Comerciantes do Pará acompanham a febre das 'maquininhas' no Brasil
O aumento do mercado de pagamentos móveis, além de tornar mais popular o uso das máquinas entre comerciantes, iniciou uma "guerra" comercial entre as adquirentes
O número de máquinas de cartão de crédito nos últimos dois anos, no Brasil, passou de 5 milhões para mais de 8 milhões, o que significa o crescimento da faixa de 24,7 “maquininhas” por mil habitantes para quase 28 por mil habitantes.Também para cada mil pessoas, a França tem atualmente 22, Rússia tem 12, e México e África do Sul têm 7 cada. Os dados são da Associação das Empresas de Pagamento (ABECS).
O aumento do mercado de pagamentos móveis no país, além de tornar mais popular o uso das máquinas entre comerciantes, iniciou uma "guerra" comercial entre as adquirentes, que são as empresas responsáveis por liquidar as transações financeiras por meio de cartão de crédito e débito. Comerciantes do Pará acompanham e refletem sobre as mudanças, destacando a chegada de facilidades tecnológicas que abreviaram o tempo de recebimento dos valores aos lojistas.
Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista e dos Lojistas de Belém (Sindlojas), Joy Colares, para entender o novo momento é preciso relembrar alguns fatos recentes da política brasileira. Ele recorda que a primeira "guerra" nesse campo ocorreu há cerca de três anos, no governo de Michel Temer, quando foi permitido no país que as máquinas de cartão de crédito aceitassem todas as principais bandeiras de cartão: Visa, Mastercard, American Express, Cielo, Diners Club e Elo. "Com isso, as máquinas, que antes só aceitavam os cartões de determinadas bandeiras, passaram a concorrer entre elas. A primeira mudança trazida pela disputa foi a diminuição dos valores para o aluguel das máquinas, que eram caros, e passaram a ser mais acessíveis. Depois disso, deixaram de ser alugadas, e passaram a ser vendidas, com pagamento em 12 vezes. Dessa forma, houve o barateamento do material ", afirma o lojista.
A diversificação das formas de pagamento das compras, ainda segundo Joy Colares, é outro motivo para que o uso das máquinas fosse facilitado. "Foram criadas estratégias para as compras à vista, tornando o mercado ainda mais competitivo para que as compras no cartão voltassem a ser vantajosas. Nesse sentido, as taxas das operações de crédito cobradas aos comerciantes, que antes variavam entre 2,5% e 7,5%, hoje vão de 1% a 4%. Da mesma maneira, o tempo de recebimento dos valores pelos vendedores, que antes era de 31 dias, no novo momento que estamos vivendo as operadores levam, em média, três dias para pagarem. Ficou bem mais rápido", explica.
Com a abertura do mercado e o acirramento da competição entre as adquirentes, o empresário Cláudio Batista, da empresa Jurunense Home Center, do ramo de materiais de construção, informa que mudou três vezes de empresa adquirente nos últimos dois anos. "Antes estávamos concentrados nas mãos de duas grandes adquirentes: a Visa Net, que hoje é Cielo, e Rede Card, que hoje é a Rede. Há cerca de 10 anos, você precisava ter as duas, porque uma só passava cartões Visa e a outra só os da Mastercard. Então você precisava pagar tarifa em todas as duas, assim como o aluguel das máquinas, o que tornava o custo gigante. De dois anos para cá, as taxas, tanto administrativas quanto de antecipação de cartão, baixaram muito. Por exemplo, um cartão de débito, que antes a gente pagava 1,9% para passar uma operação, hoje a gente paga 0,7%. Caiu mais de 70%", detalha.
Máquinas de cartão no Ver-o-Peso
Conhecida no Mercado do Ver-o-peso, onde trabalha há 25 anos em sua barraca de comidas, a vendedora e cozinheira Lúcia Torres, do "Box da Lúcia", utiliza atualmente duas máquinas; uma da marca Cielo e outra Stone, da bandeira Visa. Segundo ela, quando começou a utilizar as "maquininhas", há cinco anos, ocorreram mudanças significativas em seu negócio. "Posso dizer que a partir desse momento aconteceu o 'boom' da minha barraca. Minha clientela aumentou muito. Hoje em dia, a maioria das pessoas prefere utilizar cartões em razão da segurança, para não serem roubados com dinheiro vivo. Os turistas, que são boa parte da minha clientela, preferem utilizar os cartões", relata.
Sobre as taxas de uso das máquinas, Lúcia conta que fez um acordo com a empresa Cielo para que fosse isenta do pagamento caso conseguisse R$ 1 mil reais em compras a cada semana, o que vem ocorrendo regularmente. Já em relação ao cartão Stone, a comerciante paga R$ 75 pelo uso mensal. "Uma coisa boa de utilizar os cartões hoje em dia é que, ao contrário do que ocorria no passado, o dinheiro já cai no outro dia. Antigamente devorava bem mais", completa.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA