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Falta de pedreiros desafia canteiros de obras no Pará, diz Sinduscon

Segundo as empresas, migração para a informalidade gera atrasos e aumenta custos de produção no setor regional

Gabriel da Mota
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Construtoras que atuam no Pará enfrentam dificuldades crescentes para preencher vagas operacionais de pedreiros, carpinteiros e serventes nos canteiros de obras. Conforme avaliação enviada à reportagem pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon-PA), há um desequilíbrio estrutural entre a alta demanda dos projetos em andamento e o volume de trabalhadores qualificados disponíveis no mercado formal paraense.

Para a entidade patronal, a escassez desses profissionais na folha de pagamento regularizada é impulsionada pela migração de trabalhadores para o mercado informal e pelo impacto de políticas públicas assistencialistas. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Belém (STICMB) também foi procurado pela reportagem para comentar o cenário do emprego sob a ótica da categoria, mas não enviou retorno até o fechamento desta edição.

O vice-presidente do Sinduscon-PA, Emmanuel Athayde, explica que o descompasso força as empresas a lidarem com maior rotatividade de equipes e gastos extras com treinamento de funcionários. “Nossas associadas relatam, com cada vez mais frequência, prazos mais longos para contratação”, afirma o dirigente. De acordo com a liderança empresarial, a menor produtividade provocada pela instabilidade das equipes atinge o fluxo de caixa corporativo, gerando revisões orçamentárias e o adiamento ou redimensionamento de projetos imobiliários no estado. 

Como a falta de pedreiros afeta os custos e orçamentos das obras

O fator mão de obra representa um dos principais componentes das despesas globais de construção e gera forte pressão sobre o fluxo de caixa corporativo no estado. A despesa com a manutenção de equipes aumentou após a Convenção Coletiva de Trabalho 2025/2026 estipular reajustes salariais acima da inflação do período. Além do piso corrigido, o setor concede benefícios obrigatórios como auxílio cesta básica, auxílio-transporte e seguro de vida.

A reduzida produtividade gerada pela instabilidade das equipes afeta diretamente o planejamento financeiro das construtoras paraenses. De acordo com Emmanuel Athayde, a elevação constante de gastos impacta a continuidade dos empreendimentos locais. “Ao achatar a margem operacional das construtoras paraenses, o fenômeno força revisões de orçamentos e, em alguns casos, o adiamento ou redimensionamento de projetos, cenário que não apresenta sinais claros de estabilização no curto prazo”, detalhou o vice-presidente.

Entenda como a PEC do Emprego pode ajudar a construção civil

Para tentar mitigar o impacto tributário e conter o avanço da informalidade, o sindicato patronal defende soluções estruturais no campo fiscal. A principal prioridade da categoria é a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 012, conhecida nacionalmente como PEC do Emprego. O projeto propõe substituir a contribuição previdenciária patronal fixa calculada sobre a folha por alíquotas reduzidas aplicadas na receita bruta das construtoras.

Atualmente, os altos encargos sociais e trabalhistas formais — incluindo FGTS e INSS — podem ultrapassar 100% do salário-base do operário contratado. A redução dessa carga tributária é apontada pelo sindicato como o caminho para viabilizar contratações regularizadas em maior escala no Pará. “A PEC 012 certamente reduziria o custo unitário do trabalhador formal, tornando a contratação mais competitiva frente ao mercado informal e permitindo que as construtoras reinvistam recursos em salários mais atraentes, benefícios complementares e qualificação profissional”, defendeu Athayde.

Saiba quais soluções as construtoras adotam contra o déficit de operários

Como alternativa imediata para suprir o desfalque de trabalhadores, o setor acelera investimentos em industrialização e modernização tecnológica. As empresas locais priorizam a introdução de sistemas de automação, processos de pré-fabricação de estruturas e o uso da metodologia BIM (Modelagem de Informação da Construção) nos projetos. As ferramentas visam diminuir a dependência de serviços manuais intensivos e elevar a eficiência operacional das frentes de trabalho.

No campo da formação, a indústria paraense mantém uma parceria permanente com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-PA) para expandir programas de capacitação técnica e qualificar novos operários. As construtoras também realizam melhorias nas condições de segurança e saúde ocupacional alinhadas à nova norma NR-1, focando na prevenção de riscos psicossociais. “Essas iniciativas buscam resgatar esses trabalhadores da informalidade, oferecendo estabilidade, direitos trabalhistas e perspectiva de carreira”, concluiu o vice-presidente do Sinduscon-PA.

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