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ALIMENTAÇÃO

Cesta básica chega a R$ 700 e custear a alimentação desafia consumidores de Belém

Alta foi puxada por alimentos essenciais, como feijão e tomate, e já acumula 5,12% no ano

Gabi Gutierrez e Jéssica Nascimento

8 de abril de 2026 às 11:55

A cesta básica chega a R$ 700 em Belém segundo o Dieese

A cesta básica chega a R$ 700 em Belém segundo o Dieese ( Foto: Foto: Igor Mota | O Liberal )

O custo da cesta básica em Belém subiu para R$ 700,68 em março de 2026, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese. O valor é quase 4% maior do que o registrado em fevereiro e mostra que os alimentos continuam pesando no bolso da população. No acumulado do ano, a alta já chega a 5,12%, acima da inflação geral.

Na prática, isso significa que quase metade do salário mínimo é usada apenas para comprar alimentos básicos. Em março, um trabalhador precisou comprometer 46,73% da renda e trabalhar cerca de 95 horas — mais de 11 dias — só para garantir a cesta.

Principais aumentos

Entre os produtos pesquisados, sete ficaram mais caros. Os maiores aumentos foram do feijão carioca (21,48%) e do tomate (15,50%), dois itens muito presentes na mesa do brasileiro. Também subiram banana, carne, leite, manteiga e pão.

Por outro lado, alguns produtos ficaram mais baratos, como arroz, açúcar e óleo. Mesmo assim, essas quedas não foram suficientes para compensar as altas, e o custo total da alimentação continuou subindo.

O que subiu?

  • Feijão carioca: +21,48%
  • Tomate: +15,50%
  • Banana: +2,89%
  • Carne bovina: +1,53%
  • Leite integral: +0,66%
  • Manteiga: +0,73%
  • Pão francês: +0,36%


Manter a alimentação é um desafio

A aposentada Ana Dias sente essa diferença no dia a dia. Ela observa os aumentos com maior expressividade por fazer compras semanais. “O tomate ficou muito caro. Eu uso toda semana, hoje está R$ 9,90 [o quilo]. Alguns dias atrás consegui encontrar por R$ 6, R$ 8”, conta.

Ana Dias, aposentada
Ana Dias, aposentada (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Ela também destaca o preço do leite: “Comprei por R$ 6,78. Ficou muito caro”.

A empresária Maíra Riomar também percebe aumento generalizado. “Um dos aumentos mais expressivos na minha alimentação, foi o queijo que aumentou em quase R$ 10 o quilo", diz. Para ela, o impacto é direto na renda: “O assalariado não tem como sobreviver com esses valores”.

Maíra Riomar, empresária
Maíra Riomar, empresária (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Para quem trabalha com alimentação, o cenário também preocupa. A cozinheira profissional Bethânia Bressanim explica que os aumentos atingem principalmente itens essenciais. “O hortifruti em geral tá muito mais caro. Feijão, arroz, milho e carne tiveram aumento”, afirma. Segundo ela, as proteínas são as que mais pesam. “As proteínas eu sinto uma diferença sempre muito grande”.

Bethânia Bressanim, cozinheira profissional
Bethânia Bressanim, cozinheira profissional (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Apesar de alguns produtos terem ficado mais baratos, a percepção geral é de que os preços continuam altos. “Só se for promoção relâmpago de supermercado. Fora isso, não tem baixa”, resume Ana Dias.

Quedas

Mas o levantamento do Dieese aponta que alguns produtos, que tiveram longos períodos de alta, sofreram retração nos preços em março. Um deles é o café.  

  • Açúcar cristal: -2,63%
  • Óleo de soja: -1,79%
  • Arroz agulhinha: -1,39%
  • Café em pó: -1,06%
  • Farinha de mandioca: -0,24%

Em outras capitais

No entanto, o aumento não é exclusivo de Belém - nem foi dos piores ao avaliar a média do país. Em março, todas as 27 capitais brasileiras registraram alta na cesta básica. Entre as cidades que registraram maior aumento estão: Manaus, Salvador, Recife e Fortaleza. 

  • Manaus: +7,42%
  • Salvador: +7,15%
  • Recife: +6,97%
  • Fortaleza: +5,04%

Analisando o cenário nacional, Belém aparece com custo intermediário (R$ 700,68), abaixo de capitais como São Paulo (R$ 883,94) e Rio de Janeiro (R$ 867,97).

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