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Após suspensão do auxílio emergencial, busca pelo Auxílio Brasil cresceu 6,2% no Pará

Segundo dados do Ministério da Cidadania, Belém é a quinta capital com maior número de beneficiários, atualmente, do Auxílio Brasil, sucessor do programa Bolsa Família

Natália Mello

Após a suspensão do auxílio emergencial, criado durante a pandemia de Covid-19 para socorrer trabalhadores que ficaram sem emprego e renda no isolamento social, a busca pela inscrição no CadÚnico e, consequentemente, o Auxílio Brasil, cresceu 6,2% no Pará. De 1.759.770 milhões de famílias paraenses inscritas no Cadastro Único, que dá acesso aos benefícios do governo federal em outubro de 2021, o estado passou para 1.868.946 famílias em fevereiro de 2022, o registro mais recente do Ministério da Cidadania.

De acordo com uma funcionária do Centro de Referência e Assistência Social (Cras) do bairro da Pedreira, em Belém, as inscrições têm realmente aumentado. No local, são feitos pelo menos 100 atendimentos por dia, e a procura, na maioria dos casos, é justamente pelo Cadastro Único, com o intuito de receber o benefício do Auxílio Brasil, programa sucessor do Bolsa Família. De acordo com números do Ministério da Cidadania, hoje Belém é a quinta capital com maior número de beneficiários da iniciativa, com 300.609 mil famílias atendidas.

A auxiliar administrativa Lisandra Mendes, de 27 anos, recebe o Auxílio Brasil e foi prejudicada, recentemente, após o bloqueio do benefício. Ela foi até a unidade do Cras na Pedreira para atualizar o cadastro e voltar a receber os recursos, que contribuem com a sobrevivência dela, que mora sozinha. “Eu estava recebendo desde o ano passado. Desde quando saiu, eu recebia a bolsa. Moro sozinha e, na época do auxílio emergencial, por exemplo, me ajudou muito, porque tinha acabado de ser demitida e me auxiliou nesse tempo sem emprego. Voltei a trabalhar, mas com salário mínimo não dá e o auxílio me ajudou”, declara.

Lisandra conta que usa metade do dinheiro para pagar o Financiamento Estudantil (Fies) que a ajudou a concluir o curso de direito. “Imagina, estou há dois meses sem receber o Auxílio Brasil e com o que ganho no trabalho, metade eu uso para pagar o Fies, o resto para pagar aluguel, comprar comida. Metade do salário mínimo eu não vejo, então ajuda muito”, conta.

O vendedor Áureo Fontoura, de 58 anos, também foi ao local saber mais sobre o Auxílio Brasil. Mesmo sem ter sido beneficiado pelo auxílio emergencial, ele decidiu procurar ajuda do governo nesse momento, já que se encontra desempregado há alguns meses e vem enfrentando dificuldades para se manter. “Eu vivo sozinho, e hoje acabo vivendo de bico. Vim para ver se consigo receber e sobreviver. Agora o emergencial acabou, mas foi muito necessário, porque a economia ficou toda parada”, finalizou.

Maria Luiza Castro, de 38 anos, é dona de casa, e vive, basicamente, para cuidar da filha, que tem transtorno de ansiedade. A jovem Adria, de 21 anos, consome uma quantidade grande de remédios e precisa de acompanhamento médico contínuo. “Recebia o Bolsa Família, recebi o emergencial, e agora estou vindo reaver o benefício que ela recebe pelas dificuldades que ela têm de saúde. Sem o emergencial vou deixar de fazer muita coisa, porque os remédios são caros, pago aluguel, refeição. O emergencial, para mim, impacta muito, imagina quem trabalhava na rua e não tem mais trabalho?”, questiona.

A reportagem do Grupo Liberal procurou a Fundação Papa João XXIII (Funpapa) para esclarecimentos sobre essa demanda em Belém e aguarda um posicionamento do órgão.

Sem o auxílio emergencial, também aumentou, inevitavelmente, o nível de pobreza no Brasil. Até outubro de 2021, havia 15,1 milhões de famílias em situação de miséria registradas no Cadastro Único. Esse número saltou para 17,8 milhões em março, quando foram divulgados os últimos dados. A média foi de 540 mil novas famílias cadastradas por mês —a maior já registrada pelo cadastro, criado em 2001. Os números se referem às famílias que já viviam ou informaram ter perdido renda e passado a viver a situação de extrema pobreza (com renda per capita mensal de até R$ 105).

Economia
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