Crise global de memória RAM pode elevar preços de celulares e eletrônicos no Pará em 2026
Escassez global pode pressionar preços de smartphones, TVs e computadores no Pará após o primeiro trimestre, diz vendedor do setor
Por que a memória RAM é estratégica
A memória RAM é responsável pelo processamento instantâneo de tarefas em dispositivos eletrônicos, garantindo velocidade e desempenho. Diferente do armazenamento interno, ela não guarda arquivos, mas permite que aplicativos e programas funcionem de forma rápida e eficiente. A falta desse componente pode reduzir a performance dos aparelhos e encurtar sua vida útil, impactando o custo-benefício para o consumidor.
Segundo Roberto Teixeira, gerente de uma loja de eletrônicos no bairro de Nazaré, em Belém, a crise já começou. "Ainda não teve efeito tão forte no Brasil, mas esperamos que em 2026 a oferta menor de produtos com memória RAM afete smartphones, TVs e outros eletrônicos", explicou.
Escassez global e impacto econômico
O aumento nos preços não é resultado apenas da demanda local. A escassez global de memória RAM foi um alerta de Sanjay Mehrotra, CEO de uma fabricante de semicondutores global. Ele atribui o desequilíbrio à expansão acelerada dos data centers de inteligência artificial (IA).
A empresa de Mehrota, que produz DRAM (memória RAM) e NAND — usada em SSDs e memórias flash —, afirma que a oferta da indústria deve permanecer abaixo da demanda no curto e médio prazo. Samsung e SK Hynix também indicaram dificuldades para acompanhar o ritmo de consumo.
Segundo Sanjay, mesmo com esforços de expansão, o setor enfrenta limitações estruturais, o que mantém os custos elevados e reforça a pressão sobre os preços de eletrônicos em 2026.
Essa reorganização da indústria é considerada inédita e afeta toda a cadeia de eletrônicos, já que, segundo Roberto, cerca de 90% dos aparelhos dependem da memória RAM.
“Isso vai influenciar não apenas celulares, mas também computadores, consoles e TVs”, explica Teixeira. O impacto econômico será sentido principalmente nos produtos de maior desempenho, que exigem mais memória para funcionar de forma otimizada, como os computadores e notebooks.
Como a alta deve chegar ao consumidor
No varejo, a expectativa é que os preços aumentem gradualmente. Segundo Teixeira, “o efeito mais perceptível nos valores deve aparecer já no primeiro trimestre de 2026 e de forma mais expressiva a partir de abril”. Além da escassez de chips, fatores como a variação do dólar e o cenário político-eleitoral podem reforçar a pressão sobre os preços.
Roberto detalha que o setor se prepara observando o mercado global e acompanhando as variações da moeda de importação, o que encarece esses produtos. E alerta, que, com a previsão de aumento nos preços, quem pretende investir em um dispositivo eletrônico, faça o quanto antes.
"A gente ainda não sabe dizer quanto vai aumentar, mas o certo é que a partir de abril a gente consiga ver mudanças nesses valores. Por isso, é bom não deixar pra depois e começar a buscar logo fazer esse investimento. Senão, pode pagar mais caro", disse.
Dicas para o consumidor se preparar
Para quem planeja comprar eletrônicos em 2026, especialistas recomendam:
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Antecipar a compra: adquirir aparelhos antes do aumento pode reduzir o impacto no orçamento.
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Avaliar a memória necessária: escolher produtos com memória RAM adequada ao uso diário, evitando gastar com recursos que não serão aproveitados.
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Observar custo-benefício: considerar não apenas o preço, mas o desempenho e a durabilidade do aparelho.
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