Pará tem mais de 2 mil vagas de trabalho na área da saúde

Roberta Paraense

Ainda não há índices oficiais que indiquem um aumento na oferta de trabalho para o setor de saúde nos primeiros meses de 2020. Porém, uma pesquisa da Catho, empresa de recrutamento, revela que devido a pandemia do novo coronavírus, no Brasil, o número de vagas de trabalho na área cresceu mais de 700% em março, na comparação com igual período de 2019. No Pará, atualmente, há mais de 1.977 ofertas no segmento, em, ao menos, 20 instituições públicas e privadas. A demanda é ainda superior, já que a maioria das entidades não estimam o número de vagas. As ofertas são para contratação imediata, cadastro de reserva e convocações.

A pesquisa da Catho mostra que a busca por enfermeiros de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) subiu 718%, enquanto a procura por técnicos de enfermagem chegou a 700%. Em apenas uma semana de março, a recrutadora revela que o setor de saúde abriu mais de 3,7 mil vagas no Brasil. A realidade local segue a tendência nacional. Com os hospitais e unidades de saúde cada vez mais lotados, as redes pública e privada estão contratando maqueiros, fisioterapeutas, auxiliar de necrópsia, biomédicos, farmacêuticos, tec. de enfermagem, enfermeiros e médicos de todas as especialidades. A área recruta também de outros profissionais: motoristas, cozinheiros e serviços gerais para dar conta da alta demanda. A reportagem fez um levantamento de locais que estão recrutando. Além de hospitais, encontramos: farmácias, laboratórios, convênios e organização social. (confira no infográfico).

Demanda

O carro-chefe das ofertas de trabalho são os governos diante à superlotação e atendimento de casos suspeitos ou diagnosticados com a covid-19. Para se ter um recorte do cenário apocalíptico na saúde da capital, a Policlínica Metropolitana fechou as portas por superlotação no primeiro dia de atendimento a paciente de coronavírus. Em três dias, o local atendeu 1.400 pessoas com a suspeita. Na noite de quinta-feira (23), o Serviço de Verificação de Óbito (SVO), da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), retirou oito corpos que estavam no chão de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Belém. Até um caminhão frigorífero está sendo usado para abrigar os cadáveres. A situação ganhou repercussão nacional.

Até a tarde de sexta-feira (24), o Pará registrou 75 óbitos pelo coronavírus e 1.446 casos. No entanto, os profissionais da área acreditam que o número real seja bem superior, devido à minoria da população estar sendo testada.     

Esta semana, o governador Helder Barbalho anunciou a ampliação de leitos, e consequentemente, contratações de profissionais para operar no atendimento. Na Região Metropolitana de Belém (RMB), os hospitais Galileu, Abelardo Santos e Metropolitano, vão dispor de 95 novos leitos de enfermaria, o último, terá mais cinco UTIs. Ainda serão instalados mais 450 leitos para tratamento intensivo no Estado. O Governo entregou o Hospital de Campanha de Breves, no Marajó. Para o atendimento nesses locais, estão sendo convocados 377 médicos e 303 residentes, através do Diário Oficial do Estado (DOE). O Governo também está contratando 86 médicos cubanos.

Questionada sobre o número total de vagas abertas no Pará, a Sespa diz que, “quantificar vagas é complicado, fazemos projeções para dispêndio com pessoal, não podemos tratar como um concurso, é uma necessidade emergencial, e nesse sentido todos os canais, que recepcionam currículos, servem como base de seleção”. A Secretaria informa ainda que, haverá mais contratações em todas as unidades que necessitarem, como nas Fundações Santa Casa e Hospital de Clínicas, no Ophir Loyola e nas OSS. Cada instituição pode realizar seleção própria. 

Prefeitura

Ainda em Belém, na última quinta-feira (23), duas UPAs fecharam as portas por superlotação. Os pacientes têm de voltar pra casa sem atendimento. Com a falta de Equipamento de Proteção Individual (EPIs), os profissionais também estão na penúria: adoecendo e dobrando plantões. Servidores do Pronto Socorro Municipal  (PSM) Mário Pinotti, no dia 15 de abril, fecharam a travessa 14 de março em protesto. Eles cobravam melhores condições de trabalho. O prefeito Zenaldo Coutinho, em entrevista à CNN, reconheceu que o sistema de saúde da cidade está próximo ao colapso. Zenaldo sinaliza também fazer novas contratações, mas até a última sexta-feira (24), nenhum número, cargo e seleção, foram estimados.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que “a falta de médico na rede de urgência é reflexo do que está ocorrendo a nível nacional. Já foi aberta seleção de currículos e está sendo publicado edital de chamamento. Também estão sendo contratados médicos com grau antecipado pelas universidades, como a Universidade do Estado do Pará (Ufpa)”. O município afirma que se preparou com a elaboração de um plano de contingência e que este está em execução. A reportagem questionou valores de plantão, salários, números de contratação e quais unidades os novatos serão alocados. Não houve respostas.

