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Veja como evitar o colapso financeiro a partir de agosto

Brasileiros nunca estiveram tão endividados. Para especialistas, momento é ideal para reforçar a educação financeira 

Eduardo Laviano

Com o elevado grau de endividamento da população brasileira neste ano, que ultrapassa a casa dos 77%, segundo os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), planejar o orçamento pode ser a grande saída para evitar o colapso financeiro. Pelo menos é o que apontam os especialistas em economia, que ressaltam ser a virada do semestre um bom momento para organizar os balanços da família, uma vez que de julho até dezembro a movimentação de recursos é maior, dado o pagamento do décimo terceiro salário pelos empregadores e a restituição do Imposto de Renda pela Receita Federal.

Segundo explica o economista Valfredo de Farias, o número de endividados no Brasil não consiste uma fonte de surpresa. Ele lembra que os brasileiros não recebem educação financeira nas escolas e que, por consequência, a maioria absoluta da população não faz nenhum tipo de planejamento para os seus mais diversos gastos. "São endividamentos que vão sendo feitos de acordo com a parcela do mês. Muita gente olha aquele valor parcelado e conclui que aquilo cabe no orçamento de hoje. Mas alguns parcelamentos são de longo ou longuíssimo prazo, como os de imóveis e veículos. E não sabemos como vai ficar a nossa vida daqui há um ano", afirma. 

Fator cartão de crédito

Farias lembra que o cartão de crédito pode ser um potencializador do endividamento dos brasileiros. "É muito fácil se deixar levar pelos pequenos valores das parcelas e contrair dívidas desnecessárias e banais que, quando acumuladas, podem desequilibrar a conta bancária. É uma 'bola de neve' que as famílias vão acumulando e ficando inadimplentes, o que causa transtorno na vida de muitos", diz. Ainda segundo os dados da CNC, a maioria dos consumidores brasileiros inadimplentes, 33,4%, não concluiu o ensino médio. E que 86,6% das dívidas no Brasil são feitas via cartão de crédito e o grupo de endividados nesta modalidade com até 35 anos de idade responde por 88,5% do total.

“O mercado de trabalho está absorvendo trabalhadores com menor nível de escolaridade, mas o rendimento médio achatado pela inflação elevada dificulta a organização do orçamento familiar. Além disso, o avanço recente nos indicadores de informalidade nas ocupações é outro fator que aumenta a volatilidade da renda do trabalhador e atrapalha a gestão das finanças pessoais”, avalia a relatório da Confederação.

Valfredo lembra que quando a crise do subprime estourou, em 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizia que a onda de recessão que atingiu o mundo havia chegado ao Brasil apenas como uma "marolinha". O tempo passou e o governo continuou facilitando as linhas de crédito, o que mais tarde embolou a economia na medida em que o Brasil foi parando de crescer. "E vemos algo parecido hoje em dia também, por conta da pandemia de covid-19. Muitas empresas pegaram recursos. Conseguiram linhas de crédito e foram se endividando. E essa bomba relógio estoura, como ocorreu em 2010. Isso afeta diretamente o consumo, pois as pessoas endividadas não têm crédito. Todo mundo sofre se a população não tem poder de compra, pois impacta a geração de emprego e o comércio", avalia. 

Mas nem toda dívida deve ser sinônimo de tristeza ou preocupação. As dívidas bem planejadas podem ser consideradas dívidas do bem, pois nascem de uma análise detalhada dos ganhos e gastos de cada cidadão e cumprem objetivos específicos na estruturação de um patrimônio, além de aquecer a economia. "Se eu peguei o empréstimo para abrir uma empresa, ele serve para gerar mais dinheiro. É o tipo de dívida que lá na frente vai me trazer bons frutos. Mas infelizmente não é o que acontece. Vejo muita gente pegando dinheiro para pagar outras dívidas ou comprar coisas supérfluas. Este é o pior tipo de dívida que tem", alerta. 

Diferença entre adimplentes e inadimplentes

Na avaliação da economista Izabel Ferreira, o que difere as pessoas endividadas das adimplentes é justamente um bom planejamento de gastos. "Você não pode ganhar dois mil e gastar três. Dito isso, é preciso definir seus gastos fixos. E o que sobra é o que você teria disponível para outros gastos que não envolvem moradia, alimentação e transporte. Quem consegue gastar dentro dos limites dorme bem, sem ficar pensando em como vai pagar o cartão", afirma. Para ela, outro problema comum é o atraso no pagamento das contas. "Os juros estão altos e tudo isso pesa. Se você tem a opção de tirar um cartão com juros mensais de 15% e um de 10%, sempre busque o com menor taxa de juros. Nunca sabemos o dia de amanhã", aponta.

Na avaliação dos especialistas, organizar as finanças ainda é um desafios para muitos, justamente pela falta da educação financeira. "Quando falo de planejamento, as pessoas acham que é um bicho de sete cabeças. Mas se você anotar tudo o que estiver gastando, vai dar certo. Isso evita de sermos surpreendidos", diz. Para finalizar, ele lembra que negociar uma dívida deve ser sinônimo imediato de parar de contrair novas dívidas. "Tem gente que começar uma negociação e já usa o cartão de crédito no dia seguinte. Aí não adianta", pontua. 

Dicas para evitar dores de cabeça com as dívidas

1) Anote seus ganhos e gastos diários em uma planilha;

2) Veja o quanto de dinheiro sobra todos os meses após deduzir as despesas que são fixas (moradia, alimentação, transporte);

3) Estabeleça um limite para o seu cartão de crédito de, no máximo, metade da sua renda;

4) Busque juntar dinheiro para comprar itens a vista sempre que possível;

5) Acompanhe mensalmente a fatura do seu cartão, de maneira detalhada; 

6) Busque sempre pagar as faturas no prazo, para evitar juros;

7) Conheça as condições de juros e negociação do seu cartão.

FONTE: ECONOMISTA VALFREDO FARIAS

Economia
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