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Até R$ 43,72 o quilo: Carne sobe até 7,8% em Belém e pressiona comerciantes e consumidores

Alta generalizada dos cortes em março reduz margens de lucro, desafia pequenos negócios e pesa no bolso da população da capital paraense

Jéssica Nascimento
fonte

O avanço no preço da carne em Belém tem afetado toda a cadeia de consumo, do açougue ao prato feito. Dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que todos os cortes ficaram mais caros em março, com altas que chegam a 7,8% na alcatra

O cenário, impulsionado por fatores como entressafra do boi, custos de produção e instabilidade internacional, tem reduzido a margem de lucro de comerciantes e impactado diretamente o orçamento de consumidores e pequenos empreendedores.

Dados do Dieese Pará reforçam a tendência de alta nos preços da carne bovina de primeira em Belém, que atingiu média de R$ 43,72 por quilo em março de 2026. O valor representa avanço de 1,53% em relação a fevereiro e consolida uma trajetória de encarecimento ao longo dos últimos meses, com aumento acumulado de 3,50% no ano e de 3,41% em 12 meses, evidenciando a pressão contínua sobre o custo da alimentação na capital paraense.

image (Foto: Thiago Gomes)

Alta atinge todos os cortes e acumula pressão no ano

O levantamento aponta aumento de 2,78% no preço das carnes em geral apenas em março, na comparação com fevereiro. Entre os principais cortes, a alcatra lidera a alta, com 7,80%, seguida pela (4,1%) e costela (3,63%). 

Também registraram aumento o filé (2,12%), patinho (2,09%), lagarto (2,17%) e acém (1,83%).

Mesmo cortes tradicionalmente mais acessíveis, como músculo (1,32%) e chã (1,47%), não escaparam da elevação, indicando um movimento disseminado no mercado local.

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Açougues seguram repasse para não perder clientes

Na ponta do comércio, a alta tem sido absorvida, em grande parte, pelos próprios vendedores. O açougueiro Adjair Santos, da Feira da Pedreira, relata que o aumento é diário e tem origem em uma combinação de fatores.

“Os motivos do aumento dos cortes da carne em Belém são diversos — incluem a entressafra do boi, a guerra no Oriente Médio, a questão do petróleo que impacta a economia de todos os países. Estamos pagando muito alto”, afirma.

Ele explica que, no Pará, o período chuvoso também encarece a produção. “Aqui no Pará, especificamente, tá na época da chuva. Mais de 80% da nossa terra é boa pra confinamento. Isso se torna mais caro. A qualidade é maior, mas é mais cara”, diz.

image Adjair Santos, açougueiro na Feira da Pedreira. (Foto: Thiago Gomes)

Segundo o açougueiro, os fornecedores têm aplicado reajustes pequenos, porém constantes. “O aumento diário dos cortes da carne de R$ 1,50, R$ 1,70 ocorre porque o brasileiro é esperto. Os empresários não vão aumentar toda semana R$ 5, R$ 7 no preço do quilo. Eles vão aumentando R$ 1 num dia, R$ 1,50 no outro. Quando chega o fim de semana, soma R$ 5, R$ 6”, explica.

Apesar disso, ele afirma que o repasse ao consumidor tem sido limitado.

“O grande problema é que a gente não tá conseguindo repassar esse real aumento. Nós, vendedores, estamos segurando 80% desse aumento. O nosso ganho real tá muito pequeno”, relata.

Adjair destaca que elevar os preços pode significar perda de clientela. “Estamos tentando segurar o máximo, porque se eu aumentar toda semana o preço da carne, eu vou perder clientes”, revelou.

Consumidores reduzem margem e seguram preços finais

Do lado dos consumidores, especialmente os que dependem da carne para trabalhar, o impacto também é imediato. A cozinheira Elisângela Lima, que administra um restaurante popular em Belém, relata dificuldade para equilibrar custos e preços.

image Elisângela Lima, cozinheira de restaurante na capital. (Foto: Thiago Gomes)

“O preço da carne agora em março aumentou. Na verdade, já teve dois aumentos, um próximo do outro. Inclusive o rapaz com quem eu compro falou que parece que vai ter outro aumento, mas ele vai dar uma ‘segurada’”, conta.

Com compras diárias e produção enxuta, ela precisa lidar com oscilações constantes.

“Eu compro no supermercado todos os dias. É um restaurante popular. O que eu vendo hoje, no final da tarde, eu volto pra comprar pra amanhã. É aquela fala: ‘vende o almoço pra comprar a janta’”, diz.

Elisângela afirma que não consegue repassar os aumentos para os clientes.

“Se aumentar uma vez no mês o preço da carne, eu não posso aumentar o meu produto, o meu ‘prato feito’. Porque tem outros restaurantes ao meu redor. Se eles não aumentarem e eu aumentar, eu vou perder”, explica.

A saída tem sido reduzir a margem de lucro. “Fica difícil. Eu tenho que diminuir a minha renda. A minha margem com certeza diminuiu, mas eu vou mantendo até onde eu posso”, disse.

Carne pesa na cesta básica e pressiona famílias

Levantamento do Dieese Pará (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostra que o preço da carne bovina de primeira segue em trajetória de alta em Belém. Em março de 2026, o quilo foi comercializado, em média, a R$ 43,72, contra R$ 43,06 em fevereiro e R$ 42,82 em janeiro.

Na comparação mensal, a alta foi de 1,53%. No acumulado do ano, o aumento chega a 3,50%, enquanto em 12 meses a variação é de 3,41%.

image (Foto: Thiago Gomes)

Segundo o economista Everson Costa, supervisor técnico do Dieese, o impacto vai além do item isolado e afeta diretamente o custo de vida da população.

“A carne possui peso relevante na composição da cesta básica, sendo um dos itens de maior impacto no custo final da alimentação”, explica.

Ele destaca que, em março de 2026, o custo total da cesta básica em Belém alcançou R$ 700,68, pressionado por itens essenciais.

“Parte importante dessa pressão esteve associada à elevação de itens essenciais, entre eles a carne bovina. O encarecimento desse produto é particularmente sensível, pois se trata de um alimento de consumo cotidiano, cuja variação afeta diretamente o gasto das famílias, especialmente as de menor renda”, afirma.

Variação no mês (de fevereiro a março de 2026) da carne em Belém 

Fonte: IPCA | IBGE 

  • Carnes: 2,78%
  • Contra filé: 0,07%
  • Filé: 2,12%
  • Chã: 1,47%
  • Alcatra: 7,80%
  • Patinho: 2,09%
  • Lagarto: 2,17%
  • Músculo: 1,32%
  • : 4,1%
  • Acém: 1,83%
  • Costela: 3,63%

Carne bovina de primeira (kg) nos mercados e supermercados de Belém

(Fonte: Dieese/PA)

Preços médios:

  • Março de 2026: R$ 43,72
  • Fevereiro de 2026: R$ 43,06
  • Janeiro de 2026: R$ 42,82
  • Dezembro de 2025: R$ 42,24
  • Março de 2025: R$ 42,28

Variações:

  • Variação no mês (fev → mar/2026): +1,53%
  • Variação no ano (2026): +3,50%
  • Variação em 12 meses: +3,41%
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