Setor privado

A saúde privada também sente os efeitos da pandemia. Há reclamações diárias em redes sociais e na imprensa de hospitais particulares com falta de profissionais, de leitos e com superlotação. Para a reportagem, a Unimed Belém garante que ampliou o quadro clínico para atendimentos de urgência e emergência. Nesta quinta-feira (23), o convênio abriu um processo de seleção para médicos não cooperados. O número de vagas não foi estimado.

A Unimed Belém tem um total de 495 médicos, mas, 23 estão afastados por doenças. Sobre o aumento nos valores de plantão durante a pandemia, o plano informa que eles são fixos, mas “como vivemos em um cenário de crise, tudo pode mudar”. A Unimed não contrata profissionais sem  experiência e não há médicos cooperados recém-formados nas suas unidades.

Já o Hapvida criou cerca de 800 postos de trabalho em março. Destes, 500 foram temporários, o restante foi para suprir o afastamento de pessoas do grupo de risco da covid-19. Segundo Jorge Pinheiro, presidente do Hapvida, a companhia tem boas condições para atender demandas de infectados pela covid-19.  Do total de 2.635 leitos, 555 são leitos de UTI. O Grupo ainda tem mais de 500 vagas de emprego temporário para enfermeiros e técnicos. 

O Plano Garantia de Saúde, do Hospital Adventista de Belém, contratou nos últimos dias, enfermeiros, técnicos e profissionais de apoio. A instituição alega que está contratando de acordo com a necessidade.

Impotência  

Nos últimos anos, profissionais de saúde vêm travando diversas batalhas com o Governo do Estado e a Prefeitura de Belém pela melhoria nas condições de trabalho e nas estruturas. As reclamações vão desde ambientes insalubres à falta de equipamentos e medicamentos. Durante a pandemia, a luta histórica se intensificou. E o lado mais atingido é, sem dúvida, o dos trabalhadores. Do total dos casos da covid-19 registrados no Estado, 42% é de profissionais de saúde.

O Sindicato dos Servidores de Saúde (Sindsaúde) alega que já entrou com diversas ações na justiça pedindo melhorias nos locais de atendimento. “Estamos com uma sensação angustiante, pois não sabemos mais o que fazer. A justiça está quase sem funcionar. Nossos profissionais estão adoecendo e o pior: morrendo”, lamenta Miriam Andrade, coordenadora do Sindsaúde. “Temos um problema que se acumula: o caos na administração. Ele reflete no atendimento”, reforça Miriam.

Direitos 

O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), considera altíssimo número de trabalhadores infectados pela covid -19. Para a instituição, a falta de profissionais nas unidades de saúde da capital, deve-se a vários fatores que obrigam o afastamento ou a reposição deles: o adoecimento pelo vírus e demais síndromes respiratórias e a morte por conta da falta e da quantidade suficiente de EPIs nos hospitais, UPAs e demais  unidades.

O Sindicato também garante que há falta de providências adequadas, pertinentes e tempestivas por parte da administração municipal no enfrentamento da pandemia em Belém.  Além disso, o Sindmepa afirma que há uma carência no planejamento e efetivação da contratação de novos médicos, especialmente, para o atendimento de casos de coronavírus. A instituição denuncia ainda, a ausência de contratos de trabalho que garantam os direitos trabalhistas para os profissionais que estão sendo contratados emergencialmente.

A orientação expressa do Sindmepa é que os médicos não aceitem trabalhar em locais sem o uso de EPIs e se recusem a prestar serviço sem contrato assinado, carteira de trabalho e direitos trabalhistas.

CRM

No Pará, há cerca de 10 mil médicos, segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM/Pa). O presidente da instituição, Walber Silva, também se manifestou diante à crise. Ele garante que os médicos não são descartáveis e repudia as condições impostas à categoria.  “O médico afastado pode ser substituído por outro que enfrentará as mesmas condições e, também, precisará ser substituído, como se descartável fosse. Atribuir à falta de médicos o caos no atendimento é simplificar de modo, talvez injustificável, a situação”, garante.

Walber ainda diz que ao não receber condições adequadas de trabalho, partindo de um simples EPI, o médico adoece e tem de se afastar da linha de frente para sua proteção e de sua família. Sobre a contratação de profissionais sem treinamento, o presidente lembra que “para atuar em uma UTI de modo eficiente, seguro e eficaz, o profissional médico investe, no mínimo, nove anos em sua formação e especialização”, frisa Walber Silva. 

Formaturas

Para inserir profissionais de saúde no mercado durante a pandemia, a Universidade Federal (Ufpa) e a Universidade Estadual do Pará (Uepa) anteciparam a formatura de estudantes do último período dos cursos de saúde. A Federal vai adiantar o diploma para alunos de enfermagem, fisioterapia e farmácia. A data ainda não foi anunciada. Já a Estadual, entregou os certificados para 80 egressos de medicina, em Belém, Marabá e Santarém. 

Coren

Segundo o Conselho Regional de Enfermagem (Coren/Pa), hoje há um déficit de profissionais da área no Estado. O Pará conta com aproximadamente 75 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares. No entanto, 60% do contingente da saúde é formado por estes trabalhadores. “Se, em média, 42% dos diagnosticados com o coronavírus é de profissionais da saúde, mais da metade deles é da enfermagem”, observa Danielle Cruz, presidente do Coren.

