CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Bacalhau do Porto sobe 14,8% e chega a mais de R$ 226 o quilo em Belém

Alta acima da inflação pressiona consumidores, que recorrem a alternativas mais baratas durante a Semana Santa

Fabyo Cruz
fonte

O preço do bacalhau do Porto subiu 14,80% em Belém nos últimos 12 meses, passando de R$ 197,37, em março de 2025, para R$ 226,58 em março de 2026 o quilo, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA). Com alta acima da inflação do período, estimada em cerca de 3,80%, o pescado — tradicional na Semana Santa — tem pesado no bolso dos consumidores, que buscam alternativas mais acessíveis em supermercados e feiras da capital paraense.

Em um supermercado localizado na avenida Duque de Caxias, no bairro do Marco, a aposentada Inês Cabral analisava atentamente as opções disponíveis antes de decidir pela compra. Diante das prateleiras, ela comparava o chamado “bacalhau do Porto” com alternativas mais baratas, como o saithe.

“Esse aqui está R$ 93,90 o quilo, mas o do Porto está muito caro. Menos de meio quilo está R$ 113, então o quilo dele vai para mais de R$ 270”, observou. Apesar de reconhecer a qualidade do produto mais tradicional, Inês afirmou que o preço pesa na decisão final. “Eu amo bacalhau, mas acho que não vou levar o do Porto. Vou levar o saithe, porque também conheço”, disse.

Católica praticante, ela destaca que o consumo de peixe no período é mais uma tradição familiar do que uma obrigação religiosa. “É costume de família. Se não puder comprar, a gente come frango, mas por preferência eu procuro manter”, explicou a moradora do bairro do Umarizal.

A professora Graça Marques também demonstrou cautela diante dos preços. Embora não tenha o hábito de consumir bacalhau durante a Semana Santa, ela decidiu avaliar as opções disponíveis no supermercado. “Normalmente eu compro mais no Natal, mas hoje deu vontade”, contou.

Mesmo considerando o valor elevado, Graça disse ter percebido uma leve redução em comparação a períodos anteriores. “Está caro, né? Mas já teve época em que estava ainda mais caro, que eu nem tinha coragem de comprar. Hoje eu olhei e até deu coragem, apesar de ainda estar alto”, afirmou. A preferência dela continua sendo pelo bacalhau do Porto, embora o peso das peças e o preço influenciem diretamente na escolha.

Já na Feira do Pescado, na Aldeia Amazônica, no bairro da Pedreira, alternativas mais acessíveis têm atraído consumidores. Entre elas, a polaca-do-Alasca salgada e seca aparece como uma das opções mais procuradas.

O feirante Danton Moreira explica que o bacalhau não é exatamente uma espécie de peixe, mas um processo. “O bacalhau é o resultado da salga de peixes do mar. Então existem várias espécies que passam por esse processo. Aqui a gente trabalha com a polaca do Alasca, que também é salgada e seca”, detalhou.

Vendida a R$ 82 o quilo, a polaca tem registrado alta saída nos primeiros dias de comercialização. “A procura está bem grande. A gente já encheu duas basquetas e está indo para a terceira”, destacou o feirante.

Diante da diferença de preços entre os tipos mais nobres e as alternativas, e com aumentos que superam a inflação, o cenário deste ano mostra um consumidor mais atento e disposto a adaptar a tradição ao orçamento. Entre manter o costume e equilibrar as contas, o bacalhau continua presente — ainda que, em muitos casos, substituído por versões mais acessíveis.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Economia
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM ECONOMIA

MAIS LIDAS EM ECONOMIA