Bares e restaurantes de Belém mantêm ritmo de contratações e expansão após a COP 30
Setor de serviços liderou a geração de empregos em 2025. Empresários apostam em reformas e novos projetos para fidelizar o público em 2026.
O ano de 2025 encerrou confirmando o setor de serviços como o grande protagonista da economia paraense. Impulsionado pela preparação e realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), ocorrida em novembro, em Belém, o segmento de alimentação e bebidas registrou um saldo positivo de 1.683 novos postos de trabalho formais entre janeiro e outubro, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) divulgado no final de dezembro.
Os números frios das estatísticas ganham rosto e história nos balcões da cidade. O aquecimento do mercado não se resumiu apenas aos dias do evento climático, mas deixou um rastro de investimentos físicos e estruturais. De acordo com o estudo, feito em parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), o setor de serviços, como um todo, foi responsável por mais de 24,5 mil novas vagas no acumulado do ano, respondendo por metade de todos os empregos gerados no estado.
Para quem vive o dia a dia do comércio, o movimento intenso exigiu adaptações rápidas.
De garçom a sócio
Um exemplo prático desse dinamismo é o Ver-a-Cerva, bar localizado no bairro de Batista Campos e integrante do Grupo Ver-o-Açaí. A casa, que aposta na união de cervejas artesanais com a estética da "Belle Époque" e rock'n'roll, precisou crescer para abraçar a demanda. Quem conta essa história é Christian Pantoja. Há oito anos, ele entrou no grupo como garçom. Passou pela cozinha, setor de compras e, há três anos, tornou-se o primeiro funcionário a virar sócio do empreendimento.
"Teve um crescimento importante. Tanto que fomos fazendo adaptações, com três reformas para ampliar a quantidade de lugares e atender a demanda. Com esse crescimento, depois da COP 30, conseguimos inaugurar o segundo andar e aumentar mais 65 lugares. Hoje a casa está com mais de 200 lugares, somando as áreas interna e externa", explica Christian.
A ampliação física puxa também a necessidade de mão de obra. Se para o evento climático a aposta foi em contratações temporárias, o planejamento para o pós-evento visa a estabilidade. "Contratamos um pessoal temporariamente, mas, com a inauguração do segundo andar, estamos pensando em contratar mais três atendentes fixos e uma equipe de apoio", projeta o sócio.
Cardápio e fidelização
Passada a conferência da ONU, o desafio é manter o turista que se encantou por Belém e, ao mesmo tempo, agradar o cliente local. O bar investiu em 20 torneiras de chope (nacionais e locais) e uma gastronomia que mistura hambúrgueres e steaks com toques regionais, como bolinho de maniçoba e sobremesas com queijo do Marajó.
Para marcar o ano histórico, a casa criou até uma carta de drinks temática. "Temos uma carta inspirada na conferência, a 'Copo 30', com 30 drinks autorais. Percebemos que clientes de fora começaram a frequentar a casa e uma parte dessa galera acabou ficando", avalia Christian.
Projetos para 2026
O otimismo para o próximo ano se traduz em novos produtos. Com o segundo andar em funcionamento, o espaço passa a receber eventos fechados e reservas. Além disso, Christian adianta que a calçada ganhará novas atrações.
"Para 2026, teremos dois projetos. Um deles é a parrilla na calçada: domingo sim, domingo não, faremos o nosso churrasco. O outro é trazer um chef de fora, de outro restaurante, com a gastronomia dele, enquanto entramos com a nossa cerveja", planeja o empresário.
O Ver-a-Cerva funciona de terça a quinta, das 18h à 0h; sexta e sábado, das 18h à 1h; e domingo, das 19h às 23h.
Ranking de geração de empregos no Pará (jan-out 2025)
Serviços: +24.519 vagas
Comércio: +11.353 vagas
Indústria: +9.671 vagas
Construção: +5.040 vagas
Agropecuária: -1.554 vagas
(Fonte: Caged/MT - Elaboração: Dieese/PA)
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