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Efeito Copa: vendas de acessórios devem crescer 80% após estoques esgotarem em Belém

Empreendedores de moda autoral comemoram alta na procura e reforçam a produção para os próximos jogos da seleção

Gabriel da Mota

As vendas de acessórios temáticos para a Copa do Mundo devem crescer pelo menos 80% neste mês em Belém após os estoques de algumas lojas esgotarem na semana do primeiro jogo da seleção brasileira. Empreendedores locais de moda autoral e artesanal precisaram convocar reforços na equipe e acelerar o ritmo de fabricação para atender à forte demanda dos torcedores. O movimento surpreendeu o varejo paraense e superou a procura registrada em datas comerciais tradicionais, como o Dia dos Namorados. 

A empresária Giselda Guedes, proprietária da marca homônima, relatou que o faturamento final depende do avanço do Brasil no torneio, mas a projeção de 80% de aumento é sustentada pelo forte engajamento inicial. Para a lojista, que atua há 28 anos no mercado, o sucesso comercial inesperado reflete uma carência da população por momentos de alegria. Segundo Giselda, o público busca escapar de tensões provocadas por brigas políticas, religiosas e guerras. "Acho que as pessoas estão muito carentes de muita coisa. Isso acaba unindo todo mundo para amar a nossa pátria e estimular essa vibração pelo Brasil", declara a empresária. 

image Giselda Guedes, artesã e empreendedora (Carmem Helena / O Liberal)

Procura por itens exclusivos artesanais dispara na capital

Os colares de berloque folheados, inspirados em modelos utilizados pela cantora Anitta, tornaram-se o principal destaque de vendas na loja de Giselda, com preços que variam entre R$ 39 e R$ 55. Também esgotaram rapidamente os pingentes temáticos com formato de bolas de futebol, camisas de número 10 e bandeiras do Brasil. Conforme explica Giselda, o público demonstra preferência por adereços em verde e amarelo que possam ser reaproveitados em outras ocasiões pós-torneio. 

Para atender aos pedidos do próximo jogo, que será exibido nesta sexta-feira (19) à noite, a equipe trabalha em ritmo acelerado na reposição de novas peças. A vendedora Karen Maria, colaboradora responsável pelo atendimento da marca, detalha que o processo de escolha e fechamento de pedidos via WhatsApp leva cerca de 30 minutos. Por causa da exclusividade e quantidade limitada de peças artesanais produzidas no ateliê, os clientes costumam pagar antecipadamente via Pix ou débito para garantir os produtos, optando por entregas rápidas ou retiradas expressas de carro.

image Para atender aos pedidos do próximo jogo da seleção, a equipe de Giselda trabalha em ritmo acelerado na reposição de novas peças (Carmem Helena / O Liberal)

Tendência de itens feitos à mão atrai compradores de outros estados

O otimismo com o mercado verde e amarelo também é compartilhado pelo empreendedor Davi Azevedo, fundador da marca Davi Quem Fez. Ele explica que a valorização de produtos handmade (feitos à mão) e que carregam uma forte identidade cultural de "brasilidade" é uma tendência global consolidada para os anos de 2026 e 2027. Na loja de Davi, os campeões de vendas são os broches artesanais confeccionados com miçangas e cristais no formato da bandeira nacional, comercializados com preços a partir de R$ 29,90. O estabelecimento comercializa, ainda, camisas temáticas com estampas afetivas de cadeiras de plástico, copos de cerveja e o cachorro caramelo — esta última também foi um sucesso de vendas na loja de Giselda Guedes, que esgotou as 60 unidades encomendadas.

image Os broches da coleção de Davi foram criados artesanalmente, utilizando miçangas e cristais (Reprodução / Instagram @daviquemfez)

A visibilidade gerada pelas publicações nas redes sociais fez com que o alcance da loja paraense rompesse as fronteiras regionais e atingisse o público nacional. "Por incrível que pareça, as redes sociais entregaram os nossos produtos para o Brasil inteiro. Então a gente está enviando também para outros estados", revela Davi. 

Segundo ele, a empolgação geral dos torcedores locais e nacionais cresceu expressivamente após o Brasil vencer por goleada um amistoso contra o Panamá, no fim de maio, fazendo com que o público passasse a investir mais em adereços personalizados. O empresário aposta na nostalgia dos anos 90 e em coincidências históricas com a Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos exatamente 24 anos após o título de 1970, mesma distância temporal entre a conquista de 2002 e o ano atual de 2026.

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