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Carnaval deve aquecer economia do interior do Pará, mas reservas ainda caminham dentro da média

Mesmo sem feriado nacional, folia deve impulsionar hotéis, bares e restaurantes em destinos como Salinas, Cametá e Vigia; setor espera aumento da procura nas próximas semanas.

Jéssica Nascimento
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A pouco mais de um mês para o Carnaval 2026, empresários do setor de hotelaria do estado apostam no crescimento nas reservas, enquanto belenenses avaliam custos, trânsito e opções de hospedagem. Com datas marcadas para 16 e 17 de fevereiro, além do fim de semana prolongado até a Quarta-Feira de Cinzas, o Carnaval é um dos períodos mais lucrativos para o setor de hospedagembares restaurantes. No Pará, cidades do interior concentram os foliões e já se preparam para a movimentação econômica da festa.

Interior concentra foliões e pressiona estrutura

Diferente de outros estados, Belém não é o principal polo carnavalesco do Pará. Cidades como Salinas, Bragança, Cametá e Vigia de Nazaré lideram a preferência dos foliões, o que impacta diretamente a capacidade de hospedagem e os preços praticados.

Segundo Fernando Soares, assessor jurídico do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Pará (SHRBS), a demanda varia muito conforme o destino.

“Se você pegar Salinas, por exemplo, tem um percentual de pessoas muito superior ao de Bragança. Isso gera maiores dificuldades de acomodação e alimentação, e os preços acabam sendo mais elevados”, explica.

Em municípios como Cametá e Vigia, a limitação da rede hoteleira faz com que alternativas informais sejam comuns.

“Em Cametá, até onde eu sei, as pessoas ficam até em navios pela falta de acomodação suficiente. Em Vigia, a imensa maioria aluga casas. A rede hoteleira é muito baixa e acaba lotando”, afirma Soares.

Bragança aguarda programação oficial para impulsionar reservas

Em Bragança, a expectativa do setor hoteleiro é positiva, mas ainda condicionada à divulgação da programação oficial do Carnaval. De acordo com David Wuylliam, funcionário de um hotel no município, a procura já existe, mas a ocupação segue parcial.

“Estamos tendo muitas procuras, mas ainda temos 50% de nossa oferta disponível. Acreditamos que isso ocorra porque a prefeitura da cidade ainda não soltou as atrações. Assim que isso acontecer, acreditamos que teremos 100% de ocupação”, afirma.

Reservas ainda tímidas, mas expectativa é de alta

Apesar da importância do período, o setor ainda não registra uma explosão nas reservas. “Por enquanto, as reservas desses municípios estão baixas, dentro da normalidade. Nada excepcional”, diz o assessor do SHRBS. 

A expectativa, segundo ele, é de crescimento mais próximo do Carnaval: “Deve começar a incrementar mais para o final do mês e início de fevereiro, porque as pessoas se programam melhor.”

Soares lembra que o momento do ano pesa no orçamento das famílias.

“Este mês é o mês de IPVA, de material escolar. Então você precisa consultar o bolso pra saber se vai poder pular o Carnaval ou não”, pontua.

Em Vigia, a realidade é heterogênea. Um gerente de hotel, que preferiu não se identificar, afirmou que ainda não recebeu nenhuma reserva para o período. Já Karla Monteiro, gerente e funcionária de outro hotel no município, relata um cenário mais positivo.

“As reservas estão dentro da média. Cerca de 50% dos quartos já foram alugados para o Carnaval 2026”, informa.

Lucro concentrado em poucos dias

Para o setor de bares, restaurantes e hospedagem, o Carnaval representa uma verdadeira alavancagem econômica. “O impacto causado pelos feriados prolongados nessas cidades do interior é muito grande. Você tem uma movimentação de todos os setores da economia”, destaca Fernando Soares.

Ele afirma que, em muitos casos, o faturamento de poucos dias equivale a um mês inteiro de trabalho. “Em cinco, seis dias, se fatura o equivalente a um mês ou talvez até mais, dependendo da cidade e do preço praticado.”

Preços altos e cautela com o consumidor

Com a alta demanda, o aumento de preços é comum, mas o sindicato orienta moderação. “Geralmente você tem um incremento nos preços do cardápio, então o que a gente sempre recomenda é cautela. Não espantar a clientela com preços altos porque isso reflete no próximo feriado”, alerta Soares.

Ele chama atenção para práticas abusivas observadas em destinos turísticos. “Fui consultado se um peixe na praia de Salinas pode custar R$ 600. Pode custar quanto a pessoa quiser. Se você vai pagar, é outra história”, diz. 

Segundo ele, práticas como venda casada e cobrança abusiva são proibidas pelo Código de Defesa do Consumidor. “O ideal é praticar preços razoáveis, compatíveis com o serviço prestado, para que o turista volte.”

Turistas preferem casas de amigos e Carnaval tradicional

Entre os foliões, muitos optam por reduzir custos ficando na casa de amigos. É o caso do professor de português Eloy Pinheiro, que costuma viajar pelo interior durante o Carnaval. “Gosto muito de Cametá, Abaetetuba e Curuçá. Nesses locais ainda consigo viver um Carnaval de verdade”, afirma.

Nos últimos anos, ele priorizou Abaetetuba por questões logísticas, mas pretende voltar a Cametá em 2026. “Se eu for, irei para a casa de um amigo”, conta, entre risos.

O administrador de empresas Eberth Wanghon também escolheu Vigia de Nazaré como destino.

“É um carnaval organizado, divertido, democrático, econômico, com muitas atrações e próximo de Belém”, justifica. 

Sobre os custos, ele percebe aumento no período. “Há menos disponibilidade e preços mais elevados para quem deixa para reservar em cima da hora, além de gastos maiores com alimentação e transporte devido ao grande fluxo de foliões”, explicou.

Além dos preços, outro problema recorrente é a infraestrutura urbana. “Engarrafamentos e falta de planejamento ainda são desafios. Você não consegue determinar o número de pessoas que irão para aquela cidade”, conclui Fernando Soares.

 

 

  

 

 

 

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