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Carrinhos de café da manhã ampliam renda e fortalecem autonomia financeira em Belém

Barraquinhas localizadas em bairros como Nazaré atendem mais de 500 pessoas por semana e enfrentam aumento nos custos de insumos como café, queijo e tapioca

Gabi Gutierrez
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As barraquinhas de café da manhã seguem como parte da rotina de Belém e mantêm forte demanda nas primeiras horas do dia. Em bairros centrais, como Nazaré, o hábito de comprar o lanche matutino fora de casa sustenta pequenos empreendimentos familiares, mesmo diante da alta nos preços de insumos básicos como café, trigo, queijo e tapioca.

Um exemplo é a banca da empresária Maria Deusalina, que atua há quase três anos no bairro de Nazaré. O negócio funciona de segunda a sexta-feira, das 6h às 11h, e atende mais de 500 pessoas por semana, somando clientes presenciais e pedidos por delivery, modalidade que ganhou relevância no faturamento.

Delivery ajuda a ampliar faturamento

Segundo a empresária, o serviço de entrega passou a ter papel estratégico para manter a renda diante do aumento da concorrência e dos custos operacionais.

“O delivery hoje complementa bem a renda. Ele ajuda a ampliar as vendas e a enfrentar a concorrência”, afirma Maria.

A banca conta com o apoio de duas pessoas na operação diária, incluindo o filho da empreendedora, o que também contribui para a geração de renda local.

Cardápio simples e pressão dos custos

O cardápio reúne itens de alto giro e consumo rápido, como pão com ovo, queijo e presunto, cuscuz, tapioca, café, café com leite e bolos regionais, como milho e macaxeira. No entanto, o aumento no preço das matérias-primas obrigou o negócio a realizar ajustes pontuais.

Em janeiro deste ano, os produtos tiveram um reajuste médio de R$ 1 por item. A taxa de entrega passou de R$ 1 para R$ 2.

“A gente evita aumentar várias vezes no ano. Faz um reajuste único para não impactar tanto o cliente”, explica a empresária.

Apesar da pressão inflacionária, Maria afirma que a renda mensal ultrapassa R$ 6 mil, valor superior ao que recebia quando trabalhava com carteira assinada, com remuneração de um salário mínimo.

Organização financeira faz diferença

Formada em Administração, Maria Deusalina atribui à educação financeira parte do sucesso do empreendimento.

“Não é só abrir e vender. Tem que saber administrar, controlar gastos e entender o fluxo. Isso faz toda a diferença para o negócio dar retorno”, afirma.

Segundo ela, a organização do espaço e a padronização do atendimento também ajudam a fidelizar clientes e aumentar a percepção de confiança.

Consumidores priorizam praticidade e alimentos frescos

Do lado da demanda, a praticidade explica o consumo recorrente. A enfermeira Anna Beatriz Salomão, que trabalha no bairro de Nazaré, afirma que recorrer às barraquinhas de café da manhã faz parte da rotina nos dias mais corridos.

“Às vezes a gente sai de casa com pressa e não consegue tomar café. Ter essas opções no caminho para o trabalho ajuda bastante”, diz.

Ela estima gastar cerca de R$ 100 por mês com café da manhã fora de casa e destaca a preferência por alimentos preparados na hora.

“Um pão com queijo e um cafezinho já dão uma animada no começo do dia. Prefiro isso a um salgado industrializado, até por ser mais fresco e mais confiável”, completa.

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