aqui, seja do varejo ou de todos os outros setores. Vejo o trabalho do varejo muito positivo.

OL: Como o Grupo Líder busca equilibrar essa transição tecnológica, que é inevitável, com a manutenção dos milhares de empregos diretos gerados pela empresa?

OR: Está acontecendo uma mudança no mundo, principalmente com a inteligência artificial, que a gente talvez não esteja dando o valor que ela tem, e ela está sendo tão importante quanto a chegada da internet no mundo. Está acontecendo muito para o povo. O que é que você pode fazer? Acompanhar tudo.

Em nossa atividade, e eu costumo sempre dizer, os equipamentos e os computadores fazem uma diferença muito grande, mas nós ainda precisamos muito das pessoas. As pessoas são muito importantes. Poucas máquinas substituem o homem.

Então, por isso que a gente continua precisando de trabalhadores, de funcionários. No Grupo Líder, eu chamo eles de nossos guerreiros e nossas guerreiras. Estamos com 18 mil funcionários. Há rotatividade, mas não temos problema ainda de mão de obra. Graças a Deus, nossa mão de obra funciona muito bem. Não podemos perder o foco nisso. De jeito nenhum.

OL: A COP 30, realizada no ano passado, em Belém, trouxe mais oportunidades para a economia do Pará? De que forma o senhor avalia que o evento agregou?

OR: Poucas pessoas deram a devida importância ao que foi a COP aqui em Belém. Talvez ainda não tenham mensurado o quanto a COP foi importante. Durante alguns dias, nós fomos o centro do mundo e tivemos uma oportunidade fantástica. Tivemos uma experiência positiva no Grupo Líder. Eu chamei a menina do RH e pedi: "Eu quero colocar em cada loja algumas pessoas que falem inglês e português". Colocamos em todas as lojas uma equipe bilíngue.

Em cada loja, colocamos quatro pessoas preparadas para atender os visitantes, com roupa verde, dizendo: "Posso ajudar?". Recebemos esses estrangeiros e foi uma experiência fantástica. Nós temos algumas lojas que funcionam 24 horas, uma delas muito próxima ao Hangar. A gente chegava ali às 10h, 11h da noite, e estava movimentado por causa do evento. Para nós, foi algo que eu planejei junto com o nosso pessoal do marketing, que ajudou, e foi um sucesso enorme.

OL: Sobre o futuro e a expansão do Grupo Líder, quais são os próximos passos planejados? O que o senhor pode adiantar sobre os novos projetos e os caminhos que a empresa pretende seguir nos próximos anos?

OR: Da mesma forma que eu falei sobre as atividades, nós parecemos estar na contramão de tudo no mercado. Enquanto outros negócios e outros ramos do varejo estão diminuindo as opções oferecidas ao cliente, focando em pouca variedade, nós estamos cada vez mais expandindo.

Sobre crescimento. Nós não queremos ser o maior. Crescer desordenadamente não faz sentido. Antigamente, lá no meu interior, em Igarapé-Miri, a gente tinha muita preocupação de se endividar. Hoje, eu quero que a gente cresça com o pé no chão. Faz, dá um passo. Deu? Faz uma loja. Ela maturou, está bem. Vamos seguindo.

No ano passado, nós abrimos quatro lojas. Para nós, isso é muita coisa. Não é só abrir a loja, é maturar, organizar, administrar e colocar a equipe para trabalhar. Nós temos 30 lojas. Em cada loja tem supermercado, tem uns cinco gerentes.

Tem supermercado, tem farmácia, tem home center, tem pet shop, tem o Magazine. E eu gosto muito de saber o nome de cada gerente, de saber com quem eu estou falando. Pela manhã, a primeira coisa que eu faço quando acordo é receber deles todas as informações das lojas: vendas, nomes, problemas que tiveram.

Eu quero crescer com segurança. É isso que eu prego para toda a nossa equipe: seguir caminhando sempre. Lentamente, de forma gradual, mas com segurança. A gente não quer fazer aventura. Quero sempre poder dormir tranquilo.

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