Apenas na RMB, cerca de 230 trabalhadores da enfermagem estão afastados com o diagnóstico da covid-19 ou com a suspeita. “Há, pelo menos, de fazer uma substituição dessas pessoas. Além disso, é preciso de mais gente, pois a demanda de infectados nos hospitais está cada vez maior”, diz Danielle. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Sacramenta, por exemplo, até a última quarta-feira (22), 27 profissionais de enfermagem estavam afastados. Do total, 20 eram por doença e sete do grupo de risco.

Direitos

A Medida Provisória - MP nº 972/2020, do Governo Federal, estabeleceu que, se o empregado adoecer durante o período de pandemia, o caso vai ser considerado como um acidente de trabalho. O presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas do Pará (ATEP), Daniel Rodrigues Cruz, lembra que na saúde, há o pagamento de adicional de insalubridade de até 40% do salário mínimo, no entanto, muitos desses direitos são cessados aos médicos, já que a maior parte deles está sendo contratado em regime de plantão. “Como não há relação trabalhista, eles acabam recebendo como pessoas jurídicas, e não têm o benefício”, explica o presidente.

Infográfico:

LABORATÓRIOS:

1.Clínica Som Diagnóstico (CSD): vagas para tec. de enfermagem; número de vagas não divulgado. Cadastro: entrega de currículos no RH da empresa, na R. dos Mundurucus, 2411.

 

HOSPITAIS PARTICULARES:  

2.Hospital Amazônia: vagas para enfermeiros e técnicos de enfermagem; número de vagas não divulgado. Cadastro: curriculos@hospitalamazonia.com.br

3.Hospital Porto Dias: vagas para médicos: todas as especialidades; não divulgado o número de vagas. Cadastro: www.hpd.com.br/

4.Hospital Saúde da Mulher: vagas para médicos. Números de divulgado. Cadastro: www.hsmdiagnostico.com.br

5. Hospital Guadalupe: vagas para tec. de enfermagem. Número não divulgado. Cadastro: rh@hospitalguadalupe.com.br

 

PLANOS DE SAÚDE

6.Hapvida: 500 vagas temporárias para enfermeiros e técnicos de enfermagem.  Currículos: hapvagasbelem@hapvida.com.br

7.Unimed: vagas para médicos não cooperados: anestesiologista, clínico geral, cardiologista, cirurgião geral, endocrinologista, infectologista, intensivista, obstetra, pediatra, pneumologista. Número não divulgado. Cadastro: www.unimedbelem.com.br/pse

8.Plano Garantia de Saúde- Hospital Adventista de Belém: instituição está recebendo currículos de profissionais de saúde. Vagas não divulgadas. Cadastro: www.hab.org.br

 

ORGANIZAÇÃO SOCIAL (PRÓ-SAÚDE)

9.Yutaka Takeda, em Parauapebas;

10. 5de Outubro, em Canaã dos Carajás;

11.Público Estadual Galileu e Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém;

12.Regional Público da Transamazônica, em Altamira;

13.Regional do Baixo Amazonas, em Santarém.

Ao todo são 211 vagas abertas: 76 técnicos de enfermagem, 34 enfermeiros, 17 auxiliares de farmácia, 32 auxiliares de limpeza, 2 farmacêuticos, 13 auxiliares de copa e cozinha, 12 copeiros, 14 de lavanderia, 6 de lavanderia, além de uma vaga cada para as especialidade médica: nefrologia, anestesiologia, cardiologia, medicina transfusional e cirurgião plástico. Cadastro: www.prosaude.org.br/trabalhe-conosco.

 

PLATAFORMA DE RECRUTAMENTO:

14.Catho: a ferramenta está com 261 vagas na área da saúde em todo o Estado. Cadastros: www.catho.com.br

 

FARMÁCIAS

15.Farmácias Drogasil: vagas abertas para atender a demanda emergencial. Número não informado. Currículos: trabalheconosco.vagas.com.br/drogasil ou www.vagas.com.br

 

FUNDAÇÃO:

16.Fundação Santa Casa: há 239 vagas para Médico, Enfermeiro, Fisioterapeuta, Técnico de Enfermagem ou Engenheiro Clínico; número de vagas não divulgado: Currículo: selecao@santacasa.pa.gov.br

 

GOVERNO DO ESTADO

17.Sespa: chamamento para enfermeiros, médicos, tec. de enfermagem, biomédico, farmacêutico; necrópsista; Número de vagas não estimado. Cadastro: selecao@sespa.pa.gov.br

18.Hospital de Campanha do Hangar e Unidades Básicas de Saúde: contratação de 86 médicos cubanos.

19. Diário Oficial do Estado (DOE): estão sendo convocados 377 médicos e 303 residentes.

 

PREFEITURA DE BELÉM

20.Sesma: lançará edital de chamamento nos próximos dias. Data não estimada. Número de vagas não informados.  